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Como criar conexões sólidas à distância no ambiente profissional


São Paulo 19/08/2021 19h10

Por Kairon Rodrigues, Diretor da área de Recursos Humanos (POP) da Escale.

Kairon Rodrigues, Diretor da área de Recursos Humanos (POP) da Escale. - Divulgação

Que a pandemia vem mudando constantemente a forma como enxergamos as coisas, não é novidade. Em janeiro de 2021 a UFMG publicou uma pesquisa realizada com mais de 200 mil pessoas que mostrou o medo como o sentimento mais comum durante o período pandêmico (referência). Pela primeira vez na história, enfrentamos uma "guerra invisível" que influenciou diretamente no nosso estado emocional. Os aprendizados adquiridos durante a pandemia tiveram um custo alto: mortes, desemprego e diversos outros problemas sociais. A forma como começamos a enxergar o trabalho remoto também mudou, já que ele foi estendido por um período tão longo, evidenciando ainda mais a importância de construir e manter laços de confiança com colegas e líderes. Criar todo esse vínculo digitalmente ainda é muito desafiador.

Não sabemos quando o convívio social voltará a ser como antes, quando o uso de máscara não será mais obrigatório, nem quando conseguiremos nos relacionar de forma mais próxima com amigos e familiares e, enquanto tudo isso é incerto, precisamos ficar de olho aos sinais de desequilíbrio, principalmente com o trabalho. Passamos a trabalhar mais horas que o convencional em um cenário mais estressante e instável e, consequentemente, meses depois do início da pandemia muitas pessoas tiveram que lidar com a Síndrome de Burnout, mais conhecida como Síndrome do Esgotamento Profissional. Nesse cenário as empresas precisaram rapidamente implementar iniciativas para equilibrar vida pessoal com a profissional.

No dia a dia do trabalho presencial, era normal investir tempo para conhecermos mais das pessoas que trabalhar com a gente, essa troca acontecia de uma forma mais natural, durante o almoço, entre reuniões, no final do dia e durante um happy hour. O desafio no ambiente online é ter disciplina e reservar um horário para que isso de fato aconteça. É importante investir tempo para conhecer as biografias das pessoas com quem trabalhamos, essa conexão é muito poderosa pois possibilita conhecer mais da vida e desafios das outras pessoas e te coloca em um lugar de mais empatia.

Ainda é cedo para dizer se o trabalho home office será permanente, mas é possível identificar os benefícios do trabalho remoto. Podemos citar a flexibilidade e a possibilidade de contratação de pessoas que estão em diferentes locais. Já não ficamos mais numa restrição quanto antes. Por outro lado, ainda temos o desafio de como criar conexões sólidas que são fundamentais para reforçar a cultura. Essa é uma limitação do ambiente digital, estar fisicamente no mesmo escritório possibilita que você converse mais sobre amenidades e questões pessoais com colegas e isso cria vínculos de forma mais rápida.

O nosso maior vilão ainda é a saúde mental. Nós estamos mais conscientes da importância de equilibrar melhor vida pessoal e profissional, mantendo uma vida mais saudável com meditação, exercícios físicos e exercícios de respiração, mas tudo isso ainda é um desafio. Com a retomada gradual das atividades, estamos recuperando as interações sociais e isso ajuda bastante a conseguirmos esse equilíbrio.

Todo esse cenário me fez refletir bastante sobre a valorização das interações com as pessoas e acredito que ainda esteja aprendendo sobre como construir relacionamentos sólidos e vínculos pessoais no ambiente digital. É um exercício de muita disciplina e dedicação. Me sentir consciente sobre alguns privilégios em meio a um momento de crise e tentar criar um ambiente mais favorável para a minha equipe está sendo, neste momento, o maior exercício de empatia da minha vida.

*Por Kairon Rodrigues, Diretor da área de Recursos Humanos (POP) da Escale.

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