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“Síndrome da Cabana”, ansiedade, depressão e outros transtornos de saúde mental afetam mais de 60% da população brasileira durante pandemia


São Paulo - SP 30/03/2021 10h03

Psicóloga e neuropsicóloga da USP explica efeito da crise sanitária no dia a dia das pessoas

Elaine Di Sarno - Psicóloga e Neuropsicóloga da USP - Carlos Alkmin

Em 2017, quando nunca imaginávamos estar vivendo uma crise sanitária como a da atual pandemia, a Organização Mundial da Saúde (OMS) apontava o Brasil como o quinto país em casos de depressão no mundo. À época, quase 6% da população brasileira era afetada por algum transtorno de ansiedade e depressão.

Em 2021, o Brasil lidera os casos de depressão e ansiedade durante a crise de Covid-19, segundo pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo (USP), em onze países, que indica 63% da população sofrendo de ansiedade e 59%, de depressão.

Para Elaine Di Sarno, psicóloga e neuropsicóloga da USP, a pandemia tem se apresentado como um evento traumático que chegou de forma abrupta na vida das pessoas.

“Os brasileiros estavam acostumados a ver pela TV povos orientais usando máscaras no dia a dia. De repente, nos vimos também tendo que usar máscaras quando achávamos que essa era uma situação muito distante para nós. A maioria das pessoas conhecia pandemias somente pelos registros históricos – peste bubônica, gripe espanhola, então, é muito difícil aceitar a realidade e quando ela bate à porta, trazendo medo, pânico, levando entes queridos e amigos, forçando um distanciamento social para um povo que é de beijos e abraços, isso gera crises de ansiedade, depressão e tantos outros problemas de saúde mental”, explica a profissional.

O transtorno de ansiedade é marcado por sintomas como: dificuldade de concentração, problemas no sono e preocupação excessiva, ou seja, a pandemia é altamente propícia para quadros de ansiedade. Esses sintomas podem levar ao quadro depressivo, caracterizado por alterações no humor, como apatia, solidão, tristeza, além de dores físicas sem justificativa.

Elaine Di Sarno explica que a pandemia também levou a problemas de saúde mentais gerados pelo Burnout emocional.

“O esgotamento físico e mental diante do trabalho no formato home office, a interrupção do ensino presencial, limitação de não poder ir e vir, tarefas de casa, redução de salário, medo da perda de emprego e o excesso de informações em tempo real sobre a pandemia, são situações que geram estresse, ansiedade, insônia. Tudo isso cria um desequilíbrio interno, a pessoa acaba sendo levada ao seu limite, físico e/ou emocional, sentindo-se extremamente cansada, com poucos momentos de descanso ou descontração”, conta a psicóloga e neuropsicóloga.

Outro fator que tem potencializado crises de ansiedade e quadros de depressão está ligado ao medo e insegurança, o que chamamos de “Síndrome da Cabana”, quando se desenvolve um quadro de tanto pavor de se contaminar no mundo exterior, um medo muito grande de sair de casa, que leva a pessoa a se isolar mais ainda, propiciando até mesmo situações de Transtorno Obsessivo Compulsivo – TOC, por exemplo, em relação à higienização com água e sabão e/ou álcool 70%.

Para Elaine Di Sarno, é importante o indivíduo estar atento aos sinais de problemas de saúde mental durante a pandemia, observar se houve mudança do seu comportamento nos últimos meses, se antes da pandemia a pessoa não se sentia tão triste e agora percebe essa tristeza de forma mais frequente, por exemplo.

O apoio da família é fundamental, além da orientação profissional de um psicólogo e/ou psiquiatra. Atualmente, o serviço remoto por atendimento online está liberado pelos órgãos responsáveis, o que é uma saída para ajudar as pessoas a lidarem com tantas adversidades lá fora que mexem profundamente lá dentro de cada um de nós.


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