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Tecnologia na esfera pública: redução ou aumento de gastos?


Sao Paulo 09/09/2018 22h06

Tecnologia na esfera pública: redução ou aumento de gastos?

Rudinei Santos Carapinheiro*

Um dos maiores avanços tecnológicos que presenciamos no século XX foi tanto

a automação de processos quanto a introdução de comunicação de dados aos

processos industriais, comerciais e de serviços. Com isso, os principais setores da

economia ganharam rapidez, eficiência e produtividade, já que a troca e obtenção

de informações são realizadas em um período mais curto de tempo, permitindo

a tomada de decisões mais rápidas e assertivas.

As influências que motivam uma instituição a adquirir novas tecnologias criam

cenários diferentes para o mercado onde ela atua, e as consequências decorrentes

dessas motivações se transformam em benefícios para os negócios, pois permitem

a ampliação a diversificação das atividades e a automação de processos.

É o caso dos bancos, por exemplo, que passaram a realizar transações por meio de

plataformas seguras e eficientes conectadas à internet. Como consequência, houve

uma diminuição drástica no fluxo de pessoas que vão às agências físicas, no

entanto, sem diminuir o número de clientes, implicando diretamente na

necessidade de intermediários entre clientes e os serviços oferecidos.

Nesse contexto, empregos como atendentes, ajudantes e caixas perdem valor, pois

o custo de manter um serviço online equivalente é mais baixo, mesmo que isso

exija um investimento inicial considerável. Muitas demissões são decorrentes dessa

desvalorização. Os avanços da tecnologia trazem inovações em todos os setores,

sendo que no setor de serviços, por exemplo, alguns postos de trabalho estão

em extinção pelo uso cada vez mais frequente dos softwares, ou seja, profissões

estão se tornando programas de computador.

Na esfera pública, também é possível automatizar de diversos serviços, como a

declaração de imposto de renda, documentos, ocorrências de trânsito e muitos

outros. Paradoxalmente, o Brasil tem mais de 2 milhões de servidores públicos

federais.

O Poder Executivo é o que mais emprega, com 1.872.802 servidores trabalhando

em todos os órgãos da administração pública direta, autarquias, fundações,

empresas públicas, sociedades de economia mista e Banco Central, além dos

militares. De acordo com o Instituto Fiscal Independente (IFI), ligado ao Senado

Federal, de 2007 a 2016, os gastos federais com Poderes do Estado e

Administração corresponderam a 2,2% do Produto Interno Bruto (PIB), em média,

ou cerca de 10% do gasto federal total.

Em 2016, a diferença de ganhos entre servidores e trabalhadores do setor privado cresceu. Segundo o IBGE, foi o maior aumento da série histórica iniciada em 2012. Enquanto, em 2015, o funcionário público ganhava, em média, R$ 3.152 — 59,3% a mais do que um empregado regido pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) —, em 2016, esse índice chegou a 63,8% (R$3.199 contra R$ 1.952).

Diante da clara situação de vantagem profissional dos servidores públicos e diante da situação de caos em que se encontra o país, aproveitando o momento das eleições, será que não está na hora de aproveitar as vantagens tecnológicas e desinchar a máquina pública? Afinal de contas, os sacrifícios decorrentes da diminuição de postos de trabalho, retração do poder de compra e a falta de perspectivas podem ser combatidos se cada um entrar com sua cota, mas o governo também tem que fazer concessões, pois já não há mais de onde tirar da população.

*Rudinei Santos Carapinheiro é Diretor de Novos Negócios da Skylane Brasil

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