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Descoberto em uma academia - Ator joão Carlos estreia na novela o tempo não para


São Paulo 06/07/2018 15h56

Novela o tempo não para - próxima novela das 7

Ator João Carlos - Fotos e Edição: Raquel Souza

Conheci o Bruno Santana por acaso, em um treino de muay-thai, na academia em que frequentava.

Ele foi em uma aula para conhecer, e acabamos treinando juntos. O que nos permitiu conversar um pouco. Daí surgiu o convite para conhecer a Agência Dublês e Atores.

No começo relutei, era um mundo completamente diferente do que conhecia e já havia feito. Mas, depois de algum tempo resolvi conhecer e comecei as aulas de atuação.

Após três meses de aula eu estava contracenando com Edson Celulari e Milton Gonçalves para a nova novela das 7, "O tempo não para". Foi surreal.

Isso me deixou super motivado. Com foco e determinação ainda maiores!

Nascida há pouco tempo, a escola Dublês & Atores une um pouco dos dois mundos: a prática da atuação e as técnicas para saltar de um carro, rolar escada ou para realizar uma defesa pessoal que, dada seu realismo, dificilmente pode ser considerada como uma cena falsa.

Dublês em ação

Como seria bom, em certos momentos da vida, ter um ‘outro’ de nós. Enfrentar a conversa decisiva, fazer o teste complicado, dar a notícia amarga ou pular em chamas do 11º andar direto na piscina parecem situações perfeitas para um substituto. Pena que as três primeiras fazem parte da vida real e, portanto, devem ser encaradas pelo protagonista. Para a quarta, porém, existe profissional bem preparado, que gosta do que faz e que ganha dinheiro para executá-la. É o dublê (em inglês, double ou duplo), cuja missão é tornar o mais verossímil possível a cena para o filme, série, novela, programa ou propaganda.

“Nós nos arriscamos no lugar do ator ou da atriz principal. Para seguir na profissão é preciso ter dom, muita técnica, um bocado de coragem e ser um pouco louco também”, explica Bruno Santana, 28 anos. O dublê, ator, produtor, diretor e cineasta esta à frente da Duble & Atores (http://dublesatores.com.br), agência que começou a funcionar em São Paulo desde o início do ano e já conta com casting de 100 nomes. “Somos chamados para vários tipos de trabalhos, como saltar de carro em movimento, colocar fogo no corpo, pular de lugares altos”, conta. Para tanto, é preciso mesmo gostar de adrenalina, caso de Dayane Albuquerk, 26. “Sempre fui de me aventurar, de me arriscar. Curto me impor desafios.” Apesar de ter crescido bastante, o número de mulheres na profissão ainda é pouco se comparado ao de homens.Ter uma habilidade específica ajuda na carreira. Santana, por exemplo, atua desde criança e adolescência, época em que começou na dança de rua. Frequentou, inclusive, aulas na Casa de Hip Hop de Diadema. Artes marciais, acrobacias, parkour e até patinação estão no currículo dos alunos da agência. Luis Roberto ‘Mosquito’, 35, começou a trabalhar na área depois que foi ‘descoberto’ por um olheiro quando treinava na pista de skate de São Bernardo. Ele é patinador profissional. “Fiz o filme Rio-Santos, no qual eu substitui cenas do ator Fernando Alves Pinto. Meu perfil batia com o do ator. Depois, passei a aprender a pular de lugares mais altos, fazer manobras com carros”, conta Mosquito, que gostaria de realizar a profissão também fora do País.

Durante o curso, eles desenvolvem outras áreas – dança, canto e dramaturgia – além, claro, de técnicas de rolamento ou aprender a ‘cair’ sem se machucar, por exemplo. Para começar a fazer trabalhos simples, como uma briga, é necessário período de, no mínimo, seis meses. Santana só manda para projetos mais complicados, como capotamentos, que mexam com fogo e altura, apenas profissionais com bem mais experiência, que treinam exaustivamente e têm técnicas apuradas. “Treino, ao menos, três vezes por semana, faço exercícios e me fortaleço. Nunca quebrei nada, preparo meu corpo para o desafio”, diz Orlando Supera, 32, um dos pioneiros do parkour no País.

O cachê para as cenas mais perigosas também aumenta e chega a R$ 100 mil. “Antes de aceitar, porém, analisamos cada caso. Se possível vamos até o local. Uma vida não tem preço”, reforça Santana. A primeira dica para quem quer ser dublê, segundo Supera, é procurar uma escola especializada e séria. “Não pode ver na televisão e tentar fazer sozinho, não dá para executar nada sem orientação. O gel que usamos para colocar fogo no corpo (no máximo 30 segundos) é específico, vem de fora. É um grande risco fazer qualquer coisa por conta”, finaliza.

É possível substituir o corpo ou partes dele

Na agência de Bruno Santana os alunos aprendem tudo do início. A começar pela postura. “O corpo deve ser livre e a pessoa precisa ter a consciência dela, até onde pode ir. O grande ator não precisa dizer uma só palavra para emocionar. E isso depende de muito treinamento e técnica”, explica o professor da agência, Geraldinho Mário. Assim, conseguem reproduzir gestos e até o andar do ator principal. Apesar de não ser necessário ter DRT de ator, eles priorizam a formação completa. “O ator tem que sair daqui assim. Para o diretor que contrata é bom já ir alguém que também sabe ser dublê.”

Isso porque também existem trabalhos só para substituir corpo ou partes dele. Na novela A Força do Querer, da Globo, a personagem Ivana (da são-bernardense Carol Duarte) mudou de sexo e fez cirurgia para a retirada dos seios. Na cena, o corpo que aparece – além do uso de alguns efeitos especiais e maquiagem – é do modelo Leonardo Guinther.

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