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Usar tempo conectado na melhoria da educação se torna desafio para o brasileiro


São Paulo 02/09/2020 16h35

Pandemia intensifica criação de novos formatos de cursos para disputar espaço com o entretenimento

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O Brasil é o segundo país do mundo que passa mais tempo conectado à internet, atrás apenas das Filipinas, segundo estudo da Hoopsuite com a We Are Social. Em média, cada brasileiro fica conectado por 9h20m todos os dias. Isso quer dizer que, dos 365 dias do ano, em 145 deles as pessoas estão online. Os dados não são novos, mas com a pandemia, que tornou obrigatório ficar dentro de casa, esse tempo cresceu oferecendo como consequência uma grande oportunidade para ampliar a qualidade da educação.

De acordo com César Silva, diretor presidente da Fundação de Apoio à Tecnologia (FAT), fazer uso da tecnologia no ensino é uma necessidade inadiável, que chega até tarde. “Algo que já deveria ser natural, por conta das já existentes soluções disponíveis para o EaD, está se mostrando um desafio diante da falta de uma real visão sobre como fazer o uso de tecnologia e de metodologias diferentes no aprendizado”, avalia

Assim, conforme Silva, o isolamento imposto desafia a todos a experimentar novas formas de transmissão de conhecimento diante um consumidor ávido, que gasta boa parte do seu dia na frente de uma tela. Um reflexo desse comportamento vem da própria gigante do streaming.

Na Netflix, por exemplo, os assinantes já ultrapassam mais de três horas ao dia conectado ao serviço. Os dados globais são do site Kill the Cable Bill e corroboram com outro estudo, publicado em março pela Nielsen, que indica alta de 61% no acesso durante furacões ou tornados, quando as pessoas também são obrigadas a ficarem em casa.

Outro fator de destaque é que os países cujas populações passam mais tempo na internet do que a média mundial são quase exclusivamente compostos de nações em processo de desenvolvimento, como Brasil, Argentina, Vietnã e México. “Isso nos leva a crer que é preciso repensar a EaD e promover algum tipo de estímulo para que ela prospere. Aproveitar este tempo que o brasileiro gasta conectado com educação é fundamental e pode ser o caminho para aprendizados diversos”, afirma Kevin Porter fundador da Fluenflix, edutech voltada para o ensino de idiomas.

Inicialmente a plataforma oferece fluência na língua inglesa por meio de conteúdo formado por séries com sequência de temporadas, filmes que vão desde os bons clássicos até sucessos atuais, todos adaptados para favorecer o entendimento de acordo com o nível do expectador. São mais de 100 horas para o aprendizado autodidata, mas há disponibilidade de aulas com professores experts no assunto e quizzes, no final de cada programação para avaliar o conhecimento adquirido.

Transmitir competência por meio do streaming também é a proposta da Archademy, uma construtech que nasceu para acelerar os negócios de escritórios de arquitetura e design do país. Em abril, a startup lançou a plataforma Archa. Trata-se de um streaming de assinatura, mensal ou anual, que fornece aos profissionais do mercado uma oportunidade de participar de seu hub de negócios de maneira remota.

Dentro da plataforma é possível acessar conteúdos desenvolvidos por especialistas e profissionais renomados que vão desde entrevistas com arquitetos e designers inspiradores e estudos de caso, até aulas de gestão e inovação. “Queremos trazer tudo o que o empreendedor precisa aprender para ter sucesso em seu escritório, trabalhando como autônomo, mas que não é ensinado nas faculdades”, afirma João Leão, diretor de aceleração da Archademy.

Esse novo papel das plataformas streaming é uma tendência em todas as áreas do saber. A psicóloga Tina Zampieri, doutora em Ciências da Saúde, encontrou no formato digital uma alternativa para levar conhecimento e capacitar profissionais que demandam atualização e estão distantes dos grandes centros.

“A pandemia exige que nos distanciemos para preservar a saúde uns dos outros e, assim, desencadeia mudanças radicais no mercado de trabalho. Obviamente nem todos os profissionais podem desempenhar seus papéis em home, mas dependem de conhecimento diariamente para lidar com todas as consequências que essa dura realidade nos impõe”, diz a professora, à frente do Ciclo de Mutação, centro de atendimento psicológico, de estudos e pesquisas em São José do Rio Preto.

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