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Guia lives - 10 dicas para você entrar ao vivo


São Paulo, SP 02/06/2020 18h56

Anderson Passos, head de Comunicação e Relacionamento da Vedacit

Segundo o Youtube, a cada dez transmissões ao vivo, sete são brasileiras. Com o Covid-19, as lives cresceram - repentinamente e com força extraordinária - tornando-se a mais nova forma de propagação de conteúdo e entretenimento. Porém, nem todos estão preparados para entrar ao vivo. A seguir, reuni dicas que acumulei, em mais de 20 anos trabalhando com Comunicação Corporativa, para ajudar você a brilhar nas redes sociais.

Um amigo faz um convite para que você participe de uma live. O assunto é interessante, você domina o assunto, até já realizou palestras sobre o tema. Sem hesitação ou pormenores, a proposta é aceita, com louvor. Você encara a oportunidade como algo positivo, com um certo ar de excitação, sublinhado por um subtexto: “Poxa que bacana, uma oportunidade para minha exposição, compartilhar meus conhecimentos, me distrair um pouco”. Dias depois, você recebe o link da live. A conexão acontecerá em algumas horas. Tudo tranquilo. Afinal, é só uma live. Vinte minutos antes do início do evento, você liga o laptop e o apoia, improvisadamente, na sua mesa de centro da sala de estar. Você acessa o link e começa a tentar decodificar aquele software de vídeo que nunca vira antes. “Ah, tudo bem, deve ser igual a todos os outros”. Logo, vê que não: é necessário criar login e senha, fazer um cadastro e baixar o aplicativo. “Ok, ainda tenho 10 minutos. Vou correr”. Finalmente consegue entrar. O enquadramento não é dos melhores. A luz fria do ambiente não favorece a cútis.

O bate-papo tem início. Após as apresentações, a conversa começa a travar. O horário escolhido – 19h – é bem disputado pelos influenciadores. Discretamente, você olha o número da audiência e verifica que a live não está tão explosiva assim. Míseros 15 participantes. Uma frustação começa a tomar conta de seu humor e sua voz começa a embargar. Pudera. A live vai bem, até o momento em que seu amigo dispara perguntas, solicitando dados e uma profundidade sobre um assunto que não está tão dentro do tema. Você engole seco e começa a responder com um “olhar oblíquo de cigana dissimulada” (Machado de Assis). Mas, ok, afinal de contas, você não alinhou pauta e roteiro previamente.

Para finalizar a cena, você começa a ver, nos comentários, que existe uma “alma sebosa” fazendo comentários belicosos. Seu amigo, o “dono da live”, não domina tanto a ferramenta e não consegue bloquear o talibã de plantão. Um caos.

Para que este episódio não aconteça contigo, preparei uma série de dicas para que você utilize este recurso da forma mais proveitosa possível. A live, recurso lançado pelo Facebook em 2015, tornou-se popular em tempos de quarentena.

Desde 2016 no Instagram (que, aliás, utiliza o recurso com prioridade nos Stories e envia notificação de exibição no feed), neste momento - em que boa parte da população está em casa - a live ganha força. A audiência é maior e está entediada, ávida por entretenimento e informação. Ademais, a tendência do “ao vivo” é forte e não apenas nas redes sociais. Também ganha força nos grandes canais de comunicação, apostando em formatos em tempo real. Não é de hoje que o brasileiro gosta do vídeo. Desde Assis Chateaubriand, nós desenvolvemos uma relação de amor com a televisão. Mas, voltemos ao nosso objeto de discussão, as lives...Ou, você na TV, no tubo (YouTube).

1. Prepare um roteiro bem estruturado – Quando estamos em uma transmissão ao vivo é importante organizarmos previamente as informações que iremos passar. Isso porque, no momento da live, fatores emocionais e ambientais se fazem presentes. Por ser ao vivo é preciso evitar uma gafe. Geralmente o streaming costuma durar uma hora ou mais, logo, um roteiro é fundamental para não se perder ou esquecer dados relevantes. Anote tópicos em um papel, faça uma “cola” dos pontos principais. Desenvolva as principais mensagens que você precisa transmitir.

2. Destaque a opinião pessoal de forma específica – Caso você esteja fazendo uma live representando uma empresa, atente-se para os seus comentários, para a opinião que vai expressar (questão de cunho pessoal). Lembre-se de destacar que se trata de uma informação de sua responsabilidade e não da empresa. Evite informar dados de mercado que não sejam oficiais e não se envolva em polêmicas que possam criar ruídos para sua imagem ou reputação da empresa.

3. Evite se envolver em posicionamentos políticos – Controle-se nos conflitos. A não ser que este seja o mote da live. Enfrentamos uma polarização política, que ficou evidenciada durante a crise do Covid-19. É preciso ter cautela e bom senso ao emitir opiniões, visto que, em momento de crise, tudo pode mudar.

4. Responda os comentários com clareza e coerência - É bem provável que os espectadores da live façam perguntas. Para respondê-las, lembre-se de manter o roteiro em mãos e material de apoio. Um “Q&A” (Perguntas e Respostas) pode te ajudar bastante. Em conjunto com o outro participante, decida – logo no início – a forma como as questões serão respondidas e, em dupla, expliquem ao público como será esse processo (se durante ou no final do papo ou, ainda, posteriormente).

5. Domínio do conteúdo - É sempre importante estudar o tema a ser discutido na live e se manter atualizado. Fortaleça o colóquio com conteúdo oriundo de fontes confiáveis, que te confira ainda mais segurança. Lembre-se de mencionar sempre essas fontes, principalmente ao se tratar de dados numéricos. Se surgirem questões que não tenha certeza, fique à vontade para dizer que não conhece determinada informação (ou que não é especialista no assunto). Reforce suas mensagens-chave com histórias bem-humoradas (se o tema permitir), estatísticas, analogias e exemplos – isso cativa o público. Monitore a quantidade de informação para não sobrecarregar a memória do receptor.

6. Seja gentil, simpático e educado – Mesmo se acontecer uma situação desagradável, mantenha a boa educação e a gentileza. Seja cordial e responda à questão de forma objetiva, evitando demonstrações emocionais de descontentamento. Nunca leve eventuais ponderações negativas para o lado pessoal, muitas vezes as pessoas não percebem um comportamento indelicado. A audiência tende a dar mais atenção a sinais heurísticos (quão simpático é o interlocutor) do que a argumentos. Mantenha seu rosto visível o tempo todo: gera mais confiança e entendimento.

7. Use trajes adequados – Postura, aparência e linguagem corporal também constituem informação. Apesar de estar em home office, lembre-se que a live, muitas vezes, é um encontro profissional. Por isso, use roupas adequadas ao momento. Semelhantes àquelas que utiliza para trabalhar. Lembre-se também dos cuidados pessoais que garantem sua boa imagem. Evite roupas e acessórios que chamem mais atenção do que a sua mensagem.

8. Fale em tom compreensível – Teste o som antes de começar a live. Veja se o equipamento que vai ser utilizado (computador, laptop ou celular) está devidamente preparado. É muito comum que o som saia prejudicado. Para evitar essa falha, lembre-se de checar se o microfone está configurado e funcionando da melhor maneira possível. Avalie, também, a sua conexão à internet. Uma interlocução falha, que “cai” ou falha durante a transmissão é desagradável para quem assiste ao conteúdo.

Outra dica importante é se hidratar durante o bate-papo. Durante a transmissão falamos em um tom mais alto que o normal, isso pode prejudicar a voz. Tome água durante a sua apresentação, adrenalina resseca a garganta. Produza sua voz de modo suave, sem fazer força. Fale paulatinamente, em um ritmo que não seja muito lento, nem muito rápido. Relaxe o pescoço para garantir um tom de voz mais agradável. Dê ênfase aos trechos mais importantes de suas falas. Respeite as pausas naturais e use pausas estratégicas para surpreender.

9. Escolha um bom ambiente – Um ambiente tranquilo, com o mínimo de ruídos externos, é o ideal para a live. Escolha um local confortável, com boa iluminação (luz quente) e que o beneficie com um ângulo interessante. Evite a movimentação de pessoas e se mantenha tranquilo para participar da transmissão.

10. Linguagem – Seja simples e use linguajar fácil. Analise o perfil da audiência; dos demais interlocutores; tema e plataforma. Assim fica mais fácil regular a linguagem e o nível de profundidade do debate. Cuidado com termos técnicos ou palavras em inglês. Caso precise utilizar, lembre-se de nem todos podem compreender sua mensagem. Seja o mais didático possível. Isto pode ser crucial para o sucesso das suas falas. Não use cacoetes de linguagem: tá, né, então, veja bem. Por último, não use termos chulos.

Referências Bibliográficas:

· Livro “Comunicar para Liderar”, Leny Kyrillos e Mílton Jung, 2015, Editora Contexto. São Paulo.

· Meio e Mensagem – Matéria Adaptação em tempo real, páginas 6 e 7, por Luis Gustavo Pacete, 18 de maio de 2020, São Paulo.

· Media Training RelatioNow, Vanessa Tofano, 2020, São Paulo.

· Livro “Não existe gestão sem Comunicação”, Daniel Costa, 2015, Editora Dublinense, São Paulo – Porto Alegre.

· Livro “O cérebro no mundo digital”, Maryanne Wolf, 2018, Editora Contexto, São Paulo –Nova Iorque.

* Anderson Passos é head de Comunicação e Relacionamento na Vedacit, líder no mercado de impermeabilização. Formado em Comunicação Social na PUC-Campinas (Pontifícia Universidade Católica), com MBA em Marketing com módulo internacional na FGV-Campinas (Fundação Getúlio Vargas) e Babson College em Boston (EUA) e aluno especial de mestrado das disciplinas de Semi-ótica e Rituais de Consumo e Traje de Cena como Documento Histórico, na USP (Universidade de São Paulo). Possui 20 anos de experiência em Comunicação Corporativa, Marketing Institucional, Relacionamento com a Imprensa, Eventos, SAC e Assistência Técnica, com atuação em empresas de grande porte multinacionais e nacionais.


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