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Hypercubes: como uma startup brasileira pode acabar com a fome no mundo


Porto Alegre, RS 27/09/2019 17h44

Além de combater a fome, o trabalho da Hypercubes pode ainda ajudar no acompanhamento e prevenção de desastres ambientais.

Deposit Photos

A Singularity University, no Vale do Silício, é um dos ambientes mais inspiradores para quem trabalha com tecnologia atualmente - e é lá que um projeto brasileiro tem atraído vários olhares curiosos ao redor do mundo. Criada por um brasileiro, a Hypercubes promete revolucionar o modo como se enxerga a agricultura e trazer novas perspectivas para o futuro do planeta.

Fundada em 2015 pelo empreendedor Fábio Teixeira, a Hypercubes desenvolve uma tecnologia que permite que nanosatélites fotografem a superfície da Terra e analisem a saúde do solo. Isso significa levantar dados acerca de qual elemento químico está mais abundante ou escasso, identificar contaminações, pragas e outras informações que vão ajudar a produzir mais e melhor.

“É um novo nível de informação que estamos levantando, que pode levar a produção de comida para o estado da arte”, diz Fábio. O fundador possui em mente um dos problemas mais antigos e dolorosos do mundo: a fome. “Esse é um problema que nas próximas duas décadas temos que enfrentar. Em 2050 teremos 10 bilhões de pessoas no planeta e vamos precisar produzir mais comida nas próximas décadas que nos últimos 10 mil anos juntos”, comenta.

A tendência dos nanosatélites

A Hypercubes surfa em um momento muito oportuno onde a mesma onda tecnológica que está deixando os celulares cada vez menores também chegou nos satélites. Para se ter uma ideia, um minissatélite pesa entre 100 e 500 kg, enquanto os nanosatélites chegam a pesar entre um e 10 kg. Eles possuem o tamanho aproximado de uma caixa de sapato e custam muito menos que os satélites padrões, o que torna a startup sustentável no mercado.

A startup começou de uma maneira, no mínimo, curiosa. Inicialmente participando de um desafio da agência espacial americana Nasa, o empreendedor notou que o prêmio não cobriria os preços da pesquisa, então redirecionou a ideia para algo sustentável e que mantivesse o mesmo impacto. A ideia deu tão certo que chamou a atenção de gigantes como o empreendedor Beto Sicupira, considerado o quarto homem mais rico do Brasil.

Satélites em fase de teste

Atualmente a Hypercubes possui seu próprio laboratório em São Francisco (EUA), com uma equipe de engenheiros trabalhando no desenvolvimento do primeiro satélite que deverá ser lançado nos próximos meses.

É através de imagens hiperespectrais que os nanosatélites capturam informações vitais para análise. Essa tecnologia permite que eles processem informações de todo o campo eletromagnético, em cada pixel de imagem, identificando materiais e composições do solo. Para quem produz alimentos, por exemplo, os dados levantados pelos nanosatélites vão ser extremamente úteis.

As informações processadas através de machine learning vão ajudar agricultores a verificar se o solo está pobre em nutrientes ou até mesmo identificar espécies invasoras e pragas, por exemplo. “Com isso seremos capazes de identificar os fenômenos no dia em que eles acontecerem; não um ou dois meses depois, quando já conseguimos ver a olho nu e o estrago foi grande e correr o risco de perder toda uma lavoura”, afirma o fundador da Hypercubes.

Em dezembro deste ano, cerca de 4.600 lavouras do Paraná serão as primeiras a receber os testes do satélite, no Paraná. “A ideia é produzir um case de como produzir mais alimentos com menos recursos e menos impacto ambiental”, explica Fábio.

2Future Holding

A Hypercubes faz parte do portfólio de empresas que recebem investimento da 2Future, uma holding que decidiu pensar grande e além. Assumindo a responsabilidade de ser protagonistas de um futuro melhor, ela utiliza recursos a favor do avanço, principalmente através da tecnologia.


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