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Comércio exterior vê retomada e digitalização “forçada” desburocratizou segmento, avalia CEO


São Paulo/SP 16/07/2020 18h08

Importações sofrem com consequências da pandemia desde janeiro, quando fábricas começaram a fechar na China

Divulgação

Enquanto completamos três meses de estado de alerta e quarentena com a pandemia de coronavírus no Brasil, empresas que trabalham com comércio exterior estão sentindo o impacto da covid-19 há mais tempo - desde janeiro, quando a China começou a fechar suas fábricas por causa da até então epidemia.

Naquele mês, o impacto nas exportações foi brutal. O segmento de carnes, miudezas e comestíveis, que mantinha uma receita média de U$ 1,2 bilhão mensais sofreu queda de 30,6% como reflexo da disseminação do vírus na China, nosso maior comprador de carne. Em abril, já com o coronavírus presente no Brasil e a pandemia decretada, o volume de exportação atinge seu ponto mais baixo, com receita total inferior a 1 bilhão de dólares (em dezembro de 2019 o volume havia sido de U$ 1,5 bilhão).

Já em maio vemos os primeiros sinais de retomada, com crescimento de 22% na receita, que atingiu novamente seu valor médio pré-pandemia de U$ 1,2 bilhão.

Segundo Eduardo Ferreira, fundador e CEO da Mainô, startup que oferece ferramentas de sistema de gestão online e emissão de NFs para empresas de comércio exterior, além dos números, profissionais do segmento já têm percebido a retomada, ainda que tímida. “De acordo com a percepção do setor, devemos seguir em ascensão pelos próximos meses. A melhora em maio foi um degrau que já nos colocou um patamar acima, mas a expectativa para junho é de resultados mais expressivos ainda”, afirma o executivo.

As importações também seguem a mesma tendência. O segmento de lâmpadas e tubos elétricos, por exemplo, teve queda de 60%. Em março, as importações somaram 21 milhões de dólares. Em abril, esse número caiu para U$ 8,5 milhões e maio fechou com U$ 15 milhões.

Digitalização deve trazer economia

Não foram só os números que sentiram o impacto da pandemia. Vários processos burocráticos de importação e exportação tiveram que ser digitalizados às pressas. Segundo Eduardo, a mudança, ainda que realizada por um motivo nada positivo, foi vista com bons olhos por profissionais do setor.

Ainda de acordo com o especialista, muitas etapas obrigatórias no comércio exterior necessitavam que os documentos originais fossem entregues fisicamente, ainda em papel. Mas a digitalização “forçada” trará agilidade para diversos procedimentos. “As pessoas tinham que se deslocar dos seus escritórios ao recinto alfandegado para entregar documentos, como o Conhecimento de Carga. Com a mudança recente instituída por decreto, a imagem digitalizada do documento original tem a mesma validade e permite o ingresso das mercadorias no país, otimizando processos importantes”, conclui.


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