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A evolução no Comércio Exterior por meio da transformação digital


São Paulo 29/07/2020 10h48

Os avanços conquistados nos últimos anos foram essenciais para diversos âmbitos do Comex

Talita Olivatto, Especialista em Comércio Exterior na eCOMEX-NSI - Divulgação eCOMEX

*Por Talita Olivatto

A transformação digital envolve diretamente o uso da tecnologia para melhorar o desempenho, aumentar o alcance e garantir resultados superiores das corporações. Atualmente, muito se fala sobre os movimentos de inovação e, quando aplicados no comércio exterior, a transformação digital nada mais é do que a aplicação da tecnologia nas operações que intermediam o comércio internacional. Essa aplicação ocorre em todos os âmbitos, em todos os intervenientes, governamentais e de empresas privadas.

Para se ter uma ideia, a 31ª Pesquisa Anual do Uso de Tecnologia da Informação no Brasil, divulgada pelo Centro de Tecnologia de Informação Aplicada (FGVcia), da Fundação Getulio Vargas (FGV), aponta que o período de pandemia deverá intensificar o processo de transformação digital. O investimento das empresas em TI chegou em média a 8% da receita das companhias, enquanto no setor de serviços chegou a 11,4%.

Inclusive, se analisarmos o cenário do Comércio Exterior brasileiro nos últimos cinco anos é altamente notável a influência das inovações alcançadas. Você não precisa estar há tanto tempo atuando em Comércio Exterior para se lembrar das entregas físicas de documentação.

A definição de “alavancagem” e o uso no Comex

No Comércio Exterior, é possível afirmar que a transformação digital busca sempre a “alavancagem”, termo originado do setor financeiro, que passou a ser aplicado para representar o ganho de produtividade quando a tecnologia é aplicada, sem representar um aumento significativo de custo e despesas.

Neste cenário, o dinheiro gasto no desenvolvimento de tecnologias digitais é visto como um investimento e não custo, já que o retorno do investimento é concreto, e vem da observação do ganho de tempos, custos operacionais e entrega de valor ao cliente. No caso do Comércio Exterior, o cliente final pode ser o importador, exportador, agente de carga, despachantes e demais intervenientes do Comex.

Uma outra motivação para o uso de tecnologias digitais no Comex foi o aumento do número de operações e de produtos importados e exportados, o que gerou uma massa de dados para processamento, gestão, e tomada de decisão em uma magnitude praticamente impossível de ser executada pelo homem sem o uso de alguma ferramenta.

A Anexação Eletrônica de Documentos no Comércio Exterior

Antes do estabelecimento do módulo Anexação Eletrônica de Documentos, acessível por meio do Portal Siscomex, toda a documentação era entregue fisicamente, sendo que havia uma ordem de organização dos documentos dentro do envelope, correndo o risco de devolução dos mesmos caso estivessem em ordem errada. A cor do envelope era outra questão, dependendo do local, era exigido cores específicas do envelope.

Agora, tal módulo permite ao importador, exportador e seus representantes legais perante o Siscomex apresentar aos órgãos intervenientes no Comércio Exterior toda a documentação de forma digitalizada. Esta funcionalidade será um dos fatores principais para o funcionamento do Portal Único, tanto no módulo de exportação como no de importação.

A anexação reduziu, e muito, a burocracia. Acessar o sistema e anexar os documentos é muito mais prático do que organizar uma locomoção para entrega deles. Fora a eliminação dos custos de impressão e de envio, por exemplo. Neste ponto, podemos destacar também o ganho ecológico, economia dos nossos recursos naturais.

Outro benefício perceptível é a redução do tempo. Com a anexação, o tempo de entrega é imediato. Ao terminar de anexar a tarefa da entrega dos documentos está finalizada. Muito diferente da entrega física, que era preciso contabilizar o tempo de entrega da remessa, sem contar a possibilidade de extravio de lotes, ou até mesmo a dúvida se já enviou ou não certo documento.

A anexação também teve impactos positivos em questões geográficas, possibilitando melhor distribuição. Citando um exemplo, a ANVISA pode estar em qualquer lugar para analisar os documentos, pois eles estão disponíveis online. Se a documentação está no ambiente digital e pode ser acessada em qualquer lugar, caso algum agente fique “ocioso” é possível redirecionar sua atuação para outro local de despacho, sem interferir em sua localização geográfica. Se não houvesse este módulo, as operações de Comércio Exterior parariam no Brasil devido à restrição de contato social da COVID-19.

Um panorama sobre o futuro

Ainda sobre o cenário da transformação digital no Comex, algo que gerou um salto de alavancagem foi o uso da inteligência artificial (IA). Nesse sentido, podemos separar o uso dos recursos da inteligência artificial em dois setores, o público e o privado. No setor privado, o uso da IA vem sendo utilizado para eliminar da rotina dos funcionários aquelas atividades que são repetitivas, mas que são imprescindíveis.

Já no setor público, a IA é muito utilizada para gestão de risco e tomada de decisão. Por exemplo, como selecionar quais das tantas importações realizadas por dia devem ser inspecionadas? Este problema é resolvido pela inteligência artificial, em que são inseridos os parâmetros de risco e, com a ajuda da tecnologia, apenas os processos de importação ou exportação estratégicos são analisados e inspecionados pelos fiscais. É claro, mais uma vez a tecnologia sendo utilizada com o intuito de otimização do uso dos recursos.

Por fim, destaco que os órgãos públicos estão apresentando maior tendência em ouvir e tentar atender o máximo possível as demandas do setor privado. As consultas públicas de alteração legal são disponibilizadas online, de forma que qualquer um com interesse no assunto possa opinar. A tecnologia não só aproximou os setores interessados e afetados pelo comercio exterior, mas elevou a um novo patamar a amplitude de comunicação e disseminação de informações.

*Talita Olivatto é Especialista em Comércio Exterior na eCOMEX-NSI.


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