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Suicídio: como identificar os sinais e ajudar quem está próximo?


São José do Rio Preto, SP 18/09/2019 13h45

O suicídio deveria ser abordado durante todo o ano, mas em setembro é o mês em que intensifica-se a luta por salvar vidas. O problema ocorre em todas as camadas sociais, idades e gênero, e ainda enfrenta muito preconceito. O conteúdo abaixo mostra os principais sinais de uma pessoa com tendência ao suicídio e ilustra como ajudá-la enquanto há tempo.

É fato que o suicídio é um tema pouco discutido. O assunto ganha maior importância em determinadas épocas, como o Setembro Amarelo, período em que as pessoas e organizações públicas e privadas lançam campanhas de prevenção ao suicídio. Os dados apresentados a seguir vão mostrar isso.

Alguns especialistas, como Carmen Baldisserotto, médica especializada em psiquiatria, destaca que é importante falar sobre o tema por diversas razões: conscientizar as pessoas em relação a esse problema, de modo que elas possam ajudar a quem tanto necessita; sensibilizar e chamar a atenção das autoridades públicas, para que elas pensem em políticas públicas objetivando acolher as pessoas que passam por esse problema; e, o mais essencial, aponta a médica, para fazer as pessoas que passam por esse problema verem outra saída para resolver questões pelas quais elas estejam passando.

Estatísticas: mundo e Brasil.

Conforme dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), uma pessoa tira a própria vida a cada 40 segundos, isso a nível mundial. No geral, são cerca de 800 mil mortes por suicídio por ano. Número que supera as mortes em decorrência de outros problemas de saúde, como malária (438 mil por ano) e câncer de mama (mais de 100 mil por ano). A OMS traz um fato: o suicídio mata mais que a guerra ou homicídio. De acordo com uma matéria divulgada pela Exame, em que aborda dados de um relatório da OMS, em 2016, por exemplo, o mundo teve cerca de 477 mil homicídios.

No Brasil, a realidade não é diferente. De acordo com uma matéria publicada pelo O Globo em setembro de 2018, em média, uma pessoa tira a própria vida a cada 46 minutos no país. No total, em 2016, foi registrado cerca de 11.500 mortes por suicídio, um aumento de 2,3% em relação ao anterior, 2015.

Ressalte-se que, conforme a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), o suicídio é a segunda maior causa de morte a nível mundial, perdendo apenas para acidentes de trânsito. Em seguida, têm-se as mortes que são originadas a partir de doenças como HIV/AIDS e patologias de origem respiratória.

Perfil de quem comete suicídio.

Ainda de acordo com Baldisserotto, não há um perfil exato de quem pensa em cometer suicídio. O problema pode atingir as mais variadas camadas sociais, bem como fases da vida e idade, complementa. Com isso, alerta a profissional, ainda que as pesquisas apontem um perfil, ele não é exato, mas serve de orientação para a criação de políticas públicas voltadas para esse perfil, o qual apresenta casos mais recorrentes, estando propensos a tirar a vida.

Nesse sentido, uma pesquisa desenvolvida pela Universidade Leuven em oito países, apontou que 1/3 dos universitários que fizeram parte do estudo (14 mil entrevistados) já pensou em cometer suicídio. Todavia, entre os diversos públicos, o estudo relata que alguns ofereceram maior grau de risco, como os jovens transgêneros, pessoas não cristãs e filhos de pais separados. Os estudiosos, em suma, perceberam que as minorias sociais são mais propensas ao suicídio.

Outra pesquisa, dessa vez encabeçada pela OMS, apontou que, em geral, o suicídio é cometido mais por jovens entre 15 a 29 anos.

Outro grupo social que também foi destacado pela OMS como propenso ao suicídio são os idosos. Conforme o órgão, o suicídio na terceira idade chega a cerca de 8 casos para cada 100 mil pessoas. O número de casos é ainda maior acima dos 70 anos.

Afinal, por que uma pessoa comete o suicídio?

Para alguns, frescura, para outros, fragilidade. De acordo com José Manoel Bertolote, coordenador do departamento de saúde da OMS, que trata de problemas relacionados a transtornos mentais, o pior é que muitas pessoas realmente pensam dessa maneira. Todavia, para ele, isso gera desinformação, como também faz esse problema ser reduzido quando, na verdade, deveria ser maximizado para receber a devida atenção por parte dos órgãos públicos e da sociedade, em geral.

Entender o comportamento que gera o suicídio é fundamental não apenas para sair desse mar de desinformação e preconceito, mas também para ajudar as pessoas que precisam, as quais são, muitas vezes e injustamente, julgadas de desequilibrada, aponta o estudioso em seu Manual de Prevenção ao Suicídio, o qual pode ser acessado neste link: https://www.who.int/mental_health/prevention/suicide/en/suicideprev_phc_port.pdf

De acordo com a psicóloga Daniela Pelisson, que também é especialista em Terapia Cognitivo Comportamental, no dia a dia do consultório é possível perceber algumas causas imediatas, como, por exemplo: fracasso, perda de emprego, endividamento ou falência financeira, perda amorosa, falecimento de um ente querido e a perda da fé em si (que é quando, aponta ela, você acredita que é pior que todos nas mais diferentes esferas da vida: trabalho, estudos etc.). São, de um modo geral, elementos que servem como um empurrão para o cometimento do suicídio, complementa a profissional.

O que fazer para ajudar uma pessoa que apresenta sinais de suicídio?

Conforme a psicóloga Daniela Pelisson, as pessoas com propensão ao suicídio apresentam, basicamente, quatro sinais:

1. Expressam sua vontade de partir desse mundo;

2. Mudam de humor com certa variedade;

3. Possuem depressão, um sinal de que não vê mais sentido na vida;

4. Fazem uso de drogas como uma forma de atenuar o seu sofrimento.

Caso algum ou alguns sejam identificados, o recomendado, aponta a profissional, é tentar conversar, manter um diálogo aberto, compreensivo e empático. Ressalta que "o mais importante é ficar atento a esses sinais e dar a devida importância, procurando ajuda profissional o quanto antes".

Ela complementa que é importante, nesse momento, focar no problema da pessoa, do outro, para que ela não entenda que se trata de uma tentativa de diminuir o que ela sente ou está passando. A especialista aponta que é comum, nessa interação, as pessoas não escutarem com a devida atenção ao que o outro está passando e, quando escutam, fornecem soluções que, muitas vezes, não ajudam. Nesse caso, o melhor a se fazer é indicar ajuda especializada, conclui.


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