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Por que os negócios precisam compreender o que é a edge?


São Paulo 23/04/2020 10h46

Cada vez mais, é preciso estar próximo do usuário final para garantir a melhor performance

Tudo acontece na edge - Divulgação

Chiaren Cushing, Diretora de Mobile Services & IoT na Equinix

Nossa economia digital global encontra-se em um período de enorme convergência — uma convergência que está unindo as tecnologias física e virtual, os ecossistemas digital e de negócios e os usuários dentro e fora dos data centers. Seja um carro autônomo enviando dados para uma empresa de seguros ou um paciente conversando com seu médico por meio de um aplicativo de telemedicina em um tablet, uma coisa é certa: quanto mais intimamente a tecnologia subjacente puder estar interconectada de maneira direta e segura ao ponto final (pessoa, dispositivo ou aplicação), melhor será a performance e a experiência do usuário.

Por que a edge se tornou importante?

A edge - ou borda - não é algo tão novo assim. A computação de edge existe desde a década de 1990, quando redes de distribuição de conteúdo (CDNs) começaram a fornecer conteúdo online (jogos, vídeos etc.) em local mais próximo dos usuários para reduzir a latência e aprimorar a performance. Desde então, ficou extremamente claro que aplicações sensíveis à latência exigem proximidade. Essas aplicações incluem pagamentos digitais, comunicações e colaboração unificadas (UCC), inteligência artificial (IA) e automação em todos os campos.

E não se trata apenas da proximidade com os usuários: aplicações sensíveis à latência também precisam estar o mais próximo possível dos sistemas de apoio, das aplicações e das clouds privadas e públicas. O Gartner estima que, até 2022, mais de 50% dos dados gerados por empresas serão criados e processados fora do data center ou da cloud.

A computação sem fio permitiu que a internet das coisas, smartphones, Smart TVs, robôs, veículos conectados e sistemas de realidade virtual e realidade aumentada se tornassem comuns. Mas é a capacidade de se conectar a eles, algo que as operadoras apelidaram de last mile (último quilômetro) entre a rede corporativa e os usuários, que é essencial para o seu sucesso. Isso significa que as empresas não podem se concentrar apenas no desenvolvimento de produtos; também precisam dominar a forma de conectar esses produtos entre seus usuários e as plataformas de digital edge que os tornam tão valiosos.

Tudo acontece na edge

Abaixo alguns dos principais casos de uso que estão redefinindo a edge:

Carros autônomos

A Sociedade de Engenheiros Automotivos define seis níveis de automação de condução de automóveis, que vão de 0 (totalmente manual) a 5 (totalmente autônomo). O Nível 5 requer menos de 5 milissegundos (ms) de latência em suas comunicações para ser eficiente. Isso significa que espalhar os dados do veículo conectado entre cidades diferentes para corrigir um defeito em tempo real simplesmente não vai funcionar. Por exemplo, os dados levam cerca de 11-12 ms para ir de Belo Horizonte a São Paulo, portanto uma única transação levaria 24 ms para ir e voltar. É tempo demais para um veículo autônomo responder de modo a evitar uma colisão. Seria necessário um link 5G de alta capacidade e uma viagem de ida e volta em milissegundos de um só dígito entre o carro e o sistema de monitoramento para proporcionar uma autonomia real (e segura).

Salas de aula virtuais

A pandemia de COVID-19 interrompeu a educação de quase 300 milhões de estudantes em todo o mundo. Programas de aprendizagem online e por streaming substituíram as aulas presenciais. Os provedores de comunicação unificada, como o Zoom e o Microsoft Teams, estão fornecendo salas de aula virtuais para as crianças que estão em casa e também locais de reunião digitais para seus pais, que agora fazem parte de uma crescente força de trabalho remota. E a educação virtual não está limitada apenas à leitura, escrita e matemática: grupos de estudo da Bíblia e igrejas online também estão proliferando pelo mundo no YouTube, no Facebook e no Zoom. Não importa onde as pessoas se encontravam para aprender: o encontro agora é virtual.

Internet das coisas que salva vidas

Não existe um lugar mais afastado da edge do que um poço de petróleo no meio do nada. E é lá que a internet das coisas (IoT), a IA, a aprendizagem de máquina, a computação na edge e a interconexão rápida e de baixa latência são essenciais para salvar vidas. Os sensores de IoT podem monitorar os sistemas ambientais de poços de petróleo e processar dados e análises em tempo real, transmitindo informações críticas às estações de controle remotas para ajudar na prevenção de quedas de energia ou desastres potencialmente fatais.

Triagem de telemedicina

A crise global de saúde acelerou a necessidade de diagnóstico e tratamento médico. A telemedicina traz o tratamento, a consulta médica e determinados exames para os domicílios das pessoas, conectando-as aos profissionais de saúde online. Isso permite que pessoas possivelmente contagiadas não espalhem a doença indo a um hospital ou clínica e ainda assim se consultem e/ou sejam tratadas por um médico ou enfermeiro.

A edge sem limites

Nossa expectativa é de que a edge continue evoluindo à medida que surgem novos casos de uso, como computação móvel na edge, servidores bare metal, micro data centers e serviços digitais distribuídos, como a sincronização de sistemas como serviço. Desmistificar o assunto é fundamental para que os líderes possam dar os passos necessários para serem bem-sucedidos em um mundo que vive e trabalha cada vez mais na edge.

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