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Investir em produção para banco de imagens é alternativa eficaz para faturamento na área de fotografia


RIBEIRAO PRETO/SP 28/08/2018 18h00

Paulo Vilella, fotógrafo de Ribeirão Preto (SP), ocupa o quarto lugar no País em número de imagens publicadas em banco de imagens, no que se refere à venda e em faturamento.

divulgação

Ribeirão Preto (SP), 28 de agosto de 2018 - Registrar fatos do dia, eventos, situações pessoais e sociais passou a criar uma nova mania nas pessoas do mundo atual: a fotografia, principalmente com o crescente uso de smartphones. Profissionais do mercado fotográfico apontam que esse crescente apelo das imagens tem estimulado um cenário profissional diferente. E alertam: é preciso estar atento às oportunidades que se adaptam na velocidade das mudanças do setor e saber usar as ferramentas que alavancam negócios.

A produção para bancos de imagens, por exemplo, sinaliza um nicho com excelentes alternativas de ganho e produção, “mas ainda não é bem utilizada pela maioria dos fotógrafos”. É o que afirma o fotógrafo Paulo Vilela que investiu seu tempo e energia para produzir imagens com padrão e qualidade para serem inseridas no principais bancos de imagens mundiais. E deu certo. Hoje, ele fatura cerca de U$ 48 mil por ano, além de seus ganhos com trabalhos constantes – principalmente na área de produção publicitária, seu principal foco de atuação - até descobrir os resultados de banco de imagens.

Paulo atua em Ribeirão Preto há 20 anos, teve formação em Publicidade e Propaganda, mas descobriu sua vocação para a fotografia muito antes. “Sempre gostei de fotografar – desde pequeno - e quando ganhei meu primeiro dinheiro trabalhando como office boy aos 17 anos, comprei minha primeira câmera semi profissional: uma Minolta manual. Eu a tenho até hoje”, conta. De lá para cá, as experiências do fotógrafo se diversificaram entre as produções jornalísticas e publicitárias. Seu primeiro emprego foi em jornal e depois passou a fotografar para coluna social de revista. No ano de 1999, direcionou a sua produção em fotografia para a área publicitária. E logo mais, no ano 2000, iniciou a carreira docente. “Dois meses depois de me formar, passei a ser professor de fotografia universitário”.

O fotógrafo lembra que o trabalho que impulsionou sua carreira foi uma produção para o grupo Votorantim, em 1999, quando registrou as fábricas de cimento do grupo em todo o Brasil. Com esse portfolio nas mãos, produziu fotos para empresas como Google, Oracle, Microsoft, Bertin, Democrata, Fiesp, entre outros.

“Na verdade não fui eu que escolhi a fotografia. A fotografia me escolheu. Sempre fiz fotografia com paixão, dedicação, sem nunca pensar no dinheiro. Pensava sempre em fazer o melhor possível e continuo fazendo da mesma forma, procurando entregar sempre mais do que o cliente me solicita”. O empenho profissional de Paulo o levou a apostar em novos nichos, tecnologias diferenciadas, formas de trabalho adaptadas às demandas de clientes e características do mercado.

“Ampliei os horizontes na fotografia, me especializei em áreas até hoje pouco exploradas, como a fotografia 360º (tour virtual)”. Essas experiências possibilitaram ao profissioanl produzir trabalhos de grande porte, como o Museu do Catelo Ra-tim-bum no Mis São Paulo; o Museu Candido Portinari (em três idiomas); Museu Felicía Leirner em Campos do Jordão (em três idiomas); Museu Índia Vanuíre, em Tupã (em três idiomas); um resort cinco estrelas na Argentina, entre outros.

Há seis anos, quando surgiram os primeiros drones, Paulo entrou nesse mercado e passou a fazer fotos e vídeos de todo o litoral Paulista, litoral Paranaense, Santa Catarina, Rio de Janeiro e Pará.

Com todas inovações que acompanhou em sua carreira, o fotógrafo afirma que o universo dos banco de imagens é que tem motivado seu trabalho a crescer. Esse mercado virou para ele um caminho de oportunidades, com crescimento rápido do faturamento mensal.

Ele começou a enxergar esse segmento em 2002, antes mesmo da criação dos grandes bancos como Shutterstock e Istockphotos. Com a evolução da Internet e já percebendo o crescimento desse mercado, o fotógrafo decidiu montar o seu próprio banco de imagens – o Foto Síntese. “Com isso, sempre preservei muito bem os meus arquivos, tanto os negativos, quanto os digitais”.

Paulo conta que, com o surgimento dos grandes bancos de imagens, foi percebendo que era impossível ter um banco próprio e viu se formar um mercado cada vez mais promissor, que por muitas vezes, ocupava exatamente a área em que atuava: a publicidade. “Decidi entrar para o primeiro banco de imagens mundial, o IstockPhotos, em 2012, de forma modesta e estudando o mercado, que até então era explorado somente por fotógrafos internacionais”.

Dois anos depois, ele entrou para o segundo banco, o Shutterstock e no primeiro mês vendeu seis imagens, o que resultou num ganho de apenas U$1,50 – valor nada atrativo para quem enxerga o mercado de fora. Mas resolveu ter paciência e aguardar o retorno. “Já no segundo mês, tive um crescimento de 3000% e faturei U$45”, diz. Foi aí que percebeu que o mercado prometia bons resultados e resolveu investir mais seu potencial para novas produções. “Nenhum outro negócio cresce 3.000% de um mês para o outro e aí intensifiquei as minhas produções. Terminei o ano de 2014 com 6.830 fotos vendidas e um ganho de U$ 3.850”, lembra.

Em 2015, Paulo entrou para mais oito grandes bancos e teve rápido crescimento de 550% no faturamento, passando de U$ 3.850 para mais de U$ 21 mil no segundo ano. “Depois disso, não parei mais e já vendi mais de 100 mil fotos e videos com um faturamento de U$ 150 mil em quatro anos”, relata. Atualmente, a média de faturamento do fotógrafo é de U$ 4 mil com vendas de mais de três mil fotos e vídeos por mês. Hoje, ele ocupa o quarto lugar no País em número de imagens (20.100) no que se refere à venda e em faturamento.

Para ele, esse novo mercado veio pra ficar e tornou-se o principal meio de compra de imagens e vídeos pelo mercado publicitário e editorial. “Como publicitário e fotógrafo de publicidade, tenho uma visão mais ampla para entender o que os compradores buscam em uma imagem, nas questões estéticas, de enquadramento, composição, tendênciais e emocionais para a venda de produtos e serviços”, comenta.

Paulo acredita que este nicho só tende a crescer, mas avalia que os fotógrafos brasileiros ainda não entenderam o seu verdadeiro potencial. “O que acontece é que os fotógrafos acham, na maioria das vezes, injustos os ganhos por imagem vendida, inicialmente centavos de dólares”, acrescenta. Ele também afirma que o fator linguístico inibe os profissionais, já que os bancos são na maioria americanos. A falta de conhecimento da língua inglesa, acaba sendo a maior barreira para entrar nesse mercado.

Atualmente, os maiores contribuidores do mundo nos bancos são os russos e os tailandeses e na ótica de Paulo Vilela há um campo emergente para os brasileiros. “O que os fotógrafos do nosso país precisam entender é que estamos falando de um mercado mundial de imagens. Portanto, os centavos podem se tornar milhares e até milhões de dólares”. Ele cita como incentivo o exemplo do fotógrafo e cinegrafista americano, Robb Crocker, que faturou em três anos, cerca de U$ 7 milhões com produções de vídeos para bancos de imagens mundiais. Acesse video do cinegrafista em acão: https://vimeo.com/86199323

Já experiente, Paulo ainda arrisca: “nenhum fotógrafo deve deixar a sua área para se dedicar somente à venda online de imagens. Deve explorar a sua área para produzir conteúdo para os bancos, aproveitando cenas que estão na sua frente e que de repente alguém no mundo possa precisar”, avalia. Segundo ele, em qualquer lugar é possível produzir fotos que possam vender nestes canais. “No meu caso, continuo atendendo ao mercado e a cada trabalho, seja ele em estúdio ou externa, encontro algum detalhe que pode virar conteúdo para vender pela internet”.

Como conselho final, o fotógrafo diz que os bancos de imagens só são lucrativos para quem é perseverante, pró-ativo e pensa em rendimento a médio e longo prazo. “Isso tudo com muito trabalho de qualidade”, conclui.

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