Negócios em Foco

Desafios da gestão na era da tecnologia


São Paulo 26/07/2021 14h47

Por Luiz Marcatti e Herbert Steinberg*

Luiz Marcatti, presidente da MESA - Divulgação

Empresas de todos os segmentos vivenciam cada vez mais de perto as

mudanças dos novos tempos. O mundo está mais complexo, com clientes mais

empoderados pela tecnologia e o surgimento de novos modelos de negócios e

novas concorrentes. A ideia de reinventar-se, seja esse um destino inevitável

ou mais flexível, torna-se constante. Para além dos fatores externos, um dos

maiores desafios das empresas está na condução da gestão, que necessita de

fato ser compatível com a transformação cultural e digital almejada.

A tecnologia trouxe complexidade dos dados, algoritmos, plataformas,

transformando as relações e a comunicação das organizações com

colaboradores e demais públicos, exigindo um novo papel de líderes,

executivos e empreendedores. A administração do futuro dos negócios

depende agora também de uma reformulação das teorias de gestão se quiser

se alinhar com o mundo exponencial. Uma das formas de acompanhar as

mudanças aceleradas é ir além do conhecimento tradicional e acadêmico que

se mostra engessado no contexto atual.

Para as empresas que cresceram em um mundo mais linear e estão

atravessando um período mais dinâmico e em transição, soma-se o desafio de

conseguir inovar sem perder a essência, a exemplo de companhias que,

mesmo tradicionais, conseguem assimilar as transformações. Esses são

alguns pontos trazidos pelo cofundador da HSM, José Salibi Neto, convidado

mais recente do MESA AO VIVO. O mentor de empresas e palestrante ajudou

a introduzir no Brasil os principais conceitos de Gestão Contemporânea nos

últimos 25 anos, período em que conviveu e trabalhou com os principais

pensadores da gestão como Peter Drucker, Jack Welch, Michael Porter, Philip

Kotler, Jim Collins, entre outros.

A visão da gestão das empresas vem se transformando nas últimas quatro

décadas, mas mais veloz e profundamente nos últimos anos. Atualizar-se

nesse cenário expõe que a forma de aprender está mudando. O conhecimento

é cada vez mais vasto e mais acessível, o que abre a necessidade de

aprendizagem mais assertiva, haja vista a crescente oferta de programas e

certificações. Isso revela outra necessidade: aprender e pôr o conhecimento

em prática.

As iniciativas de transformação digital nas empresas encontram entraves

principalmente na cultura da gestão. Existe a inovação por meio das startups

ou de tecnologia – e não há nada de errado em fazer aquisições ou criar

centros de inovação – porém, o empreendedorismo pode às vezes se sobrepor

à gestão. Essa tentativa de não ficar para trás, obsoleto, pode criar um

descompasso onde novos aprendizados e novas experiências de gestão não

se equalizam.

Para que as empresas construam um ambiente para as transformações

adequadas aos seus negócios, os conselhos, responsáveis pelas diretrizes do

futuro das empresas, devem estar atentos para identificar os caminhos que

estão sendo tomados pelos altos executivos. Numa espécie de “sabático de

aprendizado”, arejar os conhecimentos e buscar requalificação contribuirão

para que se perceba o que está acontecendo e como resolver problemas.

Na nova era da tecnologia, as inovações provocam um novo comportamento

no cliente e abrem mais possibilidades para os negócios. Alinhar conhecimento

com prática depende cada vez mais em se atualizar e adquirir novas

competências de forma consciente e contínua, que garanta que a gestão da

empresa transforme de fato a si mesma.

*Respectivamente, sócio e presidente e sócio, fundador e presidente do

conselho da MESA Corporate Governance

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