Negócios em Foco

Precisamos de mais mulheres nas áreas de STEM


San Francisco, Califórnia, EUA 08/03/2019 07h44

Por Shelley Osborne*, Diretora de Ensino & Desenvolvimento na Udemy

Divulgação: Udemy

O rápido progresso tecnológico dos dias atuais, somado à transformação digital pela qual a maioria dos setores econômicos está passando, significa que muitos empregos estão mudando e até novos perfis profissionais estão surgindo. Esses novos papéis e as novas responsabilidades que os cargos existentes têm que enfrentar têm algo em comum: eles geralmente requerem treinamento em áreas específicas, nas chamadas “STEM”, acrônimo em inglês para Ciência (Science), Tecnologia (Technology), Engenharia (Engeneering) e Matemática (Mathematics).

A expectativa é que estes campos tenham um grande futuro no mercado de trabalho visto que os índices de desemprego sejam mais baixos do que em outros setores ao longo dos últimos anos. Para tornar este cenário ainda mais pessimistas, de acordo com um estudo realizado pelo Fundo Malala, cerca de 65% das meninas e jovens mulheres com menos de 24 anos em todo o mundo não têm acesso às habilidades consideradas fundamentais para as profissões do futuro. Isso significa quase um bilhão de mulheres sem essas oportunidades.

Analistas de dados, desenvolvedores, especialistas em robótica, engenheiros... Todos esses são perfis altamente exigidos e que dispõem de altos salários. No entanto, de acordo com uma pesquisa realizada pela Randstad Research, durante os próximos anos o número de graduados nas áreas de STEM deve cair a uma taxa anual. Isso significa que as empresas terão dificuldades em encontrar perfis para esse tipo de vaga. Levando em conta essas circunstâncias, a presença de mulheres nesses campos torna-se essencial para reduzir a lacuna de gênero no cenário laboral, mas por que a representação das mulheres nesses trabalhos e estudos ainda é especialmente baixa?

De acordo com um relatório da UNESCO, apenas 35% dos estudantes matriculados no ensino superior em estudos relacionados com as STEM são mulheres. Tradicionalmente, pensava-se que essa relação tinha a ver com qualidades ligadas ao gênero, o que significa que essas ocupações exigiam habilidades às quais as mulheres não tinham um dom específico. No entanto, um estudo realizado pela Universidade de Stanford desmantelou esses mitos e apontou diretamente para o sistema escolar, o sistema de classificação e para os estereótipos sociais como as causas.

Talvez a falta geral de conhecimento sobre referências femininas nesses campos e os estereótipos sociais tenham levado as mulheres a optar por outras profissões. Para evitar esses estereótipos, tão presentes na mídia, nos filmes, etc., o papel da educação é essencial desde a infância. Por outro lado, hoje em dia, as possibilidades que as novas tecnologias abriram para aprender nessas áreas são muito amplas. Por exemplo, qualquer mulher pode redirecionar seu futuro profissional aprendendo habilidades de desenvolvimento web graças às plataformas de e-learning. Ou talvez na análise de dados, em Inteligência Artificial, Machine Learning...

Alguns dados mostram, no entanto, que, em vez de diminuir, essa lacuna se abre mais e mais. Por exemplo, de acordo com a Fundação do Conhecimento e Desenvolvimento (CYD), enquanto no ano letivo de 2006-2007 a presença feminina em cursos de STEM foi de quase 33%, no ano acadêmico de 2016-2017, uma década depois, o número permaneceu em 31.6%, o que demonstra a importância de esforçar-se por alcançar a igualdade nestas áreas, que são cruciais para o futuro da sociedade, em que as mulheres têm muito a contribuir.

*Shelley Osborne é Diretora de Aprendizagem e Desenvolvimento na Udemy, onde ela criou uma cultura baseada no desenvolvimento contínuo com uma mentalidade de crescimento. Ela tem mais de 15 anos de experiência no setor da educação. Anteriormente, ela foi Vice-Presidente de Aprendizado e Desenvolvimento da Farside HR Solutions, especializada em gestão de talentos, treinamento e desenvolvimento de habilidades para startups. Shelley tem um mestrado em Educação pela Universidade de Calgary e é formada em Educação pela Universidade de Alberta.


Mais informações:

Contato | Anuncie
Copyright © 2021 | Todos os direitos reservados.

Negócios em Foco

Notícias empresariais

Localização
São Paulo - SP, Brasil

E-Mail
redacao@negociosemfoco.com