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Bancos digitais no Brasil? Já chegaram e vão bem


São Paulo - SP 28/12/2020 17h36

Foto: Megan Rexazin/Pixabay

A implementação recente do sistema PIX pelo Banco Central no Brasil tem tido grande adesão: foram feitos 72 milhões de registros para transações por meio do novo sistema nos mais diversos bancos comerciais.

Essa solução bancária digital foi elaborada remotamente pelos funcionários do Banco Central, mas está longe de ser um improviso motivado pela pandemia: o desenvolvimento do PIX é uma atualização necessária para o processo de digitalização financeira, que também gera novas empresas e inovações em serviços bancários.

No ambiente bancário altamente concentrado do país, modernizações digitais podem aumentar a competição entre empresas, reduzir custos de transação e melhorar a segurança financeira. Conheça os novos paradigmas do PIX e entenda por que eles são apenas uma amostra do que essas modernizações devem trazer.

A digitalização da moeda

Uma das inovações do mundo digital é tornar a moeda mais líquida: ela pode ser transferida com grande rapidez, a custos desprezíveis e rapidamente. Uma das implicações práticas de assumir essa novidade é reduzir drasticamente custos de operações (para empresas) e serviços (para clientes).

O PIX passa a incorporar o custo próximo de zero nas das pontas do sistema financeiro. Ainda é cedo para concluir se o barateamento se refletirá em pacotes de serviços mais baratos por parte dos bancos comerciais, mas é um indício de boas novidades em um país de spreads bancários e juros tradicionalmente altos.

Além disso, o PIX impõe como padrão a possibilidade de fazer transações em poucos segundos e em qualquer hora do dia. Essa “aposentadoria” das transações por TED exige uma modernização dos grandes bancos em prol de uma melhoria de serviços.

Segurança

As compras pela internet tornaram-se uma realidade próximo de milhões de brasileiros nos últimos meses, e tendem a se consolidar nos hábitos de consumo da população num futuro próximo. Porém, a quantidade de golpes virtuais também cresceu exponencialmente, quebrando novos recordes.

Felizmente, o sistema financeiro nacional dispõe de uma rede de conexão própria que não integra a rede de internet para suas comunicações. Esquematicamente, essa rede bancária segura pode ser comparada a uma conexão VPN, pois ambas permitem circular informações pessoais por “túneis” eletrônicos seguros, imunes de rastreamentos mal-intencionados.

O sistema PIX usa dessa estrutura para viabilizar as operações de correntistas de diversos bancos. Cada usuário pode cadastrar algumas chaves pessoais junto a seus bancos para servir como comprovantes nas operações, e executar transações no celular.

No mundo dos bancos digitais, ainda há muitas inovações possíveis. Os criptoativos e os variados modelos de contratos digitais são tecnologias promissoras para descentralizar e tornar mais seguros os negócios financeiros.

Plataformas como o blockchain e o Ethereum provavelmente deixarão de ser uma curiosidade de “iniciados” no mundo virtual e se tornarão ferramentas cada vez mais presentes em instituições financeiras e no cotidiano de comerciantes nos próximos anos.

Competição

Nubank, Banco Inter e Original são alguns dos diversos bancos digitais que começaram a operar no Brasil nos últimos anos. Apostando na mudança de hábitos das novas gerações, essas empresas automatizaram grande parte de suas operações, deixando de oferecer agências e alguns outros tratamentos personalizados a seus clientes.

Em troca, conseguem cortar custos e repassar parte dessa economia à clientela, na forma de rentabilidades maiores e tarifas reduzidas sobre serviços.

O ganho em competitividade dos bancos digitais não é desprezível num setor da economia tão fechado à entrada de novos agentes de mercado.

Porém, além de “abrir caminho” nesse ambiente econômico, as inovações praticamente obrigam os grandes bancos a acompanhar o ritmo, reduzindo margens de lucros e oferecendo serviços mais eficientes e competitivos.

Nesse sentido, fica difícil para uma instituição financeira manter anuidades e taxas elevadas sobre o uso de uma conta bancária depois a redução de custos de transação trazida pelo PIX. Diante de ofertas melhores, a clientela pode optar por serviços mais baratos que oferecem quase a mesma coisa ou até mais utilidades.

A evolução dos grandes bancos se reflete, por exemplo, no recente anúncio da transferência dos servidores do Itaú para a nuvem computacional. Mas o Banco Central promete há meses aumentar ainda mais a competição entre entes financeiros, implementando o open banking.

O open banking ou a abertura do sistema bancário consiste em dar opção aos correntistas de qualquer instituição de permitir que todos os bancos cadastrados junto ao Banco Central tenham acesso a alguns de seus dados.

Dessa forma, esses correntistas poderão receber ofertas personalizadas de serviços financeiros que atendam melhor a suas necessidades, dando maior autonomia para contratar opções realmente vantajosas.

Conclusão

Chega a ser um clichê dizer que as tecnologias digitais revolucionaram o mundo e vão trazer ainda mais mudanças. Porém, em poucos setores os benefícios podem ser sentidos de forma mais intensa do que no financeiro.

Os bancos seguirão em constante evolução para manterem-se relevantes e os consumidores deverão ter acesso a novas boas oportunidades, contanto que se mantenham informados e aprendam a consumir digitalmente.

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