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Os veículos híbridos já são uma realidade. Mas, e agora, o que muda no segmento?


Lorena - SP 19/11/2019 11h10

Por: Junior Alves, empresário do ramo automobilístico há mais de 25 anos

A indústria automobilística tem se movimentado para reduzir seu impacto ambiental, diminuindo a emissão de CO2 na atmosfera, usando fontes de energias renováveis e empregando alta tecnologia na produção dos automóveis, só para citar alguns exemplos. Agora é a vez dos veículos híbridos, que marcam uma grande “virada” no segmento de manutenção automotiva.

A chegada da injeção eletrônica, em meados do ano de 1988, também marcou um momento de mudança no mercado. Na década de 1990, os veículos chegavam em nossas oficinas para consertarmos com sistemas operando eletronicamente. Eu, com meus 13 anos de idade e já uns três de profissão no ramo da manutenção, me lembro muito bem das “adaptações” que tivemos que fazer nas oficinas por falta de conhecimento e por não termos informações, já que não estávamos preparados para lidar com os sistemas de injeção de combustível, sistemas antipoluição, entre outros recursos de inovação das montadoras.

Os carros eram reparados de acordo com o conhecimento que tínhamos na época e, ao mesmo tempo, destruímos toda a tecnologia empregada a fim de reduzir os índices de poluição e performance. Quem nunca escutou de um amigo ou parente até os anos 2000: “Levei meu veículo ao mecânico, ele retirou o catalisador e o carro ficou ótimo! Aquilo não serve para nada, a não ser entupir”? Qual mecânico nessa época não guardava o pó retirado de dentro do catalisador e o vendia por um bom preço? Ali continham metais nobres e de alto valor, justamente responsáveis para a conversão catalítica e de redução de emissões.

O tempo passou, o ramo se adaptou e novas tecnologias entraram nas nossas oficinas. Cada vez mais, os motores estão aumentando a performance, diminuindo de tamanho, reduzindo o consumo de combustível e o nível de emissões. Por outro lado, os sistemas estão monitorados e mais finos, possibilitando que as oficinas se tornassem em grandes centros de diagnósticos, pois aquela “escutadinha” no motor não tem mais uma eficiência como antes. O desafio que vai balançar o mercado da reparação agora é diferente.

Veículos híbridos

A nova realidade propõe um conjunto misto entre máquina de combustão e elétrica. Sabemos que um motor a gasolina funciona a partir do Ciclo Otto, cerca de 30% de toda sua performance é transformado em energia de movimento. Os demais 70% são perdidos em energia térmica. O conceito híbrido tem como objetivo, justamente, diminuir esse desperdício gerenciando o funcionamento entre elétrico e de combustão.

Motores a combustão interna trabalham paralelamente com motores elétricos? Como funciona?

O sistema entende qual motor deve entrar em funcionamento a cada momento: uma hora é somente o elétrico, outra a combustão, ou então os dois juntos.

É um gerenciamento perfeito, que transforma energia cinética em energia elétrica, já que utiliza não só o motor a combustão para carregamento das baterias, mas também a energia gerada nas frenagens para executar a função. Assim, visa o consumo de combustível e reduz as emissões.

Aparelhos, ferramentas especiais, diagnósticos com interpretações não comuns fazem parte do nosso dia a dia. O que me preocupa é como a classe mecânica estará preparada para isso. Hoje, isso já é uma realidade e em pouco tempo, teremos esses veículos em nossa oficina.

As máquinas elétricas utilizam alta tensão com correntes elétricas que também são altas e isso resulta em uma grande potência, o que acaba colocando em risco a vida do reparador se o mesmo não obter informações e treinamentos.

O mercado sempre trabalhou de um jeito não formal, sempre consertou ou recuperou peças e acessórios de grande valor agregado. Mas desta vez como vai ser?

Máquinas elétricas sem conceito de reparação terão pela frente profissionais que estavam acostumados a abrir e recuperar. Teremos a difícil missão de propagar que isso não poderá mais acontecer devido aos riscos com a segurança do veículo e do reparador.

Essas adaptações que foram usadas por anos não serão mais aceitas. Nestes automóveis que tem propriedades próprias de não condutividade elétrica, simples intervenções como substituição de fluídos, gás do ar condicionado podem dar errado e colocar em risco a segurança do veículo.

O desafio agora é trazer a informação e conhecimento desse novo conceito para que, assim como nos motores a combustão, não utilizar somente os 30% de informação e jogar fora os outros 70%. O que precisamos é utilizar os 100% de informações técnicas e deixar para quem realmente executa as manutenções nos automóveis: o mecânico.


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