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PPI faz avanços, mas os investimentos em infraestrutura ainda são insuficientes no Brasil, reporta Felipe Montoro Jens


09/02/2018 10h35

Para o presidente da Abdib, Venilton Tadini, o Programa de Parcerias e Investimentos não é suficiente para deixar os 25 anos de mau planejamento para trás

Acelerar o Programa de Parcerias e Investimentos (PPI) foi a maneira que o governo brasileiro encontrou para retomar a geração de empregos no país. O especialista em Projetos de Infraestrutura, Felipe Montoro Jens, reporta que, segundo cálculo feito pelos gestores do programa, as concessões já assinadas nos setores de logística, energia e petróleo devem gerar, ao longo dos próximos 30 anos, cerca de 578 mil postos de trabalho.

Ainda, conforme o balanço divulgado no último mês de novembro, 70 dos 145 empreendimentos qualificados no PPI já foram leiloados por meio de renovações, prorrogações antecipadas e privatizações, destaca Felipe Montoro Jens. O número representa um percentual de 48% de execução do cronograma previsto pelo Programa de Parcerias e Investimentos. A estimativa do governo é que os investimentos alcancem o valor de R$ 142 bilhões e as outorgas mais R$ 28 bilhões.

Infraestrutura e emprego

De acordo como a Fundação Dom Cabral, escola de negócios brasileira, caso o Brasil destravasse os investimentos em infraestrutura, cresceria em torno de 1% ao ano, chegando, assim a um crescimento de 10% em uma década, ressalta o especialista Felipe Montoro Jens. Na época da divulgação desse estudo, o coordenador do trabalho, Paulo Vicente, ressaltou que para um Produto Interno Bruto (PIB) de R$ 6 trilhões, seria como se o país, em um ano, adicionasse em sua economia o valor de cerca de R$ 60 bilhões, ou então R$ 600 bilhões em uma década.

Insuficiência

Contudo, segundo dados do chamado GI Hub – um órgão criado pelo grupo de 20 países mais ricos do mundo, o G20 – revelam que o Brasil faz investimentos que chegam apenas a 56% do que é necessário para a infraestrutura no país. Trata-se de uma lacuna de 44%, acentua Felipe Montoro Jens.

O presidente da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), Venilton Tadini, salienta que o problema é a falta de projetos bem estruturados, que tenham racionalidade econômica e volume suficiente para atrair investimentos.

“Os projetos licitados até agora foram um sucesso nas mais diversas áreas, como exploração de petróleo e linhas de transmissão de energia. Mas são insuficientes diante da necessidade de infraestrutura nos três níveis de governo”, frisou Tadini. Para ele, não é possível retomar o setor de maneira efetiva sem a ação do Estado.

Ainda para o presidente da Abdib, mesmo que se tenha obtido avanços, o PPI não é suficiente para deixar os 25 anos de mau planejamento para trás. Falta definir prioridades, ressaltou Venilton Tadini. “Esse é um dos setores que mais geram emprego. No entanto, investe-se hoje em infraestrutura 1,5% do PIB, enquanto que a média mundial é de 5%. Estamos muito longe, com defasagem de R$ 200 bilhões por ano”, alertou Tadini.

Felipe Montoro Jens reporta, no entanto, que, segundo Venilton Tadini, este ano, a situação da infraestrutura pode piorar no que diz respeito à participação dos entes públicos. Isso porque a arrecadação segue caindo e, para adequar os recursos às demandas, os orçamentos estão sendo refeitos.

“Podemos acelerar vários projetos junto aos municípios e na esfera estadual, mas existe uma limitação pela própria natureza do setor de infraestrutura, que depende de investimento público. Por isso, é preciso ter atenção com o tipo de ajuste fiscal que se espera”, ponderou o presidente da Abdib. Ele acentuou que no caso do ajuste ser feito para cortar investimentos em infraestrutura, o governo até poderá ter recursos para pagar as aposentadorias. Entretanto, poderá também faltar luz dentro da casa das pessoas.


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