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Burocracia regulatória exclui empresas brasileiras de participarem de licitação do Ministério da Justiça


São Paulo 26/08/2020 12h36

Conforme a Taurus vem denunciando, a falta de isonomia nas questões regulatórias e tributárias vem prejudicando a indústria nacional.

Em um período crítico de desemprego e crise econômica mundial, a burocracia brasileira dá larga vantagem à indústria estrangeira, aumentando a crise no Brasil.

O Ministério da Justiça através da Secretaria de Gestão e Ensino em Segurança Pública, reativou um edital que estava há mais de 8 meses parado, dando apenas 8 dias para as empresas se habilitarem, com especificações técnicas das pistolas diferentes daquelas definidas pela Secretaria Nacional de Segurança Pública - SENASP, do próprio Ministério da Justiça, resultante de audiência pública realizada exatamente com o propósito de fazer uma especificação técnica padrão do armamento adquirido pelo Governo.

O Edital acrescentou nas características técnicas dois detalhes que não constam das especificações anteriores, detalhes estes que a Taurus vem desde 24/05/2019 tentando junto ao Exército Brasileiro a homologação, sem que sequer os testes tenham sido realizados. Isso impede a empresa de participar da licitação. O contrassenso é que para as indústrias estrangeiras isso não é uma exigência.

Apesar de terem sido divulgados números mirabolantes e exponenciais, de prático o edital visa à aquisição de 6.500 armas, um pouco mais do que a produção de um dia da Taurus no Brasil. Esse não é o principal ponto da questão. Decisões como essas incentivam as empresas a saírem do Brasil e quem vai perder com isso é o país, com o aumento do desemprego e a diminuição da arrecadação.

Por esse motivo, a Taurus já está transferindo parte de suas linhas de produção para sua fábrica nos Estados Unidos. Este ano, já foram enviadas duas linhas de produção para a unidade americana. É lamentável essa decisão e nosso país perderá muito com isso, porém a atual regulamentação impõe essa realidade, produzir nos Estados Unidos e exportar para o Brasil.

A Taurus vive um momento muito positivo com recordes de vendas, produção, receita, lucro bruto e Ebitda e deverá conviver com esses números por algum tempo, pois possui pedidos "Back Order" de 852 mil armas, equivalente a 179 milhões de dólares, só de armas produzidas no Brasil, mais 208 mil armas em carteira de armas produzidas nos EUA, equivalente a 29 milhões de dólares, além de uma carteira no Brasil superior a 130 mil armas.

Segundo o presidente da Taurus, Salesio Nuhs, a licitação da SENASP no momento não atrapalha os resultados financeiros da empresa, que seguirá com sua gestão forte, garantindo resultados crescentes e consistentes, conforme recentemente publicados, porém lamenta o fato de ter que gerar empregos e riquezas nos Estados Unidos em virtude de uma legislação que hoje beneficia as indústrias estrangeiras de exportarem para o Brasil e sem nenhum compromisso com a geração de emprego e riquezas, mas ao contrário, em especial neste momento de crise de emprego e renda.

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