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Covid-19: o principal motivo da inovação em 2020


Belo Horizonte 10/06/2020 17h26

Bernardo Almeida, presidente do Conselho Empresarial de Jovens da ACMinas

Bernardo Almeida, presidente do Conselho Empresarial de Jovens da ACMinas - Francisco Dumont

Escrevo esse texto da minha casa. As ruas seguem vazias há semanas e, ao que tudo indica, seguirão assim por um tempo. O que não vemos, nessa suposta calma, são as aceleradas mudanças no ambiente de negócios, nas relações de trabalho e no modo como enxergamos a produtividade.

Há um tempo, escrevi um artigo sobre a revolução provocada pela inovação, nele falei sobre alguns dos principais desafios enfrentados por empresas para contratar e reter jovens talentos que já não se encaixam no modelo tradicional de trabalho. E agora, eis que o tema inovação volta à pauta. Isso me faz perguntar: qual foi, nos últimos anos, o nome mais forte da inovação no ambiente de negócios? Uber, Apple, Google, Jobs, Gates, Zuckerberg? Não. O grande responsável por mudanças e pelas últimas inovações nos negócios foi, curiosamente, o Covid-19.

Entre as empresas, mesmo aquelas que estão na vanguarda da inovação, os esforços para introduzir práticas disruptivas no processo de trabalho são imensos, e nem sempre efetivos. Eis que nos vemos diante de uma situação onde tudo precisa se adequar, e muito rápido. Trabalho remoto, ferramentas para se relacionar com clientes, novos canais de vendas, tudo foi contemplado de uma só vez com as limitações impostas pela pandemia. Mas há várias lições e muito o que se aprender com tudo isso.

Uma delas é que a vida acontece fora da zona de conforto. Sim, ser obrigado a trabalhar de casa, reunir via plataformas digitais e resolver questões com fornecedores e clientes por meio do WhatsApp ou outra ferramenta já é uma imposição que nos obriga a inovar. Aquela sempre recorrente pauta de inovação agora é obrigatória. E, finalmente, podemos entender que Bill Gates tinha razão quando disse: “existem dois tipos de empresas: as fazem negócios pela internet e as que estão fora dos negócios”. As referências são inúmeras, mas nunca antes experimentamos, com tamanha intensidade, o que é o significado da produtividade fora da zona de conforto.

Outro aspecto importante e que ganha força é o chamado Low Touch Economy, um novo modelo de economia que vem para estabelecer morada. Nele, as relações comerciais vão se desenvolver com o mínimo contato físico, ou sem contato algum, criando um novo padrão a ser seguido. Manifestação clara dessa tendência é o amplo investimento percebido, no curto prazo, em ferramentas e estratégias de delivery, monitoramento remoto, e segurança cibernética. Por outro lado, entende-se que setores como o turismo, entretenimento e lazer terão grande trabalho para se reinventarem, pois certamente os requisitos sanitários serão muito mais severos a partir de agora. Você se lembra, por exemplo, da última vez em que cumprimentou um desconhecido com um aperto de mãos? Certamente, a partir de agora isso fará mais parte da memória.

Neste contexto, vejo uma vantagem para os jovens empreendedores e executivos em todo o mundo. Talvez por não terem tanta experiência, e por isso não serem tão moldados pelo modelo tradicional de trabalho, as empresas lideradas por jovens já vinham dando amostras das possibilidades que a inovação e a nova relação com negócios apontam. Logo, conseguir se adaptar de forma ágil às demandas de um mundo que muda tão rapidamente é fundamental.

Os jovens, em geral, já estão mais familiarizados com as ferramentas digitais, cursos e treinamentos on-line, e com as mudanças trazidas pelo Covid-19, surge uma oportunidade de desenvolvimento pessoal e profissional nunca antes experimentado. Um momento para investir em conteúdo relevante e capaz de transformar pessoas.

Além disso, saber reinventar seu próprio negócio é de grande valia. Pense os restaurantes que vendiam 100, 200, 500 refeições por dia, e que agora não podem sequer abrir as portas. Nunca antes pediu-se tanto delivery, e nunca tantas empresas entraram, ao mesmo tempo, neste segmento de mercado. Era uma demanda antiga, que agora é realidade.

Historicamente, períodos de guerra são aqueles que proporcionam mais desenvolvimento tecnológico. Neste caso não é diferente. Estamos lutando contra um inimigo invisível, e, ao mesmo tempo, desenvolvendo muita tecnologia nova e disruptiva. Cabe à nós fazer bom uso do isolamento social imposto, para que possamos sair melhores e mais fortes desse período.

E, aos jovens recém-chegados ao mercado, e que estão enfrentando sua primeira grande crise, um alento: vai passar. A humanidade sobreviveu a todas as outras que enfrentou, e nos resta acreditar que conquistaremos um relacionamento mais inteligente com o consumo e a produção consciente.

Quanto ao novo mercado de trabalho, resta mais uma vez aplaudir o biólogo Charles Darwin e sua teoria da evolução, que diz que não é o mais forte ou o mais rápido que sobreviverá, e sim aquele capaz de se adaptar. Então, reinvente-se!


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