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Pesquisa inédita do Ibase aponta a realidade dos jovens de 13 favelas da Zona Norte do Rio


Rua Senador Dantas, nº 40 - 2º andar - Centro - Rio de Janeiro / RJ - 20031-203 04/08/2020 14h36

Mesmo sem acesso à educação de qualidade, às tecnologias e convivendo com a violação dos direitos civis, jovens do Complexo do Alemão fazem a diferença dando visibilidade às pautas da população e atuado no enfrentamento dos impactos da Covid-19 nas áreas de favelas e periferias.

Enquanto o impasse da volta às aulas toma conta dos debates no país, em 13 favelas da Zona Norte do Rio, que compõe o Complexo do Alemão, o cenário é da falta de acesso à educação de qualidade e às tecnologias, além de jovens convivendo com a violação dos direitos civis. 69% dos jovens do Complexo do Alemão já sofreram ou conhecem quem sofreu violência de agentes do estado, e 60% dos entrevistados entre 15 e 29 anos afirmaram que já sofreram ou conhecem quem tenha sofrido discriminação em virtude de sua raça/cor, condição financeira, religião ou por questões de gênero (pelo fato de ser mulher ou ser trans). Isso é o que aponta uma pesquisa inédita do Ibase (Ibase - Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas) que entrevistou 2 mil moradores, maiores de 15 anos.

O estudo revela que 71% dos jovens entre 15 e 29 anos da região acreditam que a oferta de ensino na comunidade não atende às necessidades dos moradores. Dados do Censo Demográfico revelam que 27% dos jovens entre 15 e 17 anos que moram no Alemão estão fora das escolas. E os que estão na escola não encontram laboratório de informática, nem bibliotecas. As escolas de ensino fundamental não contam com estrutura e atendimento adequados para a garantia de uma educação inclusiva. Além disso, até o final do estudo, dos 648 professores que trabalham nas escolas locais, apenas um havia realizado formação continuada nas temáticas gênero e diversidade sexual, e dois nas temáticas história e cultura afro-brasileira e africana.

Outro assunto que recebeu atenção no estudo foi o acesso à internet, desde 2016 considerado pela Organização das Nações Unidas como um direito humano básico por seu papel transformador nas relações humanas e no progresso da sociedade. A pesquisa apontou que 76% dos jovens entre 15 e 29 anos acessam diariamente a Internet por smartphone, mas sem conexão adequada, por exemplo, para aulas online já que somente 19% possui smartphone próprio e 47% rede wi-fi na residência.

Para Bianca Arruda, pesquisadora do Ibase que participou do estudo, apesar de todas essas adversidades, são esses jovens que contribuem vigorosamente para dar visibilidade às pautas da população, realizando denúncias de violações de direitos e encaminhando diálogo com instituições defensoras de direitos humanos e parlamentares. São esses jovens, também, que estão realizando ações para o enfrentamento dos impactos da Covid-19 e da grave recessão econômica nas áreas de favelas e periferias, informando a população e participando de iniciativas sociais.

** O estudo “Juventude em Movimento”, realizado durante todo o ano de 2019 e o primeiro trimestre de 2020, contemplou as favelas Adeus, Alemão, Alvorada, Baiana, Fazendinha, Grota, Loteamento, Matinha, Mineiros, Nova Brasília, Palmeiras, Pedra do Sapo (Esperança) e Reservatório, e foi realizado pelo Ibase - Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas em parceria com o Instituto Raízes em Movimento, organização não-governamental com forte atuação no Complexo do Alemão. O trabalho foi financiado pela organização canadense International Development Research Centre (IDRC), que apoia estudos sobre juventudes em todo o mundo.


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