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Livro aborda estudo inédito sobre o lado místico do varejo brasileiro


São Paulo - SP 20/10/2020 14h59

Imagem para as redes sociais - Divulgação

Uma cruzada silenciosa vem revolucionando o varejo brasileiro, resultando o desempenho econômico exemplar de três estrelas de destaque no ranking desse segmento, abordadas no livro “O lado místico do comércio”. Lançada pela Editora Appris, a publicação de autoria do antropólogo e consultor Maroni João da Silva, analisa o impacto da cultura do Carrefour, da Lojas Renner e do Magazine Luiza em seus negócios, turbinado por fatores estratégicos que extrapolam a racionalidade econômica.

A obra é fruto de tese de doutorado do autor, em Ciências Sociais pela PUC-SP, concluída em 2017. A pesquisa busca desvendar a ligação e o efeito da crença e da fé com os rituais de treinamento do Magazine Luiza, com o altruísmo que estimula os voluntários do Carrefour e com o “encantamento” de clientes praticado na Lojas Renner.

Por meio dessas três portas de entrada do sagrado, segundo o autor, essas companhias instituíram um novo espírito do capitalismo, ancorado na religiosidade. “É como se em pleno século XXI estivéssemos observando uma versão pós-moderna da ética protestante que alavancou o capitalismo ocidental, no século XIX”. Ainda segundo o autor, a agregação de valor aos negócios, motivada por esse “novo espírito”, ocorre ao facilitar o cumprimento dos objetivos econômicos e reforçar a reputação das empresas perante os stakeholders.

Trata-se de uma força que opera por trás da burocracia, alimentada por dinâmicas motivacionais de perfil lúdico, inspiradas no fluxo de imagens e símbolos da globalização. Esse poder invisível facilitou a internalização de um novo modus operandi nas empresas analisadas, potencializando o desenvolvimento e a implementação de tecnologias inovadoras de gestão de recursos humanos.

O autor acrescenta que sua tese contribui inclusive para um entendimento mais aprofundado das organizações que sucederam modelos de negócio inaugurados pelas tradicionais lojas de departamentos. Para se reinventar no varejo brasileiro, as companhias pesquisadas resgataram parte da herança cultural daquele estilo de operação comercial, segundo o autor. Mas adotaram práticas relacionais holísticas e, portanto, distintas em comparação com a cultura da Mesbla e do Mappin, por exemplo, dois ícones da época, tragados pela falência econômica e incapacidade de inovação.

Quem é o autor

Maroni João da Silva é sócio-diretor da Textocon, Comunicação & Cultura Organizacional, autor do livro Magazine Luiza Negócio & Cultura e coautor de Gestão de pessoas no século XXI: desafios e tendências para além de modismos. Fez mestrado e doutorado na PUC-SP, em cultura organizacional, e pós-graduação lato sensu na Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, sobre em Globalização e Cultura. É jornalista e sociólogo, pela PUC-RS, e técnico em Contabilidade, pela Escola de Comércio Dom Feliciano (RS). Lecionou jornalismo econômico, na Faculdade Cásper Líbero, Comunicação e Cultura Organizacional, na FMU, foi editor-assistente de economia na Folha de São Paulo, repórter do Jornal da Tarde e colaborador da Agência Estado. Em Porto Alegre, trabalhou como repórter de Zero Hora e da Folha da Manhã, editor na Rádio Gaúcha e redator das rádios Continental e Farroupilha.

Lançamento online dia 28/10, às 10h pelo: facebook.com/maronij.silva

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