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Três anos da agenda da ONU para o desenvolvimento sustentável: educadores apontam alfabetização científica com recursos digitais como soluções viáveis


Santo André, São Paulo 28/09/2018 17h35

Escola integrante do Programa das Escolas Associadas à UNESCO, relaciona 16 das 17 metas estabelecidas pela ONU como prioridade para as nações. Entre os objetivos está o de oportunizar a reflexão de questões globais mais urgentes da atualidade e contribuir para o letramento digital, uma vez que mobiliza o uso dos recursos digitais em prol da pesquisa e da criação de conteúdos interativos.

Feira das Ciências acontece em escola paulistana - Colégio Liceu Jardim

Há três anos os Estados e a sociedade civil discutiram seus papéis para atingir os novos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável até 2030. As 17 metas que fazem parte de uma agenda lançada em setembro de 2015 por 193 países membros da ONU, desde então, têm orientado decisões seguindo os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável - ODS.

Agora, passados 36 meses, a pergunta é: qual o papel individual de cada cidadão nessa jornada? A partir de um cenário diverso e controverso, as quase 60 milhões de crianças e adolescentes brasileiros enfrentam avanços e retrocessos no país enquanto as gerações vão passando e a necessidade de mentes mais engajadas e comprometidas com o planeta aumenta, até para que haja vida e consequentemente trabalho no futuro. “Com pouco recursos no caso nas escolas públicas ou incentivo abaixo do esperado nas escolas privadas, o jovem brasileiro vai sendo formado para a busca de condições de sobreviver, a partir de um emprego e se der sorte, com salário mediano ou bom, mas o comprometimento com o desenvolvimento sustentável ainda parece ser uma bandeira de algumas poucas tribos rotuladas de “good vibes”, provoca Michele Rascalha, mestre em História, Ensino e Filosofia das Ciências pela UFABC e diretora de Tecnologia Educacional no Colégio Liceu Jardim, localizado no município de Santo André, em São Paulo.

“É fato que o ambiente educacional é preparado para dar foco nos parâmetros curriculares do MEC e, cada escola à sua autonomia, entrelaça os conteúdos e costura de forma ideal ou não o conhecimento formal com a formação do cidadão do século XXI. O importante é que, como pais e educadores, tenhamos o comprometimento em olhar essas metas e entendê-las como podem ser discutidas, aplicadas e então adicionadas ao nosso dia a dia, seja como estudantes, profissionais ou pais”, alerta Daniel Contro, professor de história com mais de 25 anos de experiência em gestão educacional pública e privada e Membro da Academia de Letras da Grande São Paulo.

“Formular perguntas e investigar hipóteses por meio de consultas bibliográficas, experimentos, levantamentos de dados, entrevistas e construção de modelos são exercícios fundamentais para o desenvolvimento do pensamento crítico e científico, por isso e cada vez mais expor a criança e o jovem à isso se torna imperativo”, alerta Rascalha que atualmente coordena iniciativas como a FEIRA DAS CIÊNCIAS que é assim chamada por agregar além das Ciências da Natureza, as Ciências Humanas e Matemáticas. Na iniciativa da profissional, o principal objetivo é nortear respostas para esse mundo possível e próspero. Jovens da rede privada de 8 a 16 anos participam e ao todo somam-se 200 estudantes comprometidos em fazer das suas habilidades e familiaridade com o digital o campo fértil para o pensamento científico em prol de um mundo sustentável.

Entre os trabalhos em desenvolvimento, há pesquisas sobre “Cidades e Comunidades sustentáveis”, “Emprego Digno e Crescimento Econômico”, “Combate às Mudanças Climáticas”, “Energia Limpa e Acessível” e “Fome Zero e Agricultura Sustentável”.

Ao pesquisar os dados da fome no mundo para o projeto que investiga como acabar com a fome de maneira sustentável, Henrique Cruz (13), 8º ano, e seu grupo chegaram aos alimentos biofortificados e a Batata-doce Beauregard. “Na África, grande parte das crianças têm deficiência de vitamina A e a Beauregard é rica em betacaroteno e, por isso, apresenta dez vezes mais carotenóides - pró-vitamina A - do que outras espécies, sendo uma opção mais nutritiva na luta contra a fome”, conta ele, que diz ainda que a raíz tem baixo custo de produção e facilidade de plantio.

Já a pesquisa do aluno Gabriel Tavares (13) e seu grupo, 7º ano, partiu da pergunta “como as hortas comunitárias podem ajudar na erradicação da pobreza?”. “Em 2008, os brasileiros que viviam nessa situação representavam 4,8% da população absoluta do país. Projetos como as hortas comunitárias não conseguem acabar com toda a pobreza, porém auxiliam a diminuí-la e exercem extensas influências não apenas na saúde dos envolvidos, como também ocupando espaços de maneira sustentável, diminuindo o acúmulo de lixo, entulho e a ocupação irregular do terreno, além de terem uma produção barata”, conta Gabriel.

Além das apresentações em estandes, a iniciativa revela surpresas, como o protótipo de um HPA funcional - aeronave movida exclusivamente por potência humana ou “Human-Powered Aircraft” - acionado por meio de pedais e está aliado ao tema “Indústria, Infraestrutura e Inovação”.

“Na construção e execução da ideia, os estudantes desenvolvem a criatividade e, muitas vezes, descobrem e trabalham talentos antes adormecidos ou até mesmo desconhecidos. O incentivo motiva, mas o exemplo arrasta. Por isso dar o primeiro passo sendo pioneiro em frentes fundamentais para o ser humano é tudo que nós educadores precisamos ter como norteador de nossa função social”, completa Contro.


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