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Cartão de crédito é vilão em momento de endividamento recorde


São Paulo - SP 05/02/2020 11h06

O orçamento das famílias brasileiras tem sido gradualmente comprometido com pagamento de dívidas. Isso pode não soar como uma novidade, mas é uma tendência que merece atenção

Estudos recentes do Banco Central e da Tendências Consultoria apontam para essa progressiva escalada do endividamento, com números similares. Na série do Banco Central, as famílias pagavam o equivalente a 20,9% da renda em dívidas em novembro de 2019. Em dezembro de 2017, eram 20,1%.

Já a Tendências indica um maior avanço: de 27,4%, em dezembro de 2017, para 28,6%, em dezembro de 2019. O número é maior porque a consultoria leva em conta os gastos no cartão em crédito sem juros, diferentemente do Banco Central.

Os juros brasileiros historicamente baixos, adotados pelo Banco Central em 2019, barateiam as opções de empréstimos financeiros, estimulando a contratação de crédito.

De fato, nunca foi tão simples aderir a um empréstimo consignado online. Essa opção é popular, pois já vem deduzida do salário e não acarreta obrigações de disciplina de pagamento ao contratante.

Disciplina ou necessidade?

O número de inadimplentes no Brasil é bastante alto. Em novembro de 2019, eram 63,8 milhões de pessoas, de acordo com a Serasa Experian.

Os gastos são um fato da vida de qualquer cidadão. Os gastos fixos e variáveis estão aí no cotidiano de todos, não há como negar. Mas nem sempre eles são necessários.

Entre os tipos de dívidas mais contraídas pelos consumidores no país, os gastos no cartão de crédito são a esmagadora maioria. Para efeito de comparação, o crédito consignado corresponde a 5,5% das dívidas no país, enquanto o cartão de crédito carrega 79,8% dos endividamentos.

O cartão de crédito pode ser um grande aliado para organizar gastos, mas também tem um “efeito psicológico” maléfico, que deve ser superado por quem quer manter uma vida financeira saudável.

Diferença entre créditos

A grande diferença entre o cartão de crédito e os créditos contratados pontualmente muitas vezes está na cabeça do consumidor.

O crédito contratado pontualmente é adquirido por iniciativa do consumidor junto a um banco ou financeira. Nessa categoria de empréstimo, podemos citar o financiamento de carro ou casa, o crédito pessoal ou consignado.

Embora essa modalidade de empréstimo esteja cada vez mais simples e menos burocrática de se obter, com opções de contrato virtuais, ainda é necessário passar por uma análise de crédito e apresentar condições de pagamento antes de contratá-las – frequentemente, dando algum tipo de garantia em caso de não pagamento.

Já o cartão de crédito se apresenta como uma “facilidade” com limite definido. O consumidor tende a pensar que os gastos estão sob controle, desde que não ultrapasse o limite fixado pelo banco.

Porém, é possível estar no limite e não pagar. Essa opção é comum e pode desencadear duas armadilhas: o crédito rotativo e o cheque especial.

Essas são duas opções “automáticas” em bancos. Se você não consegue pagar uma conta do cartão e decide pagar o mínimo recomendado ou deixar para quitar o valor no mês seguinte, estará contratando o crédito rotativo do cartão sem nem ligar para o gerente.

O cheque especial funciona de maneira similar. Quando o correntista não consegue pagar suas obrigações e fica com a conta corrente “negativa” está contratando o cheque especial com seu banco, ainda que não saiba.

Os juros do cartão rotativo ficaram em 318,9% ao ano em 2019. Já os juros do cheque especial atingiram 302,5% ao ano no mesmo período. Os juros são altos porque o banco cede dinheiro ao cliente sem garantias como contrapartida.

Conclusão

A contratação do cheque especial e do rotativo do cartão devem ser evitadas ao máximo por qualquer um. São as piores e mais caras opções de crédito disponíveis existentes.

Seja por desorganização ou por necessidade, se o consumidor for incapaz de pagar uma dívida de cartão ou deixar a conta bancária no “positivo”, é melhor que contrate um empréstimo à parte.

Para isso, deverá fazer uma pesquisa de instituições financeiras confiáveis. Em todo caso, os juros são bastante inferiores aos mais de 300% anuais das opções bancárias sem garantia.

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