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Os professores e o bônus do ensino remoto


São Paulo 06/08/2020 15h23

E os professores? Como eles trabalharam o ensino remoto? O que aprenderam neste período? Quais suas estratégias para a volta ao ensino presencial?

A aprovação do Fundeb permanente pela Câmara dos Deputados, a covid-19 do novo ministro da educação e os protocolos para a volta às aulas no modelo presencial estão nos noticiários da grande imprensa. Mas e os professores? Como eles trabalharam o ensino remoto? O que aprenderam neste período? Quais suas estratégias para a volta ao ensino presencial? Nesta primeira série de sugestões de pauta da CGC Educação, educadores relatam seus processos criativos, a empolgação com os novos conhecimentos que adquiriram durante o período de isolamento social e falam dos desafios da uma nova educação contemporânea.

“Entrei em um fluxo muito criativo com o ensino remoto. Sou professor de Artes e, de repente, me vi no desafio de fazer vídeos e enviar aos alunos. Para isso teria de pôr a mão na massa. Fazer a Arte e não só, ensinar Arte. Não conhecia as ferramentas de edição de vídeos, e tive de pesquisar e encontrar uma que me desse a possibilidade de inserir expressões”, conta Tomás Decina, professor de Artes do Colégio Equipe, em SP. Decina conta que está tendo devolutivas muito favoráveis dos alunos e que está empolgado com a produção das suas videoaulas. (Video para o 5º ano – Cultura inusitada)

Para a professora do curso de Pedagogia do Instituto Singularidades, Antonieta Megale, a educação pós pandemia será diferente. O ensino híbrido já fazia parte do seu curso presencial, mas, segundo ela, muitas mudanças para melhor serão implantadas quando a pandemia acabar. “O ensino remoto foi um desafio enorme para mim, porque tive de pensar na elaboração de um curso todo em educação remota e levando em consideração que grande parte dos alunos estavam na estaca zero em relação à cultura digital”, conta.

Antonieta explica que a estratégia que usou para seu curso na área do bilinguismo foi elaborar uma nova macronarrativa (metodologia da aula) e depois transformá-la em novas micronarrativas (aulas). “Eu tive de pensar em estratégias com as quais os alunos não precisassem ficar nas telas do computador. Isso consome os alunos e nós professores. Tive de pesquisar ferramentas interessantes e de fácil usabilidade para todos (e que funcionassem bem nos smartphones) para oferecer aulas bem diversificadas em recursos e que atendessem aos propósitos das aulas”, explica. Para ela, foi grande o bônus adquirido com o ensino remoto em suas competências, mas para muitos docentes que não têm a habilidade com a tecnologia o desafio posto deve estar doloroso.

Com o universo digital tão rico de conteúdos e possibilidades, a criatividade do professor ajuda na elaboração das aulas sem tanta exigência para a competência tecnológica. O professor de matemática da Escola Stance Dual, Luís Gustavo Soares, encontrou aulas muito boas e com os conteúdos que está trabalhando com seus alunos, na plataforma Khan Academy. “Os alunos assistem as aulas da plataforma, que é excelente e possibilita a verificação do aprendizado em tempo real, e depois concluímos as aulas e atividades nas videoaulas”, diz.

Outro aprendizado neste novo tempo foi a maior interação entre os professores. “Quando tudo começou, nossa equipe docente tinha reunião atrás de reunião com a equipe de tecnologia da informação e com a equipe de assessores das disciplinas, que trouxeram muitas ideias para o desenvolvimento das metodologias de aula “, conta Ana Paula Dias Torres, coordenadora pedagógica do fundamental 1 da Escola Nossa Senhora das Graças (Gracinha). O resultado disso, segundo a ela, é que muitas professoras se apropriaram dos novos conhecimentos tecnológicos e com criatividade, estão até se arriscando como blogueiras. Para a educadora, apesar do ensino remoto não substituir o ensino presencial, toda a experiência adquirida pelos educadores durante a pandemia será agregado à educação pós pandemia.

O professor de História do ensino fundamental e médio no Centro Educacional Pioneiro, Renato Ranieri, conta que se sentiu desafiado no início. “Minhas aulas não eram só expositivas. Os alunos trabalhavam em grupos, e já usávamos recursos audiovisuais. Mas de repente, os grupos ficaram perdidos. Devagar, com o apoio da área de tecnologia do Pioneiro e de toda a equipe docente, fomos descobrindo novas ferramentas e formatos metodológicos que deram muito certo”, diz. A interação entre os colegas e os alunos propiciou muitas descobertas. “A minha capacidade de escuta e empatia junto aos alunos aumentou muito e isso espero que fique cada vez mais presente no ensino presencial”, afirma o professor.


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