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Geração “sanduíche” e os dois extremos da vida


São Paulo 29/12/2020 16h38

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Por Marcia Sena*

Conciliar vida pessoal e profissional, administrar atividades como as dificuldades das aulas online dos filhos, do lar, do marido/esposa e dos próprios pais. Essa é uma realidade para muitos brasileiros. Estamos falando da geração “sanduíche”, conhecida por ter que dividir a sua rotina com os cuidados com os seus descendentes e antecedentes. E aqui entra um agravante que mexe com o emocional dos que se encontram nessa situação: como lidar com a ascensão profissional, onde o tempo é escasso e as cobranças são inúmeras, sendo que os pais (que já se dedicaram a nós no passado) precisam agora de cuidados e atenção?

A sociedade moderna está envelhecendo e o número de idosos nas grandes cidades é cada vez maior. No Brasil, de acordo com pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgada em 2019, há 28 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, representando 13% do total da população brasileira. Em 2043, um quarto da população do Brasil deverá ter mais de 60 anos.

Enquanto as projeções mostram um crescimento de idosos, outros números apontam que os jovens estão cada vez mais demorando para adquirir a sua independência e sair da casa dos pais. O IBGE mostra que uma a cada quatro pessoas de 25 a 34 anos ainda vivia com a família em 2015. Em 2004, a proporção era menor: uma a cada cinco.

É aí que surge a geração sanduíche: são pessoas com 40 anos ou mais que têm suas próprias responsabilidades, além de criar seus filhos, cuidar dos seus pais e pode, ainda, ter que ajudar no desenvolvimento dos netos. Como conciliar a rotina de trabalho com uma vida pessoal tão cheia de atividades? Como equilibrar tudo isso?

Uma das soluções é dar aos pais a assistência para serem independentes em suas próprias casas. Com o avanço da medicina e da conscientização de um estilo de vida saudável, que envolve uma boa alimentação, uma rotina de exercícios físicos e uma série de outros cuidados, os maduros estão envelhecendo com saúde, prazer e autonomia. Isso reforça a ideia de ajudá-los a envelhecer com qualidade de vida em seus próprios lares. Esse é um conceito que surgiu nos EUA chamado Aging in Place e vem ganhando força no Brasil.

Há também outras medidas para facilitar o cuidado com o longevo dentro dos lares, que vão desde adaptar o imóvel da família com rampas e barras de apoio, até a organização de um cronograma semanal de atividades dirigido especificamente para eles. Além disso, existem os serviços de acompanhantes, profissionais qualificados para irem com eles ao médico, supermercado e até mesmo fazer companhia nos programas de lazer. E a inovação não tem limites: hoje, tem até uma espécie de Uber para a maturidade, em que o cliente tem a opção de escolher o serviço do motorista que já está acostumado e melhor atende suas necessidades.

E como é previsto, a tecnologia também não tem limites. Exemplo são os inúmeros aplicativos voltados exclusivamente para esse público, que está cada vez mais antenado neste sentido: apps de assistência médica, onde pais e filhos podem gerenciar a agenda de consultas e exames e definir um cronograma de medicamentos; opções de entretenimento; programas de atividades físicas; entre outros.

Enfim, as soluções e os recursos são infinitos. E a palavra de ordem é equilíbrio emocional antes de qualquer coisa. Ter uma dinâmica familiar organizada e planejada é fundamental para que a geração sanduíche consiga conciliar família, trabalho e também a sua própria qualidade de vida.

*Marcia Sena, fundadora da Senior Concierge, empresa prestadora de soluções e cuidados para pessoas com mais de 60 anos, atua com o conceito Aging in Place, que significa “envelhecer no seu próprio lar”, com foco em garantir o conforto e a independência dos longevos.

www.seniorconcierge.com.br

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