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Artigo - As formas de exercer a paternidade podem ser diferentes, mas o amor e o compromisso têm que ser um só


São Paulo - SP 09/08/2020 15h40

Lelah Monteiro, sexóloga, psicanalista e fisioterapeuta. - Créditos: divulgação.

Recentemente nos vimos às voltas com uma grande celeuma por conta da campanha publicitária comemorativa ao Dias dos Pais levada ao ar pela fabricante de cosméticos Natura. Nela, Thammy, ator transgênero, aparece num vídeo em sua casa, brincando com o filho Bento, de seis meses. A campanha, que usa a hashtag #meupaipresente, teve filmes com outros personagens - o ex-BBB Babu Santana e o chef Henrique Fogaça, um dos jurados do reality Masterchef. Mas nenhum deles teve a repercussão alcançada pelo estrelado pelo filho e pelo neto da Gretchen.

De um lado, os comentários negativos falavam de “afronta aos valores morais e religiosos”, “aberração” e “boicote aos produtos da marca”. De outro, os defensores dos direitos LGBTQ+ comemoravam a visibilidade alcançada pela causa, que se torna uma realidade cada vez mais presente na nossa sociedade.

Não deixa de ser curioso todo o assombro com essa “nova” forma de paternidade: não se vê a mesma reação com aquela muito mais comum (e nenhum pouco “nova”), exercida por pessoas do gênero feminino, que assumem sozinhas a criação de seus filhos devido à ausência da figura masculina (na maior parte das vezes por opção desta, e não por uma impossibilidade qualquer) no dia a dia da prole.

Foi até criada uma expressão especial para isso “pãe”. Um jeitinho “simpático” de denominar uma situação que nada mais é do que resultado do abandono afetivo dos filhos por parte dos pais dessas crianças, que não cumprem o mínimo que se espera deles: seu dever, previsto na constituição, de garantir a elas respeito, convivência familiar e cuidado.

Amor parental não deve obedecer às fronteiras do sexo biológico, orientação sexual ou identidade de gênero, minha gente! Ele é, acima de tudo, compromisso. Não importa se os pais se identificam como cis ou trans; se formam casais hetero ou homossexuais; ou se exercem essa missão de forma “solo”. Amor é um só. Não aceita rótulos.

Nesse Dia dos Pais, meu desejo é que todos os pais - sem distinção - sejam presentes na vida dos filhos. E que todos o filhos tenham alguém para se orgulhar e chamar de pai.

Isso sim, é um Feliz Dia dos Pais!

Lelah Monteiro

>> Sobre a autora: sexóloga, psicanalista e fisioterapeuta. Atua em seu consultório em Perdizes (São Paulo, SP - www.lelahmonteiro.com.br ) como educadora sexual; terapeuta de casais, de família e sexual. Colunista e colaboradora de revistas, programas de rádio e TV com pautas relacionadas a comportamento, relacionamento, saúde, qualidade de vida e sexualidade. Atualmente comanda o quadro Sexpresso, todas as sextas-feiras, a partir das 13h, no programa Expresso Capital, na Rádio Capital AM.


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