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Aumenta o número de mulheres na meia idade saindo do armário


397 17/07/2018 13h25

A ideia de se apaixonar por outra pessoa do mesmo sexo pode nunca ter ocorrido antes para muitas pessoas do sexo feminino que hoje se encontram em relacionamentos homoafetivos. No começo, a mulher, até então, heterossexual, não tem certeza se esse sentimento é por mulheres em geral, ou apenas por uma em particular. E aos poucos percebem que ser bissexual não é nada incomum.

Ao passar por essa experiência, em busca de explicações a autora, jornalista e blogueira Liliane Ribeiro da página Papo Reto, decidiu entrevistar outras mulheres que se apaixonaram por mulheres e frequentam aplicativos de namoro. “As mulheres de todo país começaram a me contatar, fiquei impressionada com a quantidade de pessoas que conhecia alguém, que conhecia alguém nessa situação, ou passavam por isto. "Se você viesse me perguntar há dois anos sobre isso eu teria respondido que sei exatamente quem e o que eu sou e terminaria a frase com um célebre – que nojo!” disse a autora.

Muitas das saídas do armário começam depois dos 30 anos ou mais e isso tem atraído à atenção crescente da mídia nos últimos anos, virando assunto de novelas, filmes etc. Isto se dá em parte, devido ao número de atrizes que falam abertamente sobre suas paixões após seus relacionamentos heterossexuais. Na terra do Oscar, por exemplo, Cynthia Nixon, que interpretava Miranda em Sex and the City, vivia um relacionamento heterossexual por 15 anos, teve dois filhos, antes de se apaixonar por sua atual parceira, Christine Marinoni, em 2004. A atriz Portia de Rossi era casada com um homem antes de assumir sua bissexualidade e se apaixonar pela comediante e apresentadora de talk shows Ellen DeGeneres, com quem se casou em 2008. Fernanda Gentil assumiu, em 2016, o namoro com a também jornalista Priscila Montandon. Bruna Linzmeyer, Daniela Mercury a jornalista Malu Verçosa, estão em outros casais anteriormente héteros que hoje esbanjam alegria e cumplicidade em seus relacionamentos. Recentemente foi notícia internacional o primeiro casamento entre mulheres realizado no Hotel Copacabana Palace em seus 95 anos de história. Em uma cerimônia judaica a farmacêutica Roberta Gradel e a economista Priscila Raab trocaram alianças.

O assunto tem atraído também à atenção acadêmica A Associação Americana de Psicologia, em San Diego, possui uma série de pesquisas e estudos sobre a vida de mulheres que experimentaram a atração pelo mesmo sexo depois de terem casado com homens (http://www.apa.org/monitor/2012/12/later-life-sex.aspx).

Um dos estudos concluiu que "uma mulher heterossexual pode fazer uma transição completa para uma identidade bissexual”. Quando uma pessoa “sai mais tarde do armário” as pessoas dizem que essa, sempre foi gay ou bissexual e que apenas escondia ou reprimia seus sentimentos. Mas a ciência e a psicologia vão de encontro à sabedoria popular. A sexualidade é mais fluida e mutável do que se suspeita em muitos casos. A possibilidade de atravessar fronteiras sexuais aumenta à medida que as pessoas envelhecem talvez por se tornarem mais expansivas e independentes.

“Cada uma das 90 mulheres que conversei e que passaram por uma transição disse não ter sido algo tão simples. Eu acho que a cultura tende a acumular mudanças e escolhas, como se fossem o mesmo fenômeno, mas não são. A puberdade envolve muita mudança, mas você não a escolhe. Há transições de curso de vida que estão além do nosso controle”, disse a escritora.

A afirmativa comum a todas as mulheres entrevistadas foi: "eu me apaixonei pela pessoa e, não pelo gênero". O gênero é amplamente irrelevante na escolha de parceiros sexuais. Os valores estão além do sexo. Ecoa entre as mulheres bissexuais, que auto se intitulam sapatões, que os relacionamentos com mulheres são muito mais intensos do que com o sexo oposto. A maioria das mulheres com quem conversei estão felizes com suas mulheres e, encontraram um contentamento que nunca haviam experimentado em seus relacionamentos anteriores. Enquanto algumas pessoas acham que a mudança é ameaçadora outras dizem ser excitante e libertadora.

É claro que a noção de que sua sexualidade pode mudar completamente não é bem-vinda por todos; A homoafetividade ainda é muito estigmatizada, e a noção de que você talvez não saiba tudo sobre você é aterrorizante. É muito difícil para as pessoas aceitarem existe toda uma carga cultural e religiosa que mantém tanto homens como mulheres em uma vida dupla. É por isso que pesquisas nessa área são tão importantes.

No caso da bissexualidade, segundo a escritora e blogueira Liliane Ribeiro, “as mulheres na idade adulta são as mais propensas a vivenciarem novas experiências independentemente do que tenha acontecido no passado.” A escritora, 51 anos, em seu primeiro relacionamento gay se casará em setembro na cidade do Rio de Janeiro com Míriam Gomes, 54 anos e conta com o apoio dos filhos de ambas. A festa promete abalar a cidade do Rio de Janeiro e contará com a presença de famosos. “Sinto que sou excelência quando o assunto é amor” brinca a escritora que escreve sobre o tema relacionamento e empoderamento feminino. “Se for para sofrer ou para morrer, que seja por amor".


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