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Quando fazer “errado” no empreendedorismo é não fazer nada


São Paulo 06/10/2020 17h25

Especialista explica como empresas podem seguir o exemplo da Insider e crescer com escalabilidade, velocidade

divulgação

Durante a pandemia, falou-se muito nas empresas que tiveram que fechar as portas. No entanto, foi impossível não notar aquelas que tiveram um crescimento relâmpago. As que, em meio a um cenário cheio de incertezas, arriscaram e se lançaram no mercado, ainda que sem ter tudo 100% pronto ou esquematizado, conseguindo um retorno muito maior do que o previsto.

Edson Mackeenzy, investidor de Startups e mentor de negócios em busca de escalabilidade, aceleração e internacionalização, afirma que, para alcançar essa progressão quase que instantânea, é preciso quebrar algumas regras básicas de gerenciamento que são voltadas para minimização de riscos, eficiência e o que muitas escolas de negócios chamam de “melhores práticas” para gestão corporativa.

Foi o que aconteceu com a Insider, uma startup que desenvolve roupas com tecnologia, funcionais, confortáveis e duráveis, com foco em produção sustentável, e que, em função da Covid-19, lançou produtos antivirais. Se a empresa resolvesse se atentar a detalhes, talvez não tivesse agido tão rápido e registrado tamanho crescimento.

“Quando começou a pandemia, percebemos que tínhamos expertise para lançar um produto antiviral no mercado que pudesse ajudar a população, afinal já trabalhávamos com roupas antibacterianas. Mas precisávamos correr contra o tempo para adaptar nossa tecnologia. Então primeiro lançamos camisetas antivirais enquanto trabalhávamos nas máscaras. Depois é que fomos pensar em outras possibilidade de cor, tecido e linha infantil”, revela Yuri Gricheno, fundador da Insider.

De acordo com Mackeenzy, a empresa é um exemplo porque priorizou a ação. Agiu rápido e colocou um item inovador à venda para depois ir ajustando os detalhes para que os lotes futuros saíssem com uma perfeição maior. Os sócios conseguiram colocar na prática o conceito de empresas que servem a um mercado global e que fazem empreendedorismo de alto impacto, inclusive com criação de novos empregos. “Antes da pandemia, o nosso quadro de funcionários contava com 20 pessoas. Durante, precisamos até alugar um segundo centro de distribuição para operar porque triplicamos o número de colaboradores”, revela Yuri.

O que aconteceu com a Insider também pode ser chamado de blitzscaling, uma escalada relâmpago, termo usado por Reid Hoffman, cofundador do LinkedIn. O processo de escalabilidade pode ser compreendido em 5 estágios nesse fenômeno: família, tribo, vila, cidade e nação.

No primeiro estágio, chamado de Família, é a fase de desenvolvimento do negócio, ou seja, a definição do que será vendido, do papel do fundador e a contratação dos primeiros funcionários. Na sequência, vem a Tribo, que é focada na construção de uma base sólida para possibilitar a escalada. Ou seja, é hora de desenvolver o produto e financiar o crescimento da empresa. Depois dessas preparações, vem o estágio da escalada em si, chamado de Vila. Nessa fase, é preciso priorizar as ações e focar em estratégias voltadas para o crescimento relâmpago do negócio.

De acordo com Mackeenzy, a Insider aparece aqui: está no processo de deixar de ser uma “tribo” para virar uma “vila”. “A escalada relâmpago é uma forma de conseguir um crescimento significativo para a empresa. Porém, é preciso ter a consciência de que, para atingir esse objetivo, será preciso priorizar algumas demandas e conviver com uma certa dose de caos”, revela o especialista. Nesse período, a compreensão de que não há como arrumar tudo antes de colocar o negócio em funcionamento é primordial.

Voltando aos estágios, a próxima fase, chamada de Cidade, é quando o negócio começa a ganhar eficiência sem perder a velocidade de crescimento. Aqui também são desenvolvidos novos processos para aprimorar o produto e/ou serviço. O quinto e último estágio é conhecido como Nação e, nele, é importante o empreendedor não perder o espírito de startup, mas começar a traçar uma estratégia global, mesmo que ainda esteja agindo localmente.

Segundo Mackeenzy, seguir todo esse percurso não significa fazer algo mal feito. Mas é necessário abrir mão dos planos anuais, da regularidade na operação, regularidade de resultados e inúmeros processos. É preciso fazer acontecer! “Esse caos é vital para escalar rapidamente, ou seja, é necessário sacrificar a ordem e a eficiência pela velocidade. É importante contextualizar que isso não será feito de forma desordeira e sim planejada, mas lembrando que, quando existe uma grande possibilidade de erros e incertezas, o empreendedor se encontra mais preparado para buscar uma solução”.

Outro ponto destacado pelo mentor é que existe uma pessoa certa para cada fase da empresa. “Não adianta contratar um executivo com experiência em multinacionais, que liderava uma equipe de 1.000 pessoas, se a empresa tem apenas 10 funcionários. Na verdade, essa ideia de contratar para o amanhã se mostra cada vez mais contraproducente”, avalia. Idem para o momento de dispensar alguém. Entender que tipo de funcionário a empresa precisa em cada momento é fundamental para o crescimento acelerado.

Com relação aos produtos, Mack esclarece que fazer errado também pode ser não fazer nada. “É muito melhor lançar algo com pequenas imperfeições e, de acordo com o feedback dos consumidores, ir aprimorando do que atrasar um lançamento por causa de detalhes que, possivelmente, não farão diferença para os clientes. Chamamos isso de curva de aprendizado”.

Com a produção em ritmo acelerado, o fundador da Insider concorda que o risco vale a pena e gera retorno. “No ano passado o nosso faturamento foi de R$ 8 milhões. Quando veio a pandemia, imaginamos que o resultado deste ano fosse ser afetado, mas, no fim, a nossa perspectiva é de fechar 2020 com um valor ainda acima da previsão inicial”, revela Yuri.

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