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Realidade Virtual não é só para video-game!


São Paulo - SP 08/04/2019 11h30

Fazendo um trocadilho, já é possível afirmar que a Realidade Virtual é uma realidade. Hoje vendido facilmente em qualquer loja de eletrônicos, os dispositivos são utensílios visados por gamers mais fanáticos atrás de experiências imersivas com seus joguinhos.

Mas afinal de contas, será que essa tecnologia só será usada para fins de entretenimento? A resposta é óbvia – claro que não! Dentro das artes visuais, muitos especialistas falam que o futuro do cinema está nos óculos imersivos. Já na ciência, muito se fala sobre o potencial educacional com treinamentos, uso na medicina e até comportamental.

Em recente entrevista a revista Exame, o professor Jeremy Bailenson, diretor-fundador do Laboratório de Interação Virtual Humana da Universidade de Standford falou sobre as possibilidades infinitas: “A realidade virtual será ótima para uma enorme variedade de aplicações, incluindo medicina, comunicações, treinamento e educação. Conduzimos uma série de estudos que mostram que a realidade virtual pode aumentar a empatia e o comportamento. Em um estudo em que os grupos participantes eram daltônicos na realidade virtual ou simplesmente imaginavam que eram daltônicos, aqueles que tiveram a experiência da limitação visual na realidade virtual se mostraram mais propensos a passar mais tempo ajudando alguém que tinha esse tipo de deficiência após o estudo”, explicou.

O professor ainda completou na entrevista: “Em outro caso, descobrimos que alguém que se torna um super-herói na simulação se torna mais prestativo na vida real. Esses resultados mostram que uma experiência imersiva, na qual você realmente se sente no lugar de outra pessoa, ou sente como se ganhasse uma nova habilidade, pode ter um impacto especial nos seus pensamentos e comportamentos na vida real”.

Ele vê o Google e a Samsung como os grandes produtores e desenvolvedores dessa tecnologia nos próximos anos.

O lado comportamental também poderá ser explorado nesse aspecto. A própria Samsung criou um programa que pode ajudar – e muito – pessoas com algumas fobias. Na realidade, é uma ajuda da tecnologia nas entrevistas de emprego. O aplicativo simula o ambiente com perguntas que são comumente feitas pelo entrevistador atrás de uma nova contratação. Assim, o programa que é chamado de #BeFearless, parte da campanha mundial Launching People, que promete ajudar pessoas a utilizarem a tecnologia como acelerador do potencial humano.

Essa é a mesma mentalidade do que acontece com a Betway, famoso site de apostas online. Lá você pode usar a tecnologia para simular uma partida em um cassino antes de colocar em prática o que aprendeu nas casas de jogos pelo mundo.

Outra aplicação é na medicina. A professora Dra. Fátima L. S. Nunes, docente do Programa de Pós-Graduação em Sistemas de Informação da Universidade de São Paulo – USP recentemente foi entrevistada sobre o assunto e se aprofundou nas possibilidades: “Há muitas aplicações que podem ser feitas e, acredito, que esta é uma das principais áreas que podem gerar oportunidades de pesquisa e desenvolvimento. Os sistemas de RV e RA na área de saúde podem ser divididos em três áreas: treinamento de profissionais, treinamento de pacientes e simulações. Assim, acredito que esta área constitui hoje uma grande oportunidade tanto de pesquisa quanto de geração de produtos para o setor produtivo. Há, ainda, muita coisa a ser feita.”, explicou.

O Brasil é um dos primeiros países a ter um Instituto de Educação Médica com o uso da realidade virtual no mundo. A Vice-presidente, Soluções Globais da Educação para Empresas dos Dispositivos Médicos de Johnson & Johnson, Sandra Humbles, que é a cabeça da iniciativa, disse em evento que “em todo o mundo, as disparidades significativas na instrução profissional dos cuidados médicos e o treinamento, acoplado com uma falta dos trabalhadores do sector da saúde, significam que alguns pacientes e consumidores são incapazes de tirar proveito do conhecimento e da experiência médicos os mais atrasados”. Ela ainda completou enfatizando sua missão: “Esta aumentando acesso à educação dos cuidados médicos para melhorar resultados e aumentar a experiência paciente - ao igualmente reduzir custos”.

Hoje o Brasil e a China já receberam investimentos da empresa para o treinamento e capacitação de profissionais da saúde a partir da nova tecnologia e a tendência é a expansão do programa para países emergentes ou em desenvolvimento.

Da próxima vez que algum amigo ou familiar colocar os óculos de Realidade Virtual, pense que isso pode ser usado em vários outros momentos e que isso se tornará tendência em um futuro muito próximo.

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