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Estudo de multinacional francesa da área de energia comprova os benefícios da transformação digital


São Paulo 15/07/2019 10h12

Há ganhos em CapEx, OpEx, sustentabilidade, velocidade e desempenho. Por exemplo, a economia tanto no consumo quanto no custo de energia pode chegar a 85% e 80%, respectivamente

A transformação digital, ou só TD, saiu de tendência para ganhar o status de urgência. Grandes, médias, pequenas empresas – todos os portes. Indústrias, hotéis, hospitais, data centers – qualquer segmento. A adoção ampla de tecnologias digitais (IoT, big data, inteligência artificial, machine learning) veio para disrupcionar modelos de negócios, aumentando a eficiência e enriquecendo a experiência do consumidor. E no centro dessa jornada está a transformação da maneira como usamos os recursos do planeta, de como gerimos o uso da energia, especialmente, a elétrica.

“A verdade é que perdemos o deadline faz tempo. De um lado, a necessidade, a gana por tudo que o mundo pode oferecer; de outro, a ameaça iminente do aquecimento global; e, no meio disso, a solução em duas letras: TD”, declara Rafael Segrera, presidente da Schneider Electric para América do Sul.

Os impactos desse novo jeito de fazer podem ser percebidos em quatro macro setores econômicos: edifícios, data centers, indústria e infraestrutura. No primeiro caso, estamos falando de maior conforto por parte dos ocupantes, simplificação da operação e redução do uso de energia elétrica. Os edifícios são responsáveis por 36% de todo o uso final de energia global e 39% das emissões de carbono, segundo dados de 2017 da UN Environment and International Agency. “Felizmente, a tecnologia está aí para reequilibrar esses percentuais. Aliás, já existem prédios que geram mais energia do que consomem”, pondera Segrera.

No segundo caso, estudos dão conta de que o resfriamento pode representar 40% dos custos totais do data center e que, até 2025, o consumo de eletricidade da indústria de tecnologia da informação e comunicação aumentará para 20,9% de todo o total global, respondendo por 5,5% das emissões globais de gases de efeito estufa. “A luz no fim do túnel vem justamente da TD”, sustenta.

Com as tecnologias digitais, o fazer mais com menos também chegou à indústria. Como analisa o executivo da Schneider Electric, nunca foi tão fácil levar produtos ao mercado com rapidez e baixos custos de produção – tudo por causa da Industrial Internet of Things, a IIoT, que conecta inventário a sensores inteligentes em toda a cadeia de suprimentos.

Com relação à infraestrutura, a grande estrela é o smart grid. Nele, ficam bilhares de componentes controlados por uma arquitetura digital centralizada. Quando conectado, o smart grid se adapta muitíssimo bem a condições ambientais e de carga em constante mudança. “Assim, ele ganha confiabilidade e começa a gerar uma quantidade incrível de dados que podem ser usados para otimizar eficiência e acelerar a transição a favor do uso de energia renovável. Ou seja, é o caminho para responder às tendências de crescimento populacional e descarbonização”, diz Rafael Segrera.

Comprovação

Para comprovar os benefícios da transformação digital, a Schneider Electric realizou um estudo considerando 230 projetos para clientes desenvolvidos ao longo dos últimos cinco anos em 41 países. Foram observados 12 pontos-chave, divididos em três categorias: CapEx (despesas em investimento), OpEx (despesas operacionais) e Sustentabilidade, Velocidade e Desempenho. As conclusões são animadoras.

Em CapEx (despesas em investimento), as novas tecnologias otimizam custos e tempo de engenharia, em média, 35%, podendo atingir 80%. Já custos e tempo de comissionamento melhoram, em média, quase 30%, podendo chegar a 60%. Por fim, custos de investimento têm impacto positivo de 23%, podendo alcançar 50%.

Em OpEx (despesas operacionais), os benefícios são ainda mais numerosos. A economia tanto no consumo quanto no custo de energia é de, em média, 24% e 28%, podendo chegar a 85% e 80%, respectivamente. A produtividade aumenta, em média, 24%, podendo alcançar 50%. Quanto à disponibilidade e ao tempo de vida útil do equipamento, o índice é de 22% em média, podendo atingir 50%. E os custos de manutenção melhoram, em média, 28%, podendo chegar a 75%.

Em Sustentabilidade, Velocidade e Desempenho, última categoria, os impactos são sentidos em quatro frentes: otimização da emissão de CO2, com 20%, em média, até 50%; redução dos incidentes relacionados ao conforto dos ocupantes, com 24%, em média, até 33%; otimização do tempo para comercialização, com 11%, em média, até 20%; e, finalmente, retorno do investimento, sendo 5,3 anos a média e 0,75 ano o melhor resultado.

“Na América do Sul, temos vários cases de sucesso a compartilhar. Aqui no Brasil, um dos destaques fica por conta do Aquapolo, o maior empreendimento para produção de água de reuso industrial da América do Sul e o quinto maior do planeta. É responsável por produzir 1.000 litros de água de reuso por segundo para o Polo Petroquímico do ABC Paulista. Uma solução de conectividade, controle, automação e análise de dados possibilitou 30% de diminuição do consumo de energia, aumento de 25% da eficiência operacional e 25% de redução do custo de propriedade”, comenta Segrera.

Quando se fala em TD, é preciso tocar num “ponto de dor”, como reforça o presidente da Schneider Electric para América do Sul: cibersegurança. “Para que as organizações tenham êxito nesta guerra cibernética, é imprescindível, primeiramente, conscientizar líderes e demais colaboradores sobre a importância de seguir políticas, normas e protocolos de segurança. Em segundo lugar, é preciso investir em formação, em capacitação para que os profissionais estejam aptos a implementar as várias ferramentas já disponíveis. E, por fim, deve-se monitorar, regularmente, os processos de ponta a ponta, sempre com foco em melhorias contínuas. Ou isso, ou o prejuízo pode ser incalculável.”

As evidências quanto ao valor operacional, financeiro, ambiental e estratégico da transformação digital estão por toda parte, e as histórias de sucesso vão, sim, acumulando. “O que os empresários e gestores têm que decidir, rapidamente, é se querem protagonizar uma delas, ou se deixarão as coisas acontecerem até eles próprios virarem história”, finaliza Rafael Segrera.

 


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