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Investir no consumo local pode ser alternativa para tirar o brasileiro da crise


São Paulo - SP 20/10/2020 10h07

Por Carlos Ávila, fundador do MeuVizinho.me*

Carlos Ávila, fundador do MeuVizinho.me - Divulgação/MeuVizinho.me

Apesar de ser um tema que vem ganhando cada vez mais espaço desde o início da pandemia, a economia local nem sempre foi um assunto muito debatido. Mas a realidade é que essa forma de consumir é extremamente importante e pode, literalmente, ajudar o Brasil a superar a crise.

O movimento do consumo dentro da própria vizinhança gera mais sustentabilidade e mais oportunidades de negócios em um bairro ou região. Com isso, nascem mais vagas de empregos, já que quanto mais o comércio vender, maior será a demanda de novos colaboradores, assim como as oportunidades para quem deseja começar a empreender. É um “efeito dominó” do bem.

Como exemplo, podemos ilustrar da seguinte forma: se você abrir uma pequena empresa, comprar de fornecedores locais, ter clientes na vizinhança e abrir vagas de emprego - que serão preenchidas por pessoas da região -, sem dúvida nenhuma estará ajudando aquele pequeno universo a ter uma vida economicamente ativa, além do seu negócio também ser beneficiado. Com o comércio local movimentado, todo mundo cresce junto.

Os benefícios de uma economia aquecida são inúmeros. O primeiro deles é o aumento da arrecadação de imposto de determinado município, por meio do consumo local, o que resulta em uma cidade com mais recursos para investir em segurança, urbanização e infraestrutura.

A segunda razão é a valorização dos produtores da região. Você já ouviu falar de locavorismo? O costume que já virou tendência em países como os Estados Unidos vem ganhando força no Brasil. A ideia é consumir, preferencialmente, alimentos produzidos próximo ao lugar onde se vive. Um exemplo são os mercadinhos de agricultores, feiras locais, marmitas vendidas na região e até mesmo hortas comunitárias. Além de ajudar esses pequenos empresários, estará economizando e consumindo alimentos mais frescos e saudáveis.

O incentivo à sustentabilidade é o terceiro motivo para investir no consumo local. Comprando localmente é possível produzir menos lixo e usar menos recursos naturais, com a redução do combustível para transportar mercadorias de longas distâncias ou a utilização de menos adubos químicos, no caso de consumir alimentos produzidos por pequenos agricultores locais.

Por último, mas não menos importante, quanto mais a economia da sua cidade estiver aquecida, mais existirá concorrência, o que permitirá um esforço maior das empresas para melhorar a qualidade da produção e o fornecimento de seus produtos e serviços. Isso estimula uma competição saudável que resultará em crescimento para todos.

Tenha certeza que uma economia local aquecida significa uma comunidade forte e isso torna um país mais poderoso. Desenvolver o consumo local pode ser trabalhoso e levar tempo, mas se todos batalharem juntos, crescerão juntos: fornecedores, comerciantes e consumidores.

É como diz o provérbio português: o sol nasce para todos. É exatamente isso que acontece quando você resolve consumir, cada dia mais, dentro da sua vizinhança.

*Carlos Ávila é fundador do MeuVizinho.me, a primeira rede social de consumo local do Brasil


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