Negócios em Foco

Estratégias para ganhar o Oscar: de olho na estatueta, Netflix estuda até comprar cinemas


São Paulo - SP 03/12/2018 09h21

Para atingir a Academia de Hollywood, a gigante do streaming Netflix investe alto em produções originais e planeja até comprar cinemas

Fundada em 1997 e conhecida por revolucionar a indústria do cinema, a Netflix começou entregando DVDs pelo correio. Hoje, a empresa já ultrapassou US$ 100 bilhões em valor de marca no mercado e conquistou uma base de mais de 110 milhões de assinantes no mundo todo. Em 2018, depois de atingir o maior crescimento trimestral da sua história (8,3 milhões), a gigante do streaming não se deu por satisfeita e agora mira outro objetivo grandioso: as estatuetas do Oscar.

Depois de ter apostado em produções e séries próprias, como “Bright”, com Will Smith, um dos filmes mais vistos do seu catálogo, a Netflix reforça sua promessa de continuar investindo em conteúdo original. Só neste ano, a marca prometeu gastar US$ 8 bilhões para oferecer 50% de material próprio, produzindo cerca de 20 novos filmes. E para chegar às tão sonhadas nomeações para o Oscar, a Netflix, além de produzir filmes imperdíveis, vem adotando outros esforços. O próximo passo, segundo fontes do jornal Los Angeles Times, será a compra de cinemas em metrópoles como Nova York e Los Angeles para aumentar suas chances de ganhar o Oscar.

Com essa estratégia, a Netflix visa promover seus filmes e documentários com mais intensidade. Dessa forma, eles obteriam o alcance e divulgação necessárias para sair na frente na corrida por prêmios e indicações ao Oscar. Ao seguir nessa tendência, caso a notícia seja confirmada, a Netflix agiria justamente contra um dos seus maiores pilares, que é a exibição de conteúdo online. Entretanto, com uma das histórias de sucesso mais famosas dos últimos tempos, a gigante do streaming pode mostrar mais uma vez que acertou com a nova estratégia. Afinal, com respeito e responsabilidade, a Netflix já obteve a marca de mais de 125 milhões de horas de filmes e séries assistidos por mês em mais de 190 países.

Do streaming ao Oscar: a busca da Netflix

Em sigilo total, a nova aposta da Netflix pode se concretizar com a aquisição de cinemas da rede Landmark, em Los Angeles - conhecidos justamente por atrair membros da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas na terra do tio Sam. Apesar de não ter se pronunciado oficialmente e inclusive ter negado qualquer interesse, a notícia foi anunciada durante outra novidade - desta vez, negativa para a marca. Por conta de uma antiga regra do Festival de Cannes restaurada recentemente, que determina que apenas os filmes que estrearam ou irão estrear nos cinemas da França poderão concorrer nas categorias do evento, diversas produções Netflix tiveram que ser retiradas da programação do Festival.

Por se tratar de um dos maiores festivais de premiações do circuito internacional, a perda da chance de estar em Cannes pode ter sido um duro golpe para a Netflix. Afinal, isso afeta seus planos de concorrer e ganhar estatuetas do Oscar, o que pode ter impulsionado a estratégia da empresa de expandir seu negócio para os cinemas físicos, mesmo com o sigilo dos seus executivos sobre o assunto. Ainda não há razões exatas para o desejo da Netflix abocanhar a estatueta dourada, mas uma boa razão é que a marca ultrapassou a HBO em indicações ao Emmy, um dos principais prêmios da TV americana - e isso pode ter deixado a Netflix ambiciosa e de olho no Oscar.

De olho na premiação, a companhia contratou Lisa Taback, a principal estrategista de Hollywood. Seu histórico é promissor: ela já trabalhou na Miramax nos anos 1990 e entre suas tarefas estavam indicações à Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. Sua fama também provém de atuar com produtores premiados como Bob e Harvey Weinstein - o último, envolvido em polêmicas após sua indiciação por assédio sexual. Com eles, Taback realizou estratégias para a sua empresa, a The Weinstein Company, porém a relação foi findada após os escândalos sexuais sobre Harvey virem à tona.

Em seguida, a profissional prosseguiu com a sua própria consultoria. Há boatos em Hollywood de que as indicações de La la Land e Moonlight ao Oscar de 2017 são de sua autoria. Na Netflix, Taback deverá incorporar o time de talentos com o diretor de conteúdo Ted Sarandos. Outro indício de que a marca mira o Oscar é que a contratação da executiva ocorreu antes da temporada da premiação nos EUA, antecedendo o período em que são lançados os filmes com mais chances de concorrer ao maior prêmio mundial do cinema. Se a Netflix irá vencer ou não essa batalha, somente as cenas dos próximos capítulos poderão nos dizer.

Contato | Anuncie
Copyright © 2020 | Todos os direitos reservados.

Negócios em Foco

Notícias empresariais

Localização
São Paulo - SP, Brasil

E-Mail
redacao@negociosemfoco.com