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Profissões do futuro: conheça o cotidiano de quem trabalha com tecnologia 


Florianópolis, SC 21/07/2021 12h30

De acordo com a McKinsey, o déficit de profissionais em tecnologia no Brasil até 2030 passa de 1 milhão de pessoas

Profissões do futuro - Divulgação

Com o avanço dos últimos anos, a tecnologia deixou de ser um diferencial. Hoje, investir em digitalização é essencial para empresas de todos os setores se manterem competitivas no mercado. As incertezas geradas pela pandemia, junto da evolução do trabalho remoto e a tendência de adoção do modelo híbrido, aceleraram os processos de transformação digital e impulsionaram as iniciativas de inovação, com aplicação de metodologias de gestão ágeis e digitalização de processos.

Segundo a McKinsey, o déficit de profissionais em tecnologia no Brasil até 2030 passa de 1 milhão de pessoas e, de acordo com o Institute For The Future (IFTF), 85% das profissões que existirão nesse mesmo ano ainda não foram criadas. Foi percebendo essa volatilidade no mercado de trabalho que Leandro Herrera, fundador e CEO da edtech Tera, começou a capacitar profissionais nas habilidades digitais mais importantes para os negócios. A startup já formou mais de 6.000 estudantes, que hoje ocupam posições em empresas como PicPay, Nubank e Loft. "A maneira como os adultos se qualificam para o mercado de trabalho está em processo acelerado de disrupção. Vamos ver cada vez mais pessoas procurando transicionar de carreira ou se desenvolver para avançar profissionalmente e os métodos tradicionais de educação não darão conta ”, conta Herrera.

Segundo a consultoria norte-americana de RH Robert Half, entre as principais carreiras para o futuro do trabalho estão Tecnologia, Recursos Humanos e Jurídico. Confira como é o dia a dia dos profissionais dessas áreas:

Business Intelligence (BI)

O interesse por organização de dados começou muito cedo na vida de Jeferson Luiz Rosa, mentor da Acelerar, aceleradora de Negócios Colaborativos, da Área Central — o projeto visa estruturar o processo de compra conjunta das centrais de negócios. Ele conta que sempre gostou de organizar demandas por meio de planilhas e formulários e que, por isso, procurou se capacitar com cursos práticos e de especialização. “Para essa profissão é essencial gostar de resolver problemas, ser organizado e colaborativo. Além de fazer cursos, também é preciso praticar: mesmo que seja algo simples, como uma tabela de gastos pessoais, pegue esses dados, crie um dashboard e analise. Isso fará toda a diferença”, explica. No dia a dia, Rosa é responsável por analisar dados internos e elaborar dashboards com indicadores que apoiem a tomada de decisões da empresa. Além disso, como mentor, auxilia os clientes a explorarem os dados que o software para gestão de redes e centrais de negócios da Área Central coleta e trata, gerando informações sobre as compras conjuntas que ocorrem dentro da plataforma.

Segurança digital

A rotina de Rafael Aceno, DevSecOps na fintech Transfeera, se divide entre monitorar eventos de segurança, melhorar regras automáticas de detecção de ataques, investigar e tratar incidentes, além de implementar novas medidas de segurança para proteção de clientes — a empresa possui uma plataforma open banking de gestão e processamento de pagamentos. Aceno é formado em Sistemas da Informação, com nove certificações internacionais em segurança digital: “Todos os dias surgem novas vulnerabilidades e metodologias de ataques cibernéticos, por isso, é primordial se manter atualizado e tentar estar sempre à frente dos hackers”, explica. Para ele, é essencial saber solucionar problemas, ter curiosidade e conseguir trabalhar sob pressão durante os incidentes. De habilidades técnicas, Aceno ressalta que, como não existem muitas cursos práticos focados em cybersecurity, é importante estudar por conta própria, além de dominar algumas tecnologias, como arquitetura de segurança nos provedores de cloud; IaC (infraestrutura como código); ferramentas de SAST (Static Application Security Testing) e DAST (Dynamic Application Security Testing); conhecer as linguagens de programação python e GO para criação de scripts automatizados; e frameworks de cybersecurity como NIST, CIS e ISO27001.

Compliance e LGPD

Fernanda Arruda, head de compliance na fintech Transfeera e graduada em Direito, conta que começou a trabalhar na área em 2016, mas que foi em 2019, com o andamento de operações como a Lava Jato e a consequente necessidade que algumas empresas de desenvolver o compliance — criando código de ética, políticas anticorrupção e antissuborno, por exemplo — que ela percebeu a grande demanda por um serviço especializado. “Ano passado formalizamos na empresa um programa de compliance, que é voltado para ética e Prevenção à Lavagem de Dinheiro de Combate ao Financiamento do Terrorismo (PLD/FT). Diariamente monitoramos centenas de operações para avaliar os riscos de PLD/FT. Desenvolvemos critérios para análise de clientes que querem ingressar em nossa base. Fazemos treinamento de toda equipe e de cada colaborador que ingressa para que todos tenham conhecimento do nosso programa de compliance e o apliquem em seu dia a dia”, conta. Fernanda explica que o compliance não é uma atividade exclusiva da advocacia e dá dicas para quem quer entrar no ramo: “Meu conselho é investir em um curso voltado para a área de compliance e trabalhar habilidades que ajudem em múltiplas demandas. Também, ter energia e se manter informado é fundamental para entender os movimentos das empresas e do poder público”.

Product manager

Quando Maíra Storch descobriu o que era Product Management — área que conecta desenvolvimento, experiência do usuário e negócios —, percebeu que já estava trabalhando com isso. Ela, que agora é a Product Manager da startup global de vendas e gestão Kyte, conta que a profissão tem uma rotina bem diversa e exige empatia e capacidade de aprendizado. “Lidamos com muitas pessoas diferentes: entender os clientes, discutir estratégia com líderes, pensar em soluções com designers e desenvolvedores, planejar lançamentos com o marketing… e ainda ser mediador entre todos! Por isso, a comunicação é outra habilidade fundamental”. Formada em Administração de Empresas e com diversos cursos de gestão de produto, Maíra reforça que estudar a teoria é muito importante, mas que a base da profissão está na experiência diária. “Por conta disso, não há muitas vagas de entrada. Uma alternativa é entrar por áreas próximas, como UX Design e Análise de Negócios. Você também pode praticar de outra forma — como freelancer ou desenvolvendo um produto seu, por exemplo”, aconselha. “Tem várias formas de criar (ou pelo menos testar) um produto sem programar, inclusive!”.

UX designer

Garantir que os usuários de produtos digitais tenham uma experiência agradável é o principal objetivo profissional da Patrícia Klitzke, que trabalha como UI/UX Designer na divisão de Agricultura da Hexagon — empresa que desenvolve e fornece tecnologias para o campo. No seu dia a dia, Patrícia recebe solicitações de melhorias e de novas funcionalidades, buscando encontrar soluções que atendam à empresa e ao cliente. “Vontade de aprender e de resolver problemas são essenciais, assim como as soft-skills de empatia, boa comunicação e curiosidade”, explica. Entre as habilidades técnicas necessárias para a área, a UI/UX Designer aponta escrita, pesquisa, prototipação e noções de programação. Graduada em Design de Produto, com Pós-Graduação em User Experience Design e cursos de Front-End, ela ainda reforça que o estudo é o principal caminho para quem quer seguir na área. “Existem diversos cursos gratuitos e tutoriais que ensinam a utilizar as ferramentas mais comuns. Além disso, também é interessante participar de grupos e meetups e interagir com pessoas da área no LinkedIn”, diz.

Engenheiro de inteligência artificial

Doutoranda em Engenharia de Automação e Sistemas, Alana de Melo e Souza, é desenvolvedora de software na Sensorweb, líder em soluções de IoT para cadeia fria da área da Saúde e logística. Dedicada a tecnologias de Inteligência Artificial (IA), ela conta que seu conhecimento foi adquirido através da pós-graduação e graduação e no desenvolvimento de projetos. Além do conhecimento científico, parte do aprendizado foi conquistado por meio autodidata. “O campo da IA muda todos os dias, portanto o Engenheiro de IA deve se manter atualizado constantemente. Aprofundando na pesquisa autodidata sobre inovações científicas e tecnológicas do momento. Utilizando livros, artigos e conteúdos na internet para entender como é o desenvolvimento de sistemas que envolvem IA, abordando diferentes linguagens de programação, e aprofundando no mundo da matemática e probabilidade/estatística para o aprendizado de máquina”, explica. Na Sensorweb, os projetos no setor de P&D aos quais Alana participa tem como objetivo desenvolver ferramentas avançadas de predição de informações futuras e suporte à tomada de decisões técnicas baseadas em dados. “Essa tecnologia possibilita usar informações para fazer previsões ou classificar novos dados em formato de diagnósticos com muito mais agilidade que qualquer ser humano”. Em paralelo, a engenheira trabalha no projeto de doutorado com IA ligada à visão computacional, outra tecnologia que monitora ambientes visuais através das câmeras de maneira automatizada. Como lição de casa aos futuros profissionais, ela reforça que aprender a programar é essencial. Ela também aconselha: seja curioso (a) e invista nos estudos. “Digo isso, no sentido que, ao se deparar com problemas, esteja pronto para investigar e infiltrar no mais assertivo conceito que possa existir para contribuir com a redução de erros, eliminando trabalhos repetitivos e mostrando agilidade e precisão nos resultados com a automação de processos. Essa é uma área que demanda do profissional levar a sério os métodos de estudo, saber conectar o meio científico com o meio prático ao desenvolver sistemas, levando a teoria para o mundo real”, finaliza.

Especialista em transformação digital

Ter pensamento intuitivo e menos convencional; deixar fluir a criatividade; desenvolver a capacidade de ficar confortável com o desconforto; foco em inovação e resultados; interagir com profissionais multidisciplinares; resiliência; e manter uma visão holística. Esses são os conselhos de Rafael Scala, executivo de novos negócios e especialista em Transformação Digital da Softplan, para quem quer seguir este caminho. Engenheiro de Controle e Automação, ele conta que já na universidade era instigado a otimizar processos e automatizá-los, desde a extinção do papel até o uso de inteligência artificial para solucionar problemas que antes eram exclusivos dos seres humanos. “A transformação digital é um mindset imposto pela própria engenharia, e as cadeiras de automação nos obrigam a sedimentar esse conceito”, explica. Na Softplan há oito anos, Rafael atua para levar tecnologia ao segmento de infraestrutura e transportes de cargas e passageiros, onde todas as ações são voltadas para gerar transformação digital por meio de soluções e aplicativos especializados para a gestão pública. Tecnologias que resultam em mudança para clientes e usuários finais, que auxiliam na redução de tempo e de burocracia, facilitando a interação dos cidadãos com os órgãos públicos, e que asseguram a responsabilidade na gestão dos recursos públicos. “Nossa principal atividade é promover a otimização dos serviços públicos prestados ao cidadão, proporcionando maior celeridade, automatização e transparência, levando maior autonomia para a sociedade no seu relacionamento com o governo. É importante entender que as rodovias têm diversos dispositivos que devem ser geridos pelo órgão público para garantir a segurança e conforto dos usuários da via — transformamos para o digital esse processo, antes realizado por meio presencial, reduzindo o tempo de atendimento e automatizando diversos setores”, conclui.

Especialista em Data Science

Sempre buscar conhecimento, especializar-se em estatística e programação, ser curioso e focar em áreas do seu interesse são os conselhos do Thiago Stabile, gerente de Data Science, que também atua na Softplan. Thiago é formado em Sistemas de Informação e se especializou em novas tecnologias, hoje focadas na área jurídica. Atualmente, está à frente dos estudos e do desenvolvimento das inovações que a empresa oferece ao ecossistema de Justiça. As soluções da Softplan promovem a transformação digital em Tribunais, Ministérios Públicos, Defensorias, Procuradorias e escritórios de advocacia. “Eu cresci em uma companhia de tecnologia que atende e informatiza vários segmentos da nossa sociedade, mas foi a Justiça que me motivou a focar meus estudos e minha carreira. Hoje, atuo como gestor de um time de ciência de dados que trabalha com tecnologia de ponta e análise de dados jurídicos”, conta. Na rotina, estão atividades como gerenciar as equipes técnicas, definir tecnologias, fazer levantamentos de requisitos funcionais e não funcionais, além de levantamentos de dados e métricas. Para trabalhar com ciência de dados, Thiago destaca que é essencial gostar de matemática, estatística, programação e computação em nuvem. “Independentemente da área, é necessário entender a fundo as informações que estão sendo trabalhadas e o modelo de negócio de onde os dados são extraídos. Também é importante trabalhar em equipe e compartilhar conhecimentos, principalmente se você atuar em um segmento diferente do seu, como é o caso do direito digital”, ressalta.

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