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A adoção de uma visão estratégica da TI em prol de dados com valor agregado


São Paulo 23/06/2020 16h28

Compreender a abrangência da Tecnologia da Informação é o primeiro passo para transformar dados em objetos de valor indispensáveis para as empresas

Por Luiz Bono

Quando se discute as consequências provocadas pela transformação digital e suas contribuições para a realidade das empresas, agilidade e simplificação são dois componentes mencionados com frequência. Não por acaso, afinal, tratam-se de dois pilares importantes para os que buscam potencializar a eficácia das atividades operacionais, bem como a produtividade de suas equipes. Nos últimos anos, o debate se estendeu a uma nova mentalidade informacional, levando ao surgimento de técnicas e tecnologias inovadoras para lidar com o fluxo, armazenamento e uso dos dados.

Mais do que estatísticas, informações representam referenciais enriquecedores para a tomada de decisão, análise preditiva de mercado, relacionamento com o cliente, entre outras finalidades cruciais para o andamento do negócio e a obtenção de resultados satisfatórios. Certamente, implantar soluções automatizadas em busca de uma condução segura dos dados disponíveis é recomendável, porém, é necessário utilizar como base uma visão estratégica em relação ao tema, capaz de extrair o que há de mais vantajoso desse ativo digital.

Impacto operacional reflete na valorização humana

A simples presença tecnológica é suficiente para que a transformação seja drástica e provoque os efeitos desejados? O ambiente de TI, eventualmente colocado de lado e até renegado como um departamento cujo investimento é secundário, deve ser reorganizado em prol do funcionamento dessas plataformas e abordagens. Isso implica na capacitação de profissionais e construção de uma infraestrutura capaz de suportar as demandas da organização. É possível afirmar que a mudança deve começar na concepção estratégica dos que detém o poder de decisão.

Com sistemas de automação encarregados de processos exaustivos e padronizados, as equipes, anteriormente responsáveis pela condução manual de informações, serão redirecionadas para tarefas diversificadas e subjetivas, conquistando um estímulo produtivo maior. Contrariando noções antiquadas sobre o assunto, não se trata de simplesmente substituir profissionais, mas de oferecer um campo de atuação correspondente à complexidade humana. Nesse sentido, os benefícios são mútuos no cotidiano de trabalho.

Insumos para relacionamentos personalizados com os clientes

Se você já leu ou estudou sobre conceitos de Customer Experience, está minimamente familiarizado com a importância de se construir relacionamentos individualizados com os clientes. Em resumo, serviços ou produtos de qualidade não são garantias de fidelização ou angariação de novos consumidores; é necessário assimilar a particularidade comportamental de cada um, utilizando algoritmos complexos e confiáveis para definir as melhores ações.

Com a disponibilidade da internet e uma fácil acessibilidade a diversos aplicativos intermediários, não se deve sustentar uma comunicação externa com base em um tratamento estático. O setor de cobranças, por exemplo, é um ótimo campo para se adotar práticas personalizadas e em sintonia com as motivações que o devedor apresenta. A análise de dados busca justamente o entendimento dos problemas do público-alvo e saídas potencialmente adequadas para resolvê-los.

Geração de insights ganha novo teor estratégico

Experiência de mercado, carreira consolidada e intuição. Há alguns anos, essas três características fundamentavam a tomada de decisão de praticamente todos os gestores e líderes do país, independentemente de seu segmento ou porte empresarial. Hoje, o cenário é outro.

Inteligência artificial é um importante pilar da transformação digital. Com ela é possível automatizar decisões baseadas em grandes volumes de dados quer seriam impossíveis para o ser humano. Dessa forma, a figura de liderança pode contar com sua percepção pessoal, mas ela deixa de ser o único fator analítico. Quanto menor for a margem de erro, maior será a chance de se acertar em um quadro econômico cada vez mais dinâmico.

Por fim, destaco o papel do gestor na disseminação de uma nova mentalidade interna, sobre a TI e as aplicações práticas de plataformas de automação. Não se pode esperar que resultados positivos sejam evidenciados se o alinhamento estratégico está fragilizado ou entregue a uma concepção errônea sobre o papel da tecnologia no campo operacional. Dados são aliados de valor e representam uma grande oportunidade para se ingressar na era digital e aproveitar suas inúmeras vantagens.

*Luiz Bono é CTO na Receiv, plataforma inteligente de contas a receber. Doutor em Administração de TI pela FGV, e professor em cursos de graduação de TI e educação executiva.


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