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É preciso repensar o modelo da educação brasileira


São Paulo 29/05/2019 16h24

Em um país com 25% da sua população estudando no nível básico da educação, a discussão menos significativa deveria ser a questão da educação familiar, que abrange a minoria.

DINO

No sistema de ensino atual, uma escola privada de ensino fundamental deve adotar a proposta e a regulação do sistema de ensino do município onde está instalada e a de ensino médio deve adotar a proposta e a regulação do sistema de ensino do estado onde se encontra sua sede. Assim, são criadas escolas uma à imagem da outra.

As instituições seguem o mesmo modelo em sua estrutura curricular, de ensalamento e de gestão, pois se forem adotadas outras formas e metodologias de ensino, há o risco de os reguladores não autorizarem seu credenciamento ou pedido de autorização. A adoção do mesmo modelo, portanto, nada tem a ver com a qualidade e as diferenças do projeto pedagógico de uma escola para a outra são marginais.

A reforma da educação básica traz a discussão de não trabalhar somente o conteúdo - dado que é uma commodity disponível na Internet em dez versões - mas também sua estrutura, de forma a desenvolver competências e habilidades. Isto significa, em outras palavras, saber aplicar o conhecimento nas situações-problema propostas. No entanto, tudo isto deve ser feito no mesmo modelo atual que abrange 100 dias letivos por semestre, 20 horas semanais de aulas e a mesma quantidade de disciplinas.

É fato que o corporativismo do corpo docente impede que se pense e se organize a educação de maneira diferente, já que os professores não têm flexibilidade na sua formação. Para que uma mudança mais efetiva ocorresse, seria preciso uma reestruturação dos docentes e isto não acontece num colegiado que conhece e executa as atividades da mesma maneira por longos anos.

Em um país com 25% da sua população estudando no nível básico da educação, a discussão menos significativa deveria ser a questão da educação familiar, que abrange a minoria. O mais importante é que os gestores da Educação Pública, busquem a melhor forma de ofertar educação de maneira consistente e significativa para uma nova realidade de crianças e jovens, que acessam conteúdo digital 24 horas por dia, que utilizam tecnologia com maior simplicidade e que precisam de orientação para dar significado ao seu aprendizado.

Cesar Silva é presidente da Fundação FAT

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