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Ease Labs vai investir, ao menos, R$30 milhões na produção de medicamentos a partir da cannabis medicinal


Belo Horizonte, MG 05/09/2019 15h56

A empresa pretende facilitar o acesso de quem precisa dos produtos à base de canabidiol (CBD), para tratar doenças, como epilepsia, esclerose múltipla, fibromialgia, depressão e outros

Juliana Lima

Com atuação no Uruguai e Estados Unidos, a empresa Ease Labs, que nasceu com a proposta de viabilizar o acesso dos pacientes aos medicamentos à base de canabidiol (CBD) para o tratamento de doenças, vai investir, ao menos, R$ 30 milhões na instalação de uma planta de produção controlada da cannabis sativa incluindo a construção de um laboratório na América do Sul. “Se a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) regulamentar a produção de medicamentos à base de CBD no Brasil, é provável que a planta de cultivo e industrialização tenha sede na região metropolitana de Belo Horizonte (MG), caso contrário, o investimento será feito no Uruguai, onde já é autorizado o pedido de licenças para a realização desse tipo de negócio”, adianta Gustavo de Lima Palhares, CEO da Ease Labs.

Segundo o executivo, com a produção desses medicamentos no Brasil ou no Uruguai, será possível oferecer produtos, de qualidade, a preços mais acessíveis, com segurança e com um prazo de entrega mais curto. “Sendo regulamentado o plantio e a produção dos medicamentos com princípios ativos da planta, no país, o custo de todo o processo será mais baixo e isso refletirá no valor final, repassado ao consumidor”, explica.

Gustavo comenta que desde o ano passado, a Ease Labs estuda, pesquisa e investe em tecnologia e em inteligência de mercado para viabilizar o acesso e desenvolver novos produtos conforme padrões internacionais de qualidade e obedecendo às legislações aplicáveis. “Pretendemos ampliar o acesso da população a essa possibilidade terapêutica com toda a garantia de qualidade, eficácia e segurança, por isso, fizemos parcerias e percorremos vários países para conhecer todos os processos e práticas adotadas, e para oferecermos produtos completos e seguros. Nosso objetivo final é ofertar os medicamentos em farmácias de todo mundo”, ressalta.

O CEO da Ease Labs comenta que mesmo se a planta de cultivo e o laboratório forem instalados no Uruguai, será possível oferecer medicamentos a preços mais competitivos, em comparação aos praticados atualmente. “Nesse caso, temporariamente ainda será preciso importar, então a comercialização será feita apenas pelo site easelabs.store e em dólar”, comenta. Gustavo acrescenta que a Anvisa regulamentado a produção da Cannabis medicinal no Brasil e facilitando o processo de registro para venda em farmácias, a empresa conseguirá ofertar o medicamento por preços mais competitivos. Porém, nesse caso, será necessário uma estrutura de produção para suprir a demanda pelos medicamentos no país, sendo que a venda continuará sendo apenas com prescrição médica.

Regras

Desde 2015, o uso terapêutico do canabidiol é liberado no Brasil, mas os medicamentos devem ser importados. Atualmente, além da receita médica, para adquirir produtos à base de canabidiol, é preciso solicitar a autorização da Anvisa para importar. A partir disso, é possível comprar em sites internacionais e enviar a permissão de entrada do produto para a Receita Federal.

De acordo com a literatura específica, entre as doenças que podem ser tratadas com o uso de medicamentos à base do CBD, estão: epilepsia, esclerose múltipla, fibromialgia e outras dores crônicas, depressão, ansiedade etc.

Derivado da Cannabis, o CBD é uma substância natural com propriedades medicinais e terapêuticas e não apresenta nenhum efeito psicoativo. A partir de alguns estudos, foi verificada sua efetividade no tratamento de problemas neurológicos, psiquiátricos, dor e inflamações. Em julho desse ano, por exemplo, a revista Frontiers in Neurology divulgou um trabalho sobre o uso de CBD em convulsões. Durante o experimento, os pesquisadores administraram doses de extratos com o canabidiol em sete crianças com epilepsia grave, que não tinham melhora com outros tratamentos. Nos primeiros dias, notou-se redução de 50% nas crises de convulsão de quatro das crianças. Quando a dose foi dobrada, todas tiveram melhoras significativas, sendo que três não sofreram mais ataques. O estudo indicou ainda, que os pacientes não apresentaram efeitos colaterais com o tratamento.

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