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O movimento antirracista discutido nas salas de aula de escolas e faculdades


São Paulo 16/06/2020 12h52

As manifestações em meio à pandemia fazem parte das discussões nas salas de aulas remotas com alunos de escolas privadas e universitários.

O racismo estrutural nos Estados Unidos, em evidência na última semana pelo brutal assassinato de George Floyd por um policial branco, intensificou manifestações contra o racismo em vários países ao redor do mundo, inclusive no Brasil.

As manifestações em meio à pandemia fazem parte das discussões nas salas de aulas remotas com alunos de escolas privadas e universitários. A socióloga e professora da disciplina de “Culturas Brasileiras e Diversidades Éticas” do curso de Pedagogia do Instituto Singularidades, Denise Rampazzo, diz que a discussão junto aos alunos de Pedagogia sobre a atual situação é muito reflexiva e embasada por teóricos. “Esses alunos serão professores em sala de aula num futuro próximo, e terão grande responsabilidade na formação da geração futura”, diz.

Os alunos são convidados a ler a clássica obra de Darcy Ribeiro, “O povo brasileiro” e textos do antropólogo e professor da USP, Kabengele Munanga, uma das principais referências na questão do racismo na sociedade brasileira, entre outros.

Rampazzo reforça em suas aulas de diversidades éticas que qualquer forma de desigualdade deve ser superada na escola. “Toda essa situação que estamos vivendo, de polarização, tem despertado o sentimento de raiva nas pessoas. E isso é ruim para o educador. É papel do professor ser generoso, e isso ele só conseguirá se tiver conhecimento e embasamento para entender por que as pessoas pensam diferente”, diz.

Segundo ela, apesar das aulas estarem acontecendo de forma remota, as discussões da classe estão bem acaloradas. “Hoje uma aluna do curso que é bastante tímida e pouco se expunha durante as aulas presenciais, pediu a palavra. Foi muito impactante para todos, porque ela disse que só depois que ela entrou no curso de Pedagogia teve o conhecimento de que tudo que ela sofreu durante sua existência foi violência (ela é negra e de baixo poder aquisitivo). Essa aluna nos contou, chorando. Foi triste, forte e importante para a reflexão de todos”, contou.

Em sua coluna "Racismo se "desaprende" na escola" publicada na Folha de S.P dia 4/6, o pesquisador da Universidade Columbia ( NY) e futuro CEO do Instituto Singularidades, Alexandre Schneider, diz que " é um erro considerar que o racismo se encerrará no ambiente educacional apenas com a adoção de uma política de cotas bem desenhada. Para isso é preciso atuar no redesenho dos currículos e na formação continuada dos professores".

No Colégio Equipe, os alunos do ensino médio estão estudando a história do racismo no Brasil. “Com certeza na aula da próxima semana, abordaremos o assunto das manifestações e muitas questões serão debatidas”, diz a professora de História, Eliane Yambanis.

Já com os alunos do 9º ano do Equipe, a temática das manifestações antirracistas surgiram com força na última semana. Na disciplina de Leituras e Imagens, o professor Maurício Freitas, convidou os alunos – através de textos, vídeos e imagens – a refletirem sobre a origem de tudo que está acontecendo e buscarem imagens que contem histórias. A minissérie “Roots” baseada no livro do jornalista Alex Haley e a música “Boa Esperança” do Emicida foram algumas das fontes.

“ E a história tem de ser contada a partir do continente Africano. São muitas Áfricas, e os alunos têm de se apropriar de todos esses conhecimentos, para irem construindo suas percepções de mundo”, diz o professor Mauricio.

Na Stance Dual, são os alunos do 8º ano que estão abordando o tema. O professor de Estudos Sociais, Patrick de Menezes, conta que estava trabalhando com os alunos o tema da “democracia” e a questão racial nos Estados Unidos, quando ocorreu o assassinato de George Floyd.

Uma análise das notícias divulgadas pela grande imprensa americana mostrou aos alunos as diferenças entre as mídias mais ou menos conservadoras. New York Times, Fox News e vídeos divulgados foram analisados juntamente com pesquisas que relatam a desigualdade social, o racismo no cotidiano e o percentual da renda média das famílias negras em relação às famílias brancas.

“E depois de toda essa discussão e análise, os alunos terão de complementar suas pesquisas e escreverem reportagens como se fossem correspondentes internacionais dos veículos de mídia americanos”, conta Menezes.


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