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Escolas Particulares de São Paulo lidam com a instabilidade econômica e reajustes de mensalidades já alcançam os 8% para 2019


São Paulo 22/08/2018 11h52

Embora cada instituição tenha sua própria análise financeira e realidade singular, os números e projeções econômicas mudaram bem nos últimos meses, impactados pela greve dos caminhoneiros e indefinição das eleições presidenciais.

Inflação Mensal - DINO

Alguns clientes estão lançando suas matrículas já em agosto/setembro, o Instituto Educacional Portinari, que fica no Campo Limpo reajustará 7,94% na média seus cursos, “Fizemos um estudo detalhado de custos e de investimentos projetados para chegarmos ao número mais equilibrado” afirma a Diretora do colégio Ana Paula Oliveira.

O mesmo caminho está sendo adotado pela Greenbook School, no Brooklin, onde a análise financeira das matrículas a serem lançadas em setembro deve seguir realidade similar, “Nós estamos acompanhando desde maio nossos números e dados econômicos para tomar a decisão”, afirmou a mantenedora da instituição.  

Entre 28 escolas consultadas no Estado de São Paulo, 15 já definiram seus preços e reajustes que aparecem entre 5,81% e 10,22% nos extremos apurados, o que é comum pois cada instituição, região e público tem variações inflacionárias diferentes.

A inflação acelerou em consequência da greve dos caminhoneiros nos meses seguintes a manifestação, hoje segundo consta no Valor Econômico, acumulado em 2018 até julho, o IPCA está em 2,94%, com previsão segundo economistas do mercado para fechar 2018 com 4,2% ante os 3,6% divulgado em março pelo IPEA. Em maio soltamos matéria projetando que poderíamos ter reajustes na casa dos 5% antes dos fatos citados, o cenário mudou.

Grande parte das instituições de ensino abre o processo de matrículas entre agosto e setembro, a recomendação atual é aguardar o máximo possível, dentro dos limites comerciais, para captar o melhor momento das eleições e principalmente a reunião de mantenedores de seu sindicato, como dos Sindicatos Das Escolas (SIEEESP), que ocorrerá em setembro deste ano, e trará maior aprofundamento de dados aos mantenedores.

 

A Planilha de Custos

Cada escola deve ter sua própria planilha, tanto por aspectos legais quanto pela responsabilidade financeira de não errar no reajuste, uma escola pode ter reajuste de 5% a 15% da anuidade completamente dentro da Lei, desde que haja justificativa plausível para tanto.

Essa justificativa já é cobrada por PROCONs de várias cidades, SANTOS, no litoral paulista, tornou obrigatória a apresentação da planilha de custos ao escritório regional do PROCON, usando a LEI 9870/99 como instrumento de fiscalização ativa por parte do órgão, que também irá cobrar clareza no contrato de prestação de serviços entre outras regras, como cita a Dra. Lindalva Duarte Rolim, especialista em Direito Educacional, "É fundamental para que no futuro se tenha segurança jurídica financeira, que as escolas estejam em dia com seus contratos de prestação de serviço e com as regras que a legislação determina sobre todos os temas que tange a administração escolar".

A Lei 9.870/99 obriga as escolas particulares a realizar comprovação de seu índice de reajuste de mensalidade, uma planilha de custos ou análise financeira feita com base em toda estrutura de custos e alunos da escola, e em seus demonstrativos contábeis e fiscais.

 

Como é feita a análise financeira de precificação?

Em resumo, a análise financeira faz um levantamento médio de todas as despesas da empresa, como folha de pagamento, impostos, aluguel, material de escritório, água, luz, telefone etc.
O total destas despesas deverá ser distribuído ou rateado por nível de ensino, a fim de alocar as despesas correspondentes em cada ano acadêmico com a finalidade de se obter o custo daquele curso ao longo do ano.

É preciso saber projetar o valor da inflação prevista para 2018 nas despesas, e os índices de reajustes salariais dos professores e auxiliares em 2019, ponderando ainda parte do reajuste salarial aplicado neste ano, pois tanto a variação de preços das despesas, quanto de salários, fará parte do seu orçamento ano que vem.

As consequências de não efetuar um trabalho bem feito são graves, pensando apenas sob a ótica comercial, “errar” o preço para cima, passará a impressão de um serviço caro pelo que oferece, e resultará na possível perda de alunos, “errar” para baixo, causará um ano inteiro de prejuízo, sem nenhuma possibilidade de corrigir a trajetória.

 

Alan Barbosa

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