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A força do rap, da literatura e das artes na 40tena Cultural da Fundação do Livro e Leitura


RIBEIRÃO PRETO 10/08/2020 14h18

Ribeirão Preto (SP), 10 de agosto de 2020 – O que a poesia de Manoel de Barros tem a ver com o rap? “Tudo a ver”, responde o rapper Renan Inquérito, autor e compositor que utiliza a música e a literatura como ferramenta de transformação e interferência social. Com presença nos últimos anos da FIL (Feira Internacional do Livro), Inquérito participou do evento no ano passado e foi um dos nomes do projeto Combinando Palavras. Agora, ele reencontra com o público da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto e compartilha a força de sua expressão, só que desta vez no espaço online, pelo Instagram da instituição. O artista participa do quadro “Defenda seu Best” da 40tena Cultural, na próxima terça-feira (11/8), a partir das 19h, sob mediação de escritor, educador e produtor cultural, Victor Rodrigues.

Rapper, compositor, formado em Geografia e doutor na disciplina, além de mestre em poesia e doutor em Educação Ostentação, Inquérito tem o dom da palavra e a percepção afinada para questões sociais e relevantes para a construção da cidadania. Ele escreveu os livros “#Poucas Palavras” (2011) e “Poesia Pra Encher a Laje” (2016). Além dos palcos, Inquérito percorre escolas e unidades da Fundação CASA, realizando saraus, shows, debates e oficinas. Universidades, presídios e bibliotecas são territórios comuns para sua arte. Suas letras já foram temas de vestibulares e são frequentemente utilizadas em aulas e livros didáticos, provando a afinidade do rap com a poesia e a literatura.

Victor Rodrigues reúne um acervo diversificado. A última a produção independente foi “Aprender a Morrer”, EP e videoalbum, de 2018. Também lançou “Deuses fazendo bolo ou ingredientes pra nascer de novo”, com o Selo doburro, em 2017; “Versos para aumentar o mundo” – Selo doburro, de 2014 e a série de livretos “Praga de Poeta”, “Sinceros Insultos” e “Aprender Menino”, de 2012 a 2014 pela Poesia Maloqueirista. O autor organiza saraus e intervenções, realiza palestras e workshops e conduz oficinas e formações em espaços educacionais e culturais. Tem trabalhos lúdicos e musicais publicados em formato multimidia.

O livro preferido

Renan Inquérito conta que não foi nada fácil decidir qual o melhor livro para sua defesa e mais ainda difícil ter que apontar um preferido entre a obra completa de Manoel de Barros. Mas optou por “Retrato do artista quando coisa”. “Escolhi esse livro com dor no coração por outros que deixei de fora. Essa obra reúne alguns poemas do Manoel que eu mais declamei e me identifiquei na minha vida”, destaca.

Um ponto fica nítido no motivo da escolha: o rapper aponta que o livro traduz as temáticas que são trabalhadas em todos os outros do poeta brasileiro. “Ele fala muito da infância, da natureza, da importância das coisas desimportantes, de monumentar aquilo que é minúsculo. De engrandecer os pequenos”.

Essa relação entre a poesia de Manoel de Barros e a sua produção no rap, vem de longa data. “Vire e mexe, eu uso alguns termos do autor. Tenho uma música que chama Artesanato Eletrônico e foi uma obra dele que me inspirou a este termo. O Manoel tem neste livro um poema que diz que ele ama as coisinhas pequenas, as coisinhas insignificantes. Na verdade, ele herdou isso e não sabe de onde veio, mas dá importância para aqueles seres que, na sociedade, são chutados como uma barata. Isso é muito rap”, compara.

Inquérito explica que o rap sempre falou a favor dos menos favorecidos e essa temática o aproxima da obra de Manoel de Barros. “A sociedade ignora as pessoas que não têm um diploma, um carrão, um emprego, que não têm uma casa. E o rap luta, defende e tenta fazer com que essas pessoas sejam ouvidas”.

O autor avalia que uma programação como a da 40tena Cultural é muito importante para este contexto de pandemia do novo Coronavírus, já que todos estão vivendo um período de muita angústia e isolamento. “A Fundação do Livro e Leitura mantém uma tradição com a realização da Feira do Livro e de seus projetos, por isso não podia deixar de fazer alguma coisa neste momento. Que bom que está produzindo esses encontros onlines”, enfatiza.

Nesta fase de distanciamento social, Renan Inquérito tem participado de lives dos saraus que apresenta - com ritmo intenso de trabalho. Atualmente, está produzindo um disco e um livro novo. O disco ganhou o título de I(sol)amento e logo será apresentado ao público. A todo vapor e com novos aprendizados deste período, ele deixa um recado: “Acho que a gente precisa fazer uma antropofagia da pandemia quando ela passar. Tudo aquilo que aprendemos a fazer e, que foi massa, a gente tem que continuar a fazer: como esse papo das lives e videoconferências”.

Mais atividades da agenda cultural

Essa oportunidade de reflexão e interatividade em encontro online com os autores continua na quinta-feira (13/08) na presença da bibliotecária Léia Santos em um bate-papo com a escritora Daniella Pereira, às 19h, durante live no Instagram da Fundação. A atividade tem como intuito apresentar as possíveis relações entre a prisão e a biblioteca, partindo das práticas de leitura e escrita que são realizadas nos presídios. Ambas as convidadas têm experiência no tema, Daniella é cientista da informação e documentação com habilitação em biblioteconomia pela Universidade de São Paulo (USP), além de ser especialista em Letramento e Alfabetização e ter experiências com clubes de leitura e projetos com recorte racial. Já a bibliotecária, Léia Santos, é mestranda em ciência da informação pelo PPGCI/ECA-USP e pesquisa as bibliotecas em presídios, além de ser integrante do Grupo de Pesquisa Paralelo, estudando as relações entre biblioteca e prisão. Também atua como voluntária na Pastoral Carcerária e na Associação de Familiares e Amigos de presos(as) (AMPARAR).

A última atividade da semana acontece no sábado (15/8), com a segunda parte da oficina “Aquarela Iniciante”, com a arquiteta Natascha Vital, às 16h. A oficina foi dividida em dois dias com duração de uma hora cada, separados entre introdução, tipos de materiais e técnicas de pintura. O encontro acontece na plataforma de reuniões Zomm, com o link disponível na BIO do Instagram da Fundação do Livro, antes do início da atividade. Para participar, basta acessar o link:

https://us02web.zoom.us/j/87503323428?pwd=Z21zSTh6M0M4dUJIdXhITlpTZk5VUT09

Natascha Vital é formada em Arquitetura e Urbanismo pelo Centro Universitário Moura Lacerda, tecnóloga em Design de interiores e Edificações pela ETEC, afroempreendedora no escritório de arquitetura social AzA Vital Studio e na empresa de ímãs personalizados Levarte. É pesquisadora dos temas afrofuturistas, batuqueira e coordenadora do grupo de Maracatu Baque Mulher de Ribeirão Preto e batuqueira do grupo Maracatu Navegante. Participa do Afoxé Omò Orunmilla e há anos milita em movimentos e projetos sociais e culturais na cidade de Ribeirão Preto e região. Desde pequena desenha e ingressou a fundo na aquarela como forma de expressão artística e liberdade sensorial, desde 2013. A atividade é também aberta e gratuita e direcionada a crianças a partir de sete anos, adolescentes e adultos.

40tena Cultural

Durante mais de três meses de programação consecutiva, a 40tena Cultural já realizou quase 50 atividades e interagiu com mais de 15 mil pessoas. O projeto, realizado pela Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto, tem como proposta incentivar as pessoas a ficarem em casa durante o período de isolamento social, em virtude da pandemia do coronavírus (Covid-19). Semanalmente são divulgadas atividades que abrangem desde as transmissões ao vivo com artistas e convidados até contação de histórias para crianças, show, dicas e discussões de livros. Para acompanhar a programação semanal, basta acessar as redes sociais da Fundação do Livro e Leitura:

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Site www.fundacaodolivroeleiturarp.com

Sobre a Fundação

A Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto é uma entidade de direito privado, sem fins lucrativos. Trata-se de uma evolução da antiga Fundação Feira do Livro, criada em 2004, especialmente para realizar a Feira Nacional do Livro da cidade. Hoje, é considerada a segunda maior feira a céu aberto do país, realizada tradicionalmente no mês de junho. Em 2020, a Feira entra na 20ª edição, torna-se internacional e recebe nova identidade, apresentando-se como FIL (Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto).

Com uma trajetória sólida e projeção nacional e agora internacional, a entidade ganhou experiência e, atualmente, além da Feira, realiza muitos outros projetos ligados ao universo do livro e da leitura com calendário de atividade durante todo o ano. A Fundação se mantém com o apoio de mantenedores e patrocinadores, com recursos diretos e advindos das leis de incentivo, em especial do Pronac e do ProAc.

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