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Área de P&D: a chave para superar os entraves na indústria de alimentos


SÃO PAULO 27/08/2021 10h14

por Luciana Malavazi - gerente de P&D - Regulatórios de Produtos da NISSIN FOODS DO BRASIL

Divulgação Nissin

Inovação, investimentos em novas tecnologias, alta no preço ou falta de insumos e manutenção da produção com protocolos rígidos de prevenção à Covid-19. Listados dessa forma, os desafios da indústria brasileira de alimentos e bebidas podem parecer um entrave para manter a produtividade e o crescimento do setor. Porém, dados da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) mostram que o faturamento da indústria alimentícia nacional alcançou R$ 789,2 bilhões em 2020 - um crescimento de 12,8% em relação a 2019. Esse montante representa 10,6% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. 

Então podemos dizer que houve uma superação dos desafios? Nem tanto. O prolongamento da pandemia e outros fatores continuam exigindo das empresas do setor um alto grau de adaptabilidade constante. A área de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) das indústrias que o diga. Responsável por inovar na criação de produtos e formas de consumo que atendam as demandas dos clientes, o P&D depende diretamente de tecnologias, insumos e segurança sanitária para continuar apresentando inovações. 

Afinal, a simples atividade de testar, degustar e alinhar opiniões sobre o desenvolvimento de um possível produto tornou-se mais complexa com a pandemia e precisou ser reinventada. Os ajustes das criações em tempos pré-pandêmicos ocorriam em reuniões com diversos especialistas e compartilhamento de opiniões ao vivo. Agora, as dinâmicas de degustações são realizadas sob a ótica preventiva da Covid-19, o que requer muito mais planejamento da área, incluindo o delivery para entrega de amostras, teleconferências e aplicativos para realização de pesquisas com o time interno e os consumidores. 

A pandemia ainda aumentou as demandas da área de P&D, uma vez que a necessidade de ser ágil para contornar as dificuldades de abastecimento do mercado mundial, assim como o aumento de preços dos insumos, passou a ser um imperativo para os profissionais da área. 

Por exemplo: o custo do óleo de palma, ingrediente necessário para fabricação de vários alimentos, registrou um aumento considerável no último ano, sendo agravado pelo valor do câmbio, uma vez que a produção nacional não consegue abastecer toda a indústria brasileira. Dados da ABIA indicam que o óleo de palma tem importância representativa no custo de produção de alimentos como massas. Trigo e insumos para confecção de embalagens são outros itens essenciais para a indústria alimentícia que seguem com preços altíssimos ou estão em falta no mercado. 

Com isso, investimentos em novas tecnologias, processos e maneiras de consumo precisam ser realizados por meio de testes e pesquisas contínuas.  O mesmo relatório de 2020 da ABIA revela que foram investidos cerca de R$ 15,4 bilhões no setor durante o ano passado. 

Os desafios da indústria brasileira de alimentos apontados acima devem continuar ao longo de 2021. Para atravessá-los com inovação, agilidade e proximidade dos consumidores, o P&D de cada empresa precisa ter a colaboração de outras áreas e a consciência da penetração em lares, oferecendo alimentos com excelência e preço justo na ponta. É isso o que os clientes e toda a cadeia alimentícia esperam do P&D. 

*Luciana Malavazi é gerente de P&D - Regulatórios de Produtos da NISSIN FOODS DO BRASIL


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