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Um terço das empresas na América Latina congelou ou adiou os aumentos salariais devido à crise provocada pela COVID-19


São Paulo 20/08/2020 18h06

• As projeções de percentuais de aumentos salariais na América Latina para 2021, embora um pouco mais otimistas, não atingem os percentuais planejados antes da COVID-19 para 2020

As empresas na América Latina reduziram os orçamentos para aumentos salariais em 2020 em resposta às implicações econômicas derivadas da COVID-19, de acordo com um estudo da Willis Towers Watson.

O mais recente relatório de Planejamento de Orçamentos Salariais, com a participação global de 15.000 empresas em 132 países, com mais de 1.500 delas distribuídas na América Latina, mostra que os orçamentos para reajustes salariais estimados para 2020 no começo deste ano, considerando as oito economias mais representativas da região, variavam entre 4% e 5,3%, com exceção da Argentina, que por suas características econômicas e inflacionárias, indicava 40% de aumento planejado. No entanto, o impacto econômico da pandemia resultou em uma redução no orçamento de incrementos salariais de até 1,9% como é o caso da Argentina e de 1,8% no Brasil. Para os demais países contemplados neste comunicado de imprensa, as reduções nos orçamentos oscilaram entre 0,2% para o Panamá e 0,6% para o Chile. Em relação ao Peru, observamos uma redução de 0,5% entre os orçamentos pré e pós-COVID-19 para 2020, para Colômbia 0,4% e para México e Costa Rica 0,3%.

O impacto econômico provocado pela pandemia não só levou as organizações a reduzirem o percentual de aumentos salariais, mas também levou 30% das empresas a congelar ou adiar os aumentos já orçados para este ano.

O contexto econômico da região têm sido o principal gatilho para as variações nos reajustes salariais. Embora os níveis de inflação estejam controlados na maioria dos países e apresentem taxas semelhantes às de anos anteriores, o Produto Interno Bruto tem sofrido maior impacto em 2020 em decorrência da pandemia, entretanto há uma expectativa mais otimista para 2021.

Esse otimismo é percebido globalmente entre as organizações, que esperam que os aumentos salariais em 2021 no mundo cresçam 0,67% em relação a 2020 e apenas uma em cada oito empresas indica que congelará os aumentos ou adiará a revisão salarial.

A projeção de reajustes salariais para 2021 na América Latina é reflexo da perspectiva de recuperação do mercado, atrelada às expectativas de crescimento e melhora econômica dos diversos países. Ainda que observado um certo otimismo, os países da região estão conservadores nas projeções de aumentos salariais, já que na maioria dos casos os percentuais estimados para o próximo ano ainda são inferiores às estimativas pré-COVID-19.

Com base neste cenário, o número de empresas que também planejam congelar os salários em 2021 deve ser menor do que o número de empresas que adotaram esta medida em reação aos impactos financeiros da COVID-19 em 2020. Em média, para os oito países citados acima, em torno de 11% das empresas reportaram que houve congelamento dos salários este ano, e para 2021 este percentual cai para 7,0%.

Sobre o panorama geral da América Latina, Christian Mattos, Líder Regional de Serviços de Dados da Willis Towers Watson, comenta: “Não é uma surpresa que muitas empresas estejam reduzindo orçamentos salariais este ano. A maioria das organizações ao redor do mundo está focada na preservação do fluxo de caixa e na otimização dos custos, sendo que muitas empresas nas economias mais importantes do mundo congelaram as contratações. A retomada dos reajustes salariais aos níveis pré-COVID-19 dependerá da confirmação da retomada da economia global e da melhoria das condições financeiras das empresas"

Comparativo por Indústria

Um comparativo global por indústrias mostra que os cinco setores mais afetados por aumentos salariais congelados ou prorrogados são varejo, mídia, hotelaria, automotivo e manufatura em geral.

Os setores menos afetados incluem seguros, bancos e serviços financeiros em geral, além dos setores farmacêutico e de bens de consumo.

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