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Projeto Alma Brasileira leva MPB para estudantes da rede pública de Brasília


Brasilia/DF 22/10/2018 14h13

A proposta chega a Brasília (DF), após passar por 25 países

Através de oficinas, concertos, palestras musicadas e vivências, o projeto oferece aos estudantes do ensino público, entre 12 e 18 anos de idade, o primeiro contato com a música brasileira.

Estudantes de escolas da rede pública de ensino de Brasília (DF), entre 12 e 18 anos de idade, estão tendo a oportunidade, desde o final de setembro, de uma vivência intensa com a arte. Pela primeira vez, o Projeto Alma Brasileira (Edição DF) acontece em cinco escolas de diferentes regiões da cidade (Ceilândia, Gama, Plano Piloto, Samambaia e Taguatinga). O objetivo é propiciar aos alunos descobertas e transformação através do contato sensorial com a música. Ao todo, a temporada promove oito apresentações e ainda neste final do mês de outubro, acontecem espetáculos e oficinas em mais três escolas: no dia 22, na Escola Parque 304 Norte, no Plano Piloto; no dia 26 na Escola Maria do Rosário, Ceilândia; com término no dia 29 de outubro, CEM 414 Samambaia, todos os dias às 14h.

O projeto, que foi configurado para promover concertos, palestras musicadas e oficinas de percussão, viabiliza aos estudantes o contato com a música brasileira. Para muitos, esta é até a primeira apresentação musical que assistem, o que sensibiliza e desperta emoções, conforme percepções da equipe envolvida. A proposta vai além da aproximação com o público e gera um entendimento mais amplo sobre a cultura local e a miscigenação étnica que estão nas raízes da MPB.

Para Cesar Augusto de Souza Oliveira, professor e coordenador do grupo musical da Escola Parque na Ceilândia, que acompanhou a apresentação do Alma Brasileira no dia 16 de outubro, este modelo de projeto cultural é muito enriquecedor para o aprendizado dos estudantes. “Nossos alunos estão precisando muito deste contato com a arte e com a apresentação dos ritmos brasileiros. Eles passaram a conhecer o que há de melhor na nossa música brasileira – aprendizado essencial para os dias de hoje”, comentou.

O repertório é formado por música brasileira instrumental e tradicional, desde Chiquinha Gonzaga a Egberto Gismonti e propicia uma viagem através da história do brasileiro tendo a música como fio condutor. Choro, samba, frevo e alguns estilos só percussivos são apresentados - com a participação dos alunos das oficinas de percussão - como o samba batucada e o ijexá.

A professora Laura Cibele Leal Rodrigues, coordenadora do projeto social (PESC) - Programa Esportivo Social e Cidadania que funciona no Sesc Gama, diz que os alunos adoraram e que a atividade realizada no dia 8 de outubro foi diferente para eles. “O projeto é maravilhoso e deu até para gente ver quem tem um talento para a música”, comenta.

Despertando a vivência musical

Criado em 2005, o Alma Brasileira já foi apresentado em mais de 25 países e em diversas cidades brasileiras, universidades, escolas do ensino médio, conservatórios e CEBs (Centros de Estudos Brasileiros no exterior). Países como Egito, Síria, Líbano, Bélgica, Holanda, Irlanda, Suécia, Hungria, Azerbaijão, Jordânia, França, Moçambique, Nova Zelândia, Guatemala, entre outros, já receberam o projeto.

Nesta edição, o espetáculo integra artistas do Trio Baru e Camerata Caipira, grupos que são referências na música, com projeções nacionais e internacionais. São eles: Nelson Latif, no cavaquinho; Bosco Oliveira, no violão; Sandro Alves e Ismael Rattis, na percussão. Todos apresentam experiências como professores de música e arte-educadores.

Desenvolvido e projetado pelos artistas responsáveis, o Alma Brasileira conta ainda com fomento do Fundo de Apoio à Cultura (FAC) e da Secretaria de Cultura do Distrito Federal.

Apresentado pelo Coletivo Educação pela Arte, o Alma Brasileira - Edição DF reúne apresentações com oficinas de percussão, seguidas de palestras musicadas sobre a História do Brasil moderno, tendo a música como fio condutor. Segundo o coordenador do projeto e também músico, sociólogo e gestor cultural, Nelson Latif, a ideia é proporcionar aos estudantes e ao público em geral, o primeiro contato com a música tradicional brasileira. "São oficinas de percussão e palestras musicadas, oferecendo subsídios artísticos e teóricos para entender o desenvolvimento cultural do nosso País”, explica.

Dessa forma, o projeto utiliza a música como elemento didático, visando a formação de plateia através da sensibilização frente às manifestações culturais brasileiras, com a combinação de dois vetores: oficinas musicais e ações educativas. "Acreditamos que essa combinação de ações é um passo na direção de um maior desenvolvimento artístico e intelectual, musicalizando nossos jovens e proporcionando um maior conhecimento dos estilos de raiz brasileira", destaca.

Latif avalia que, no Brasil a exposição à arte de qualidade no ensino público, seja no Distrito Federal ou em todo território nacional, é escassa. “O resultado é uma realidade com adolescentes desculturados, com pouco conhecimento dos fundamentos da música, da dança, e da cultura de seu País”, alerta.

Complementando a oficina, o projeto realiza ainda a palestra musicada “Vereda da Música Brasileira”, que explica o desenvolvimento histórico, artístico e social do Brasil, adaptada à faixa etária e ilustrada com passagens musicais e causos curiosos da música brasileira.

Na ótica do idealizador do projeto, Nelson Latif, a expectativa com o desenvolvimento do projeto é que a união de professores experientes e conhecedores da realidade do Distrito Federal, com metodologia específica e contemporânea, seja um passo assertivo na direção de um melhor aprendizado da cultura brasileira. “Uma ação frente à carência de projetos correlatos na rede pública de ensino da capital federal. Ainda, temos certeza que, uma vez concretizado o objetivo desse projeto, teremos dado um passo, que embora pequeno, ruma à capacitação artística e cognitiva da atual geração de estudantes da cidade e para a formação de plateia futura”, conclui o artista.

A professora de matemática, Amanda Oliveira Fonseca, que teve a oportunidade de conhecer a proposta ao lado de seus alunos do CEF 04, Taguatinga, no dia 11 de outubro, disse que a música e apresentação dos músicos envolveram todos os presentes. “O projeto é lindo e nossa escola gostou bastante”, conclui.

ARTISTAS DO ALMA BRASILEIRA

Bosco Oliveira

Músico e professor de violão da Escola de Música de Brasília há 20 anos.

Nelson Latif

Músico, sociólogo (USP) e gestor cultural (UNC), trabalhou por 27 anos na instituição Holandesa Uit de Kust, coordenando oficinas de percussão e de música brasileira para estudantes europeus.

Ismael Rattis

Percussionista e licenciando em educação na UnB, percorreu o Brasil ministrando oficinas de percussão pelo Projeto Eu Faço Cultura, patrocinado pela Caixa Econômica Federal.

Sandro Alves

Percussionista carioca radicado em Brasília há 10 anos, foi um dos fundadores da Escola de Samba Tradição e ritmista da Escola de Samba Portela desde criança.

AGENDA

Alma Brasileira – DF (Participação gratuita / Classificação Livre)

22/10 / 14h: Escola Parque 304 Norte / Plano Piloto

26/10 / 14h: Escola Maria do Rosário / Ceilândia

29/10/ 14h - CEM 414 Samambaia

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