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Saúde sexual e educação sexual - duas faces de uma mesma solução


São Paulo - SP 04/09/2020 19h47

04 de Setembro - Dia Mundial da Saúde Sexual

Lelah Monteiro, sexóloga, psicanalista e fisioterapeuta. - Créditos: Carolina Morales.

Você já parou pra pensar na importância que o sexo tem na vida das pessoas? Para além das respostas óbvias - sim, a gente sabe que é gostoso - há muitos outros aspectos que não podem ser esquecidos.

Pra começar (e sem me aprofundar muito), entre os benefícios que o sexo traz para a saúde física e mental, podemos citar:

- redução do cortisol, que é o hormônio responsável pelo aumento do estresse e da ansiedade;

- liberação da ocitocina e da dopamina, que melhoram o humor e a sensação de felicidade;

- liberação da endorfina, que relaxa e alivia as dores dos músculos tensionados pela pressão que vivemos no dia a dia (o orgasmo é uma espécie de "analgésico"); e

- liberação da prolactina, que nos ajuda a ter um sono melhor.

Além disso: faz bem para o coração; fortalece o sistema imunológico; diminui os riscos de câncer de próstata, aumenta a autoestima etc. E eu nem mencionei aí as questões relacionadas à reprodução humana!

Ou seja, ter uma saúde sexual de boa qualidade colabora - e muito - para ter uma saúde integral de boa qualidade.

Com todos esses pontos positivos, é mais do que justificada a iniciativa da WAS – World Association for Sexual Health de ter instituído o dia 04 de Setembro como o Dia Mundial da Saúde Sexual, que comemoramos hoje. A entidade quis, com isso, por em prática sua missão de "promover e defender a saúde sexual e os direitos sexuais ao longo da vida e em todo o mundo, avançando no campo da sexologia; pesquisa de sexualidade; educação sexual abrangente; e atendimento e serviços clínicos, todos respaldados por evidências e investigação científica".

>> Mas, o que é mesmo "saúde sexual"?

Quando falamos em saúde sexual não estamos pensando apenas em possíveis doenças ou disfunções. Estamos indo além, englobando os aspectos físico, emocional, mental e social da sexualidade. De como a sexualidade deve ser vivida - plenamente, com alegria, prazer, segurança e sem discriminação. E também com responsabilidade, claro.

>> A educação sexual de hoje é que define a saúde sexual de amanhã

O alerta vermelho da saúde sexual começa a acender quando:

- as pessoas, por motivos éticos, morais ou religiosos, são impedidas de ter acesso à educação sexual para conhecerem seu próprio corpo e aprenderem a cuidar dele;

- as pessoas são levadas a ter vergonha do corpo e de sentir desejo;

- não há acesso facilitado aos métodos contraceptivos e para um sexo seguro, que afaste os riscos de contrair ISTs e AIDs; e

- as pessoas não são ensinadas a conviver com a diferença;

- os direitos das pessoas são desrespeitados ou limitados por qualquer aspecto relacionado à sua sexualidade.

Daí, resultam consequências de ordem física e psicológica que incluem:

- bloqueios, medo de se relacionar e disfunções sexuais (ausência de desejo, dificuldade de sentir prazer etc.) ;

- não aceitação do próprio corpo e da própria sexualidade;

- não aceitação da sexualidade do outro, gerando desrespeito e discriminação com base em gênero ou orientação sexual;

- negligência com a realização dos exames de rotina a que mulheres e homens devem se submeter para prevenir várias doenças, como o câncer de mama, de colo de útero, de próstata, HPV etc.

- contaminação por infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e AIDs;

- gravidez precoce e/ou indesejada;

- criação / aprisionamento em padrões de relacionamento tóxicos; e

- frustração, estresse, ansiedade, depressão.

Encerro a lista aqui, mas ela poderia ir muito mais longe.

>> As pessoas perdem, a sociedade como um todo perde

Recebo em meu consultório pacientes que, devido a uma educação que negligenciou a sexualidade, buscam auxílio da terapia para viver plenamente esse aspecto de suas vidas. Com um pouco de trabalho, conseguirão encontrar seu caminho.

Porém, o descaso com a educação sexual penaliza não só o indivíduo, mas a coletividade. Basta acessar os portais de notícias: a cada dia, as manchetes gritam - casos de abuso sexual e violência contra a mulher; episódios de homo e transfobia, crescimento da gravidez entre adolescentes; e por aí vai.

A pandemia de COVID-19 veio trazer mais um ingrediente a esse cenário. Mas vamos deixar isso para outro artigo, ok?

Lelah Monteiro

>> Sobre a autora: Lelah Monteiro é sexóloga, psicanalista e fisioterapeuta (www.lelahmonteiro.com.br). Atua em seu consultório em Perdizes (São Paulo, SP) como educadora sexual; terapeuta de casais, de família e sexual. Colunista e colaboradora de revistas, programas de rádio e TV com pautas relacionadas a comportamento, relacionamento, saúde, qualidade de vida e sexualidade. Atualmente comanda o quadro Sexpresso, todas as sextas-feiras, a partir das 13h, no programa Expresso Capital, na Rádio Capital AM.


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