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PROJETO PANDEMIA PANDEMÔNIO PESQUISA “ENTRE PAREDES”


Rio de Janeiro 04/06/2020 12h52

Pesquisa aponta as principais emoções e comportamentos durante o isolamento social

Pesquisa "Entre Paredes - Retrato das relações familiares durante o confinamento - Divulgação

Como está a relação entre os casais, entre pais e filhos e entre parentes durante a pandemia? Para avaliar o que está acontecendo durante esse convívio diário de 24h, a Mediator Pesquisa e a Contexto Brasil, com o apoio da ColheData realizaram a pesquisa “Entre Paredes – Retrato das relações familiares durante o confinamento” que faz parte do projeto “Pandemia Pandemônio”.

A pesquisa quantitativa foi realizada entre os dias 20 e 25 de maio com 500 entrevistados por telefone e internet, moradores do Rio de Janeiro e de Niterói e em paralelo foi realizada uma sondagem qualitativa para detalhar alguns temas. O objetivo do estudo foi entender esse isolamento social, buscando compreender emoções e comportamentos e medir o impacto sobre as relações familiares e seus possíveis desdobramentos para o futuro.

Segundo Andrea Freire, Diretora da Mediator Pesquisa, “Neste momento de muitas inseguranças e incertezas, muito de nós fomos forçados a enfrentar grandes e novas provocações. Esta pesquisa aborda, principalmente, o desafio da convivência “obrigatória” e contínua. Seguindo a proposta de “stay home”, famílias, com diferentes configurações, seguem confinadas há mais de 60 dias”.

A pesquisa aponta após quase 70 dias de confinamento, que a maioria dos entrevistados continua ou teve a sua preocupação aumentada com a contaminação do vírus, respeitando a quarentena. Os mais rígidos com o isolamento são aqueles de 51 anos. E a grande maioria procura sair somente para compras essenciais.

A quarentena não tem sido fácil para ninguém e o principal sentimento relatado é o de privação, falta de liberdade. Outro ponto observado é que os que estão totalmente sozinhos vivenciam maior desafio emocional. Estes relatam sentimentos como depressão, tristeza e solidão deflagradas pela falta de convivência, principalmente entre as mulheres. Já os homens têm emoções de origem mais pragmáticas como tempo de reflexão, conformismo, aceitação, contrariedade com a classe política e dificuldade de ir ao mercado.

Para os filhos, a maior angústia e não estar perto dos pais, mas destacam a necessidade de poupá-los para preservar quem amam. Aliás, essa é a palavra de ordem deste momento: Preservar-se da doença, bem como àqueles que amam e por isso, é comum a percepção de que ser agarram a este lema para poder suportar o período.

Apesar da metade dos sozinhos que namoram, respeitarem a quarentena e revelarem que estar junto não é tão importante quando a necessidade de se preservar, no Dia dos Namorados, alguns entrevistados se inclinam a romper a quarentena e revelam o intuito de “cair em tentação” (cerca de 62%), se verem ou estarem mais perto fisicamente.

Já o presentear neste dia, parece ser, no momento da pesquisa, um desafio, uma interrogação (“não sei, qualquer coisa on-line”). Objetos podem perder o significado, já que não sabem quando irão usufruir dos presentes. A apresentação, a eficiência no delivery contam muito. Há um espaço para a criatividade dos comerciantes, prestadores de serviços, publicitários. Algo que possa ser efetivamente curtido a dois, mesmo à distância.

E namorados que optaram em estar juntos, vivenciam a união estável, algo que se mostra proveitoso, um amadurecimento forçado da relação, com muitas descobertas – “uma espécie de test drive para o casamento”.

A solidariedade é outro ponto marcante. Quase 70% deste grupo de “solitários” afirma ter percebido aumento de atitudes solidárias por parte de família e amigos, principalmente. Esta solidariedade é traduzida, principalmente, em maior número de chamadas/vídeo chamadas e maior tempo de conversas. Desta forma, se sentem mais amparados e até consolados, principalmente mulheres e idosos.

Já a experiência dos “acompanhados” revela duas fases do “Estar junto”:

No sentido positivo, a convivência “forçada” parece ter trazido grandes conquistas e até descobertas, sendo principalmente, a capacidade de diálogo/melhoria na comunicação. A reboque veio a percepção de mais união (55% ), carinho (44%) e empatia, compreensão, aceitação, menor escrutínio em avaliar os pontos negativos dos outros. Abriu-se uma espécie de umbral, e a expectativa é de que esses elementos estarão presentes nos relacionamentos daí em diante.

Por outro lado, o negativo é que essa convivência contínua e obrigatória também trouxe ou intensificou a percepção de irritabilidade (47%), estresse e impaciência (44% cada), o que resulta em discussões, “brigas” e “picuinhas” do dia a dia.

Outra consequência deste compartilhamento é a perda da privacidade e esta parece irremediável. Não ter um momento, um canto da casa para si – até por problemas de espaço. Às vezes nenhuma atividade individual. Falar no celular sem ninguém ouvir. Depreende-se a sensação de que, mesmo quando terminar a quarentena, as antigas regras de respeito à privacidade dificilmente retornarão.

Os casados com filhos pequenos e adolescentes, muitas vezes relatam a perda total da privacidade, do espaço, da paciência. Muitas vezes, do controle sobre a educação dos filhos (apesar da grande alegria em poder conviver, estar junto).

Ainda por conta da questão da privacidade, o desejo sexual para a grande maioria (70%) se mantém da mesma forma, indo na contramão da percepção de carinho (44%), maior capacidade de diálogo (50%) e companheirismo (50%). Ainda que 25% tenham notado um up no clima de romance, apenas 14% (maioria masculina) atesta que seu apetite sexual aumentou. 11% afirma ter diminuído (maioria de mulheres), tendo como justificativas mais comuns o cansaço/sobrecarga de trabalho (tarefas domésticas, filhos e trabalho) e a pouca ou falta de privacidade.

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