Negócios em Foco

Inteligência artificial: startup dá voz a conteúdos digitais

Criada por brasileira no Vale do Silício, ferramenta inova em usabilidade para portais


Rio de Janeiro, RJ 26/04/2018



O mantra das startups é criar serviços mais eficientes e solucionar questões urgentes da sociedade pelas inovações tecnológicas. Neste escopo, a brasileira Paula Pedroza, de 37 anos, criou a Audima, uma solução que transcreve textos de sites para áudio, apresentando importantes mudanças para o mercado atual. A empresa, aberta e impulsionada em meio às marcas titânicas no Vale do Silício, na Califórnia (EUA), chega ao Brasil com a proposta de fomentar o setor de inclusão digital, tendo como clientes os geradores de conteúdos online.

Para a conversão de conteúdos escritos para áudio, a Audima utiliza a Inteligência Artificial, com as ferramentas de TTS (em inglês, text-to-speech). Além destes recursos, a empresa lança mão de Big Data para a formatação de estatísticas que podem embasar tomadas de decisões.

Em termos de consumo, a Audima utiliza o modelo SaaS (do inglês Software as a Service), que representa um modelo de distribuição e comercialização que permite ao cliente se beneficiar do software ao usar o serviço. No SaaS, o programa pode ser acessado por dois canais: via navegador, pela internet, ou através de instalação local. O diferencial está na dispensa de cobrança de licenças, havendo apenas o valor do serviço. O fornecedor fica responsável por disponibilizar o sistema em produção.

Através de parcerias firmadas no período de aceleração na Pioneer Accelerator da GSV Labs, um dos maiores centros de inovação do mundo, a Audima recebeu benefícios, como créditos em tecnologia e serviços de empresas, equivalentes a 250 mil dólares de marcas como a Amazon, o Google, a IBM e o Facebook. Com estas cooperações, a empresa alcançou visibilidade no mercado, além de vantagens tecnológicas e comerciais. O público alvo foi identificado em uma pesquisa aprofundada. O foco está em indivíduos com dificuldades de visão, analfabetos, semianalfabetos e pessoas com pouco tempo para ler conteúdos digitais.

Modelos de startups voltadas para este fim, ainda são raros. No entanto, a Audima já se difere no mercado por oferecer um critério de instalação muito simples. Em três passos, o próprio usuário consegue fazer todo o procedimento e, automaticamente, os conteúdos dos sites são revertidos para áudio, tanto os recentes quanto os antigos e futuros. O player nas páginas que utilizam a solução é estrategicamente posicionado, de modo que seja facilmente encontrado, inclusive por programas leitores de tela utilizados por deficientes visuais.

Nos aparelhos de celular, o dispositivo pode se adaptar ao conteúdo, acompanhando a estética da front page, inclusive nas cores. “Quanto aos anúncios, a tecnologia resolve as interrupções e cria um espaço específico para as propagandas, antes ou após a leitura dos conteúdos”, enfatiza sua idealizadora.

“Para os deficientes visuais, a tecnologia resolve as interrupções causadas por publicidades durante a leitura dos conteúdos. As vozes automáticas podem ter versões humanizadas, o que agrada o público”, enfatiza a idealizadora da ferramenta.

A democratização do serviço é mais uma característica importante da Audima. “A gente dá a liberdade de o usuário escolher o artigo que quer ouvir, diferente do que acontece com as rádios de notícias, além de facilitar o acesso a esses conteúdos”, explica Paula. Para a empreendedora, todas as características inovadoras da solução tornam a experiência do internauta muito mais positiva e prática diante de uma interface.

Novos mercados

O potencial de crescimento e abertura de novos mercados no Brasil e na América Latina é o que tem motivado a brasileira a incorporar novos investidores na Audima. Paula enfatiza que os negócios relacionados às startups têm futuro promissor no cenário global.

Dados mais recentes apontam que o número de empresas geradoras de startup em estágio inicial chegou a 4.151 no Brasil, em dezembro de 2015, registrando um aumento de 18,5% em seis meses. Uma das modalidades de maior elevação é a Angel, que em 2016 teve alta de 9%, com investimentos que alcançaram o patamar de R$ 851 milhões, segundo dados da Anjos do Brasil.

O crescimento desse mercado é alavancado pelo desenvolvimento das tecnologias de computação em nuvem (cloud computing em inglês), que reduziu os custos e aumentou a capacidade de armazenamento e processamento de dados.

Inclusão digital e premiação

O Brasil tem hoje cerca de 35% da sua população com presbiopia, uma anormalidade conhecida como vista cansada. A Audima visa facilitar a vida desta categoria social, além de beneficiar idosos e qualquer cidadão que tenha pouco tempo para a leitura de conteúdos online ou prefere os áudios.

No momento, a equipe da Audima está empenhada na criação de dispositivos que sinalizem facilmente aos deficientes visuais a presença da tecnologia de acessibilidade em todos os sites parceiros. Um dos sites que utiliza a ferramenta é o portal CasaAdaptada, com destaque no setor de acessibilidade. O site Infoescola, que também faz uso da solução, registra que mais de 5% dos seus usuários que preferem consumir o conteúdo em áudio.

A empresa está se preparando para participar, este ano, para o evento da ONU – o World Summit Award Mobile - onde estarão presentes representantes do setor de todas as partes do mundo. A intenção da Audima é concorrer como o melhor aplicativo de inclusão social no segmento de inovação para conteúdos digitais globais. “O nosso foco é realmente promover a inclusão digital em prol dessas pessoas com deficiência visual ou dificuldade para ler e que necessitam interagir com o mundo”, frisa Paula Pedroza.

Veja mais




Compartilhe esta notícia

Contato | Anuncie
Copyright © 2020 | Todos os direitos reservados.

Negócios em Foco

Notícias empresariais

Localização
São Paulo - SP, Brasil

E-Mail
redacao@negociosemfoco.com