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Sociedade brasileira de pneumologia e tisiologia lança campanha “escute seu pulmão” sobre a importância da prevenção e controle das doenças pulmonares


São Paulo 17/07/2018 19h36

Porto Alegre figura entre as maiores prevalências de asma infantil do mundo. Duas em cada dez crianças até 11 anos têm asma e apenas cerca de 30% fazem uso de medicação preventiva

Campanha Nacional Escute seu Pulmão - Divulgação

Essas conclusões fazem parte da pesquisa Proasma, realizada em 2014 pelo Centro Infant, do Instituto de Pesquisas Biomédicas da PUCRS. O estudo mostrou que metade dos asmáticos não tem a doença controlada.

Um segundo estudo, publicado este ano no Journal of Asthma, também traz um número preocupante, quando o assunto é falta de controle da doença. O Respira project: Humanistic and economic burden of asthma in Brazil, alerta que cerca de 32% dos asmáticos adultos não fazem o tratamento correto no Brasil, o que leva a um descontrole da doença.

Dados brasileiros revelam que, dos 90% dos asmáticos que não estão controlados, implica medidas terapêuticas que devem ser mais intensamente adotadas em nosso país para melhorar o controle da asma e estimular a aderência ao tratamento. Isso, seguramente, proporcionará uma melhor qualidade de vida aos pacientes e uma redução do impacto negativo da doença.

Diante dos dados alarmantes em crianças e adultos de todo o país, em 2018, a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia(SBPT) com o apoio da GSK, desenvolveu a campanha nacional Escute seu Pulmão para alertar população brasileira sobre os riscos e impactos de doenças crônicas pulmonares sem o devido tratamento e acompanhamento médico.

Asma e DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica) são doenças respiratórias que matam diariamente centenas de brasileiros. Segundo constata a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), estima-se que cerca de 20 milhões de pessoas sofram com a asma no Brasil e cerca de 300 milhões de pessoas no mundo todo. Dentre esses casos, a prevalência de asma grave é de 2 a 5%.

“A asma e a DPOC são exemplos de doenças crônicas frequentes nos consultórios dos pneumologistas. Elas interferem no cotidiano e podem levar a óbito se não tratadas corretamente”, explica Dr. Fernando Luiz Cavalcanti Lundgren, presidente da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT).

A DPOC, por sua vez, é uma das principais causas de morbidade crônica e de mortalidade no mundo, e essa situação tende a piorar, sem a devida atenção e conhecimento da doença.

Escute seu Pulmão

A campanha tem como objetivo central aumentar a educação e a conscientização do público leigo, pacientes, profissionais de saúde e a sociedade civil sobre a importância de buscar tratamento ao primeiro sinal de uma doença pulmonar persistente e conscientizar sobre os impactos negativos na qualidade de vida dos portadores de asma (em seus diversos graus) e DPOC.

As internações devido a asma custam anualmente cerca de R$ 600 milhões ao SUS. A mobilização e educação de pacientes, profissionais de saúde e do governo podem mudar o cenário nacional de diagnóstico e tratamento e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

A asma e a DPOC são doenças pulmonares crônicas e é preciso garantir o reconhecimento dos sintomas dessas doenças pelos pacientes e seus familiares. O diagnóstico correto das enfermidades pelos especialistas garante o controle efetivo das doenças pulmonares.

“Um dos maiores problemas em torno das doenças respiratórias crônicas está na falta de reconhecimento da doença pelo próprio paciente. Ele não vê a doença como algo crônico e acredita que ela se manifesta apenas durante uma crise, o que não é verdade”, ressalta Dr. Lundgren.

Escute seu Pulmão é um projeto educacional que permitirá a população brasileira adquirir conhecimentos sobre as doenças crônicas pulmonares, proporcionando esclarecimento sobre os principais sintomas e tornando-se multiplicadores de informação.

A campanha teve início no dia 1º de maio, dia mundial da prevenção e combate à asma, e se estenderá por cinco meses, encerrando ao fim de setembro de 2018. Por meio de uma plataforma de informação online, www.sbpt.org.br/escuteseupulmao, a população poderá obter informações e orientações sobre asma e DPOC, bem como enviar suas principais dúvidas pelo canal exclusivo da campanha.

A população brasileira também poderá acompanhar a campanha pelas mídias sociais (@escuteseupulmao), com diversos conteúdos semanais exclusivos, com dicas e informações relevantes.

Asma

A enfermidade é responsável por mais de 100 mil internações ao ano no SUS. A OMS (Organização Mundial da Saúde) estima que 300 milhões de pessoas no mundo, incluindo crianças, sofram com a asma. Seu sintoma é caracterizado, principalmente, por dificuldade respiratória (falta de ar), tosse seca, chiado ou ruído no peito e ansiedade.

A asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas, que se tornam estreitas e com muco, comprometendo a entrada e a saída do ar dos pulmões. Já dito vários fatores ambientais e genéticos podem gerar ou agravar a asma. Entre os aspectos ambientais estão a exposição à poeira, aos ácaros e fungos, às variações climáticas e infecções virais. Para os fatores genéticos, destacam-se o histórico familiar de asma ou rinite. A obesidade também é um fator que se relaciona com a asma e sua gravidade.

Asma grave

A asma grave, quando não controlada, apresenta-se com exacerbações (episódios agudos) frequentes, exigindo intensificação do tratamento15 para evitar hospitalizações e limitações das atividades.

A asma grave, quando comparada com a asma leve ou moderada, provoca 20 vezes mais hospitalizações e 5 vezes mais chances de episódios de exarcebação.

Entretanto, mesmo a asma grave pode ser bem controlada. O paciente pode ter poucos ou nenhum episódio de crise e incômodo durante o dia e a noite, desde que o tratamento seja adequado e personalizado para seu caso, propiciando uma vida fisicamente produtiva, com boa qualidade de vida.

DPOC

Caracterizada pela bronquite crônica, enfisema pulmonar ou ambos os problemas, a DPOC acarreta na obstrução do fluxo de ar que interfere na respiração do indivíduo.

Hoje, a doença atinge 7 milhões de brasileiros e mais de 210 milhões de pessoas no mundo inteiro — sendo que essa deverá ser a terceira principal causa de morte no planeta, até 2020, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde.

Ainda muito desconhecida pela população e muitas vezes confundida com a Asma, a DPOC tem como principal fator de risco o tabagismo. Atinge pessoas majoritariamente após os 40 anos de idade, quando os primeiros sintomas começam a aparecer.

Diagnóstico da DPOC

A tosse é o sintoma mais encontrado, pode ser diária ou intermitente e pode preceder a falta de ar ou aparecer simultaneamente a ela. O aparecimento da tosse no fumante é tão frequente que muitos pacientes não a percebem como sintomas de doença, considerando-a como o “pigarro do fumante”. A tosse produtiva ocorre em aproximadamente 50% dos fumantes.

A falta de ar é o principal sintoma associado à incapacidade, redução da qualidade de vida e pior prognóstico. É geralmente progressiva com a evolução da doença. Muitos pacientes só referem a falta de ar numa fase mais avançada da doença, pois atribuem parte da incapacidade física ao envelhecimento e à falta de condicionamento físico Um dos principais problemas da DPOC deve-se ao fato da demora do diagnóstico da doença. Os pacientes demoram, em média, 17 anos para serem diagnosticados, comprometendo a qualidade de vida e a função pulmonar. O diagnóstico prévio é essencial para a prevenção da doença, evitando danos severos e irreversíveis.

Uma série de medidas e tratamentos medicamentosos podem manter a DPOC sob controle e, de acordo com as possibilidades e quadro clínico do paciente, devolve parte da função pulmonar. A medida mais importante para se evitar a DPOC é não fumar ou, sendo fumante, deixar de fumar.

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