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Artigo: Precisamos ensinar a pescar e ir além. Por Judenor Marchioro


São Paulo 27/08/2021 15h11

As empresas interessadas em ingressar no mercado de capitais norte-americano tiveram uma grande oportunidade, no dia 26 de agosto, de entender os processos e aprender como trilhar o caminho mais seguro nesta empreitada com renomados experts no assunto durante o webinar “Listagens na NYSE: como ingressar no mercado de capitais dos EUA”.

Promovido pelo a Brazil-Florida Business Council, Inc., organização sem fins lucrativos voltada à promoção de negócios internacionais, o evento contou com a presença de Alex Ibrahim, Chefe de Mercados Internacionais da NYSE (Bolsa de Valores de Nova York); André Spolidoro, Chief Financial Officer (diretor financeiro) da VTEX; Vanessa Fiusa, Sócia de Mercado de Capitais do Mattos Filho, Veiga Filho, Marrey Jr. e Quiroga Advogados; Manuel Garciadiaz, Sócio e Chefe de Práticas Latino-Americanas da Davis Polk & Wardwell; e Fabio Federici, Chefe no Brasil de Mercado de Capitais da Goldman Sachs. Todos foram conduzidos em suas explanações por meio de perguntas específicas direcionadas por Sueli Bonaparte, presidente da Brazil-Florida.

Em sua palestra, Alex Ibrahim salientou a diversificação da carteira de investimentos com grandes empresas consolidadas em âmbito global e apontou quais as áreas que no futuro vão apresentar mais vantagens para os investidores. “Vemos muitas empresas de tecnologia em destaque nas listagens, mas há também um engajamento de companhias dos setores de healthcare e consumer tech. Observamos esse comportamento nos EUA, mas acreditamos que eventualmente isso acontecerá também no Brasil e América Latina”, diz.

Ibrahim aponta ainda que a alta procura pela Bolsa de Nova York se dá em razão de ser um mercado com maior liquidez global, baixa volatilidade e spreads mais apertados.

O próximo a contar suas experiências foi André Spolidoro, CIO da VTEX, que foi listada no mês passado na NYSE. A VTEX surgiu há dez anos como uma empresa de softwares e se desenvolveu, tornando-se uma companhia de e-commerce que permite aos clientes se tornarem marketplaces ou contatarem outras marketplaces.

Segundo Spolidoro, a VTEX, que tem entre seus clientes Motorola, Sony e C&A, escolheu a NYSE porque mistura o tradicional com o inovador, ela vem se modernizando constantemente e traz muita segurança aos investidores. “A NYSE surpreendeu pela flexibilidade e pelo planejamento de visibilidade de futuro”, conta.

Questionado onde investiria os recursos captados com a IPO na NYSE, Spolidoro assinala que a abertura de capital servirá para aumentar a capacidade de investimentos. “Também, com o incremento do segmento digital por causa da pandemia do coronavírus, a VTEX está em plena expansão e teve que aumentar seus quadros, fazer novas contratações”, narra o CIO da VTEX.

“Com a IPO, aumentamos nossa visibilidade como empresa de tecnologia da América Latina que se torna global”, ressalta.

André Spolidoro ainda lembrou os desafios enfrentados para chegar à listagem da NYSE no dia 21 de julho. “Tivemos que mudar nossos balanços que eram em reais para dólares. Foi desafiador cumprir a timeline para o envio da documentação necessária, mas meu time esteve muito focado em fazer dar certo. Falamos com muitos investidores, fizemos muitos contatos”, registra.

Aspectos regulatórios e organizacionais

No que tange à área regulatória, as IPOs necessitam de assistência de profissionais especializados. De acordo com Vanessa Fiusa, as companhias brasileiras não conseguem fazer listagem direta na bolsa norte-americana, sendo necessário criar holdings para serem repatriadas. Os advogados especializados têm ainda que ficar atentos à tributação atrelada ao flow financeiro e a eventuais efeitos fiscais.

“Um tema bastante importante é adaptar os controles internos ao padrão internacional, ao qual as empresas brasileiras estão pouco acostumadas. É preciso levar em consideração quesitos como governança e reorganização societária, por exemplo. E leva cerca de 3 a 6 meses, em média, para as companhias conseguirem a aprovação do processo”, narra Vanessa Fiusa.

Complementando as informações da sócia da Mattos Filho, Veiga Filho, Marrey Jr. e Quiroga Advogados, Manuel Garciadiaz pontua que quanto aos requisitos financeiros, os documentos têm que estar todos em ordem. “As empresas precisam ter ciência que o processo de auditoria norte-americano é diferenciado e mais detalhado”, sublinha. “A maior parte das empresas que optaram pela IPO nos EUA possuíam estruturas de diferentes níveis de gerenciamento”.

Fabio Federici elogiou a experiência recente da VTEX na NYSE. “Foi a primeira empresa brasileira que usou sistema de IPO transparente, que permite colocar no sistema ordens diretamente com preços determinados, algo que nem existe ainda no Brasil”, frisa o executivo da Goldman Sachs.

Federici também destacou os aspectos que mais preocupam os emissores brasileiros quando decidem fazer parte dos US Listings. “As principais dúvidas se restringem a três situações: tamanho do IPO; framework do valor-eixo; e governança”.

Para completar o quadro de informações, Vanessa Fiusa expõe perguntas com as quais, muitas vezes, ela lida em relação ao mercado norte-americano. “Os investidores questionam: posso acessar investidores brasileiros se tiver IPO nos EUA? Não pode, existem muitas restrições. Um IPO lá fora aumenta minha responsabilidade? No Brasil, há um histórico menor de discussões judiciais, ao passo que nos EUA, há mais processos. E o custo? É maior nos EUA, por ser em dólar”, esclarece a advogada.

No final das apresentações, Sueli Bonaparte propôs que os palestrantes fornecessem conselhos para os interessados em investir nas listas da NYSE.

André Spolidoro reforçou a necessidade de começar desde cedo a estreitar relacionamentos com investidores e com o mercado financeiro para que conheçam o seu negócio.

Fábio Federici aconselhou a conhecer bem os profissionais com que vai contar em todo o processo e a falar com empresas que já passaram pela experiência. Também é importante que o interessado não mude sua essência. “Casos de IPOs de sucesso seguiram seus valores”, relata.

Vanessa Fiusa reafirmou que as companhias devem contar com equipes preparadas que sabem lidar com investidores estrangeiros. “O emissor brasileiro vai acessar um mundo novo de investidores, em um mercado mais dinâmico, diferente do Brasil”, diz.

Manuel Garciadiaz opinou que o investidor precisa se preparar com muita antecedência e estar bem organizado, pois vai ter um trabalho duro e se deparar com muitos obstáculos.

Por fim, Alex Ibrahim lembra que “a IPO não é o final do processo, mas sim o começo. Tem que estar bem preparado para enfrentar esse novo mercado, dedicar tempo para o investidor e ter equipe bem preparada”.

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